sexta-feira, 27 de maio de 2011

MEDITANDO PELO PRÓXIMO




No início de cada dia, de cada sessão de meditação e, idealmente, antes de tudo o que fizer, estabeleça a motivação pura. Comece pensando em uma ou em várias pessoas que você gostaria de ajudar e pense na vida delas, nas dificuldades e no sofrimento que enfrentam.

Depois, imagine todos aqueles que se encontram em circunstâncias semelhantes. Continue a expandir esse sentimento de compaixão até incluir todos os seres. Cada um deles, em diferentes momentos, sofre em maior ou menor grau, embora busque apenas encontrar felicidade e satisfação estáveis.

Estabeleça a aspiração de levar todos a um estado de felicidade incessante, e faça disso o propósito de tudo o que fizer.

Reze ao seu objeto de devoção, seja Deus, Buda, Jesus, Tara, ou quem quer que corporifique seu mais alto ideal de sabedoria, compaixão e poder de benefício, para que, pelas bençãos daquele ser sublime e pelo seu empenho, todos os seres possam alcançar benefícios temporários e definitivos.

Chagdud Tulku Rinpoche, em “Para abrir o coração“

quinta-feira, 26 de maio de 2011

VOTAÇÃO DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL





Uma das questões mais polêmicas do Novo Código Florestal é a questão tratada no seu Artigo 16º sobre a existência de “reserva legal” em toda propriedade, sendo que o percentual da propriedade que deve ser destinado a esse fim, segundo o Novo Código, chega a 80% na região da Amazônia Legal. Reserva na qual é proibida a supressão da vegetação nativa e só é permitida a utilização sob regime de manejo florestal sustentável. Para alguns, como a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a chamada “bancada ruralista”, a utilização do imóvel rural deveria ser plena e até mesmo de uso irrestrito em nome do desenvolvimento. Mas para outros, como o CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e o Ministério Público, o correto é mesmo condicionar o uso da propriedade rural de modo a garantir a preservação do que, convencionou-se chamar de “bens jurídicos ambientais” uma vez que, com está escrito no Art. 1º, as florestas e demais formas de vegetação “…são bens de interesse comum a todos os habitantes do País…”.

O que muda

No texto do deputado Aldo Rebelo aprovado, o parlamentar manteve o mesmo patamar da legislação atual no que se refere às reservas legais: para propriedades em florestas o índice continua sendo 80%; no Cerrado, 35%; em áreas de campos gerais, como Pampas e Caatinga, o número fica em 20%; e, em imóveis localizados nas demais áreas do país, 20%.

Sobre o polêmico item sobre preservação das matas ciliares, que margeiam os rios, o texto do relator mantém em 30 metros a área de proteção de terreno que margeie um rio com até 10 metros de largura. No entanto, os proprietários que não estiverem com a área mínima de 30 metros preservada serão obrigados a recompor a mata ciliar em até 15 metros. A faixa de terreno à margem do rio que deve ser preservada varia conforme a largura do rio. Os ruralistas reivindicavam uma redução em até 7,5 metros.

Ainda de acordo com o texto, os proprietários poderão legalizar suas propriedades nos órgãos ambientais de suas regiões e ainda ter o benefício, conforme sugeriu o Ministério do Meio Ambiente, de fazer esta regularização nas prefeituras de todo o país. Além disso, pequenas propriedades (de até 4 módulos fiscais) poderão manter a reserva existente até julho de 2008. O governo defende a troca de pequenas propriedades por agricultura familiar.

O novo projeto abre a possibilidade de se reflorestar uma área fora do Estado no qual a propriedade está localizada, permitindo assim que a recomposição de reserva legal seja feita em outros biomas.

A presidenta Dilma, no entanto, avisou que não pretende assinar um projeto que troque "regularização" das propriedades por "recomposição", e assim não vai anistiar os desmatadores de cumprir com deveres antigos de proteção ao meio ambiente.

Veja como cada deputado votou o texto-base do relatório de Aldo Rebelo sobre o novo Código Florestal:

DEM
Abelardo Lupion PR Sim
Alexandre Leite SP Sim
Antonio Carlos Magalhães Neto BA Sim
Arolde de Oliveira RJ Sim
Augusto Coutinho PE Sim
Claudio Cajado BA Sim
Davi Alcolumbre AP Sim
Eduardo Sciarra PR Sim
Efraim Filho PB Sim
Eleuses Paiva SP Sim
Eli Correa Filho SP Sim
Fábio Souto BA Sim
Felipe Maia RN Sim
Fernando Torres BA Sim
Guilherme Campos SP Sim
Heuler Cruvinel GO Sim
Hugo Napoleão PI Sim
Irajá Abreu TO Sim
Jairo Ataide MG Sim
Jorge Tadeu Mudalen SP Sim
José Nunes BA Sim
Júlio Campos MT Sim
Júlio Cesar PI Sim
Junji Abe SP Sim
Lira Maia PA Sim
Luiz Carlos Setim PR Sim
Mandetta MS Sim
Marcos Montes MG Sim
Mendonça Prado SE Sim
Onofre Santo Agostini SC Sim
Pauderney Avelino AM Sim
Paulo Cesar Quartiero RR Sim
Paulo Magalhães BA Sim
Professora Dorinha Seabra Rezende TO Sim
Rodrigo Maia RJ Sim
Ronaldo Caiado GO Sim
Vitor Penido MG Sim
Walter Ihoshi SP Sim
Total DEM: 38

PCdoB
Aldo Rebelo SP Sim
Alice Portugal BA Sim
Assis Melo RS Sim
Chico Lopes CE Sim
Daniel Almeida BA Sim
Delegado Protógenes SP Sim
Edson Pimenta BA Sim
Evandro Milhomen AP Sim
Jandira Feghali RJ Sim
Jô Moraes MG Sim
Luciana Santos PE Sim
Manuela D`Ávila RS Sim
Osmar Júnior PI Sim
Perpétua Almeida AC Sim
Total PCdoB: 14

PDT
Ademir Camilo MG Sim
André Figueiredo CE Sim
Ângelo Agnolin TO Sim
Brizola Neto RJ Não
Damião Feliciano PB Sim
Dr. Jorge Silva ES Sim
Enio Bacci RS Sim
Felix Mendonça Júnior BA Sim
Flávia Morais GO Sim
Giovani Cherini RS Sim
Giovanni Queiroz PA Sim
João Dado SP Sim
José Carlos Araújo BA Sim
Manato ES Sim
Marcelo Matos RJ Sim
Marcos Medrado BA Sim
Miro Teixeira RJ Não
Oziel Oliveira BA Sim
Paulo Pereira da Silva SP Sim
Paulo Rubem Santiago PE Não
Reguffe DF Não
Salvador Zimbaldi SP Sim
Sebastião Bala Rocha AP Obstrução
Sueli Vidigal ES Sim
Vieira da Cunha RS Não
Wolney Queiroz PE Sim
Zé Silva MG Sim
Total PDT: 27

PHS
Felipe Bornier RJ Sim
José Humberto MG Sim
Total PHS: 2

PMDB
Adrian RJ Sim
Alberto Filho MA Sim
Alceu Moreira RS Sim
Alexandre Santos RJ Sim
Almeida Lima SE Sim
André Zacharow PR Sim
Aníbal Gomes CE Sim
Antônio Andrade MG Sim
Arthur Oliveira Maia BA Sim
Átila Lins AM Sim
Benjamin Maranhão PB Sim
Camilo Cola ES Sim
Carlos Bezerra MT Sim
Celso Maldaner SC Sim
Danilo Forte CE Sim
Darcísio Perondi RS Sim
Edinho Araújo SP Sim
Edinho Bez SC Sim
Edio Lopes RR Sim
Edson Ezequiel RJ Sim
Eduardo Cunha RJ Sim
Elcione Barbalho PA Sim
Fabio Trad MS Sim
Fátima Pelaes AP Sim
Fernando Jordão RJ Sim
Flaviano Melo AC Sim
Francisco Escórcio MA Sim
Gastão Vieira MA Sim
Gean Loureiro SC Sim
Genecias Noronha CE Sim
Geraldo Resende MS Sim
Henrique Eduardo Alves RN Sim
Hermes Parcianello PR Sim
Hugo Motta PB Sim
Íris de Araújo GO Sim
João Arruda PR Sim
João Magalhães MG Sim
Joaquim Beltrão AL Sim
José Priante PA Sim
Júnior Coimbra TO Sim
Leandro Vilela GO Sim
Lelo Coimbra ES Sim
Luciano Moreira MA Sim
Lucio Vieira Lima BA Sim
Luiz Otávio PA Sim
Manoel Junior PB Sim
Marcelo Castro PI Sim
Marinha Raupp RO Sim
Marllos Sampaio PI Sim
Mauro Benevides CE Sim
Mauro Mariani SC Sim
Mendes Ribeiro Filho RS Sim
Moacir Micheletto PR Sim
Natan Donadon RO Sim
Nelson Bornier RJ Sim
Newton Cardoso MG Sim
Nilda Gondim PB Sim
Osmar Serraglio PR Sim
Osmar Terra RS Sim
Paulo Piau MG Sim
Pedro Chaves GO Sim
Professor Setimo MA Sim
Raimundão CE Sim
Raul Henry PE Sim
Reinhold Stephanes PR Sim
Renan Filho AL Sim
Rogério Peninha Mendonça SC Sim
Ronaldo Benedet SC Sim
Rose de Freitas ES Sim
Saraiva Felipe MG Sim
Solange Almeida RJ Sim
Valdir Colatto SC Sim
Washington Reis RJ Sim
Wladimir Costa PA Sim
Total PMDB: 74

PMN
Dr. Carlos Alberto RJ Sim
Fábio Faria RN Sim
Jaqueline Roriz DF Sim
Walter Tosta MG Sim
Total PMN: 4

PP
Afonso Hamm RS Sim
Aguinaldo Ribeiro PB Sim
Arthur Lira AL Sim
Beto Mansur SP Sim
Carlos Magno RO Sim
Carlos Souza AM Sim
Cida Borghetti PR Sim
Dilceu Sperafico PR Sim
Dimas Fabiano MG Sim
Eduardo da Fonte PE Sim
Esperidião Amin SC Sim
Gladson Cameli AC Sim
Iracema Portella PI Sim
Jair Bolsonaro RJ Sim
Jeronimo Goergen RS Sim
José Linhares CE Sim
José Otávio Germano RS Sim
Lázaro Botelho TO Sim
Luis Carlos Heinze RS Sim
Luiz Argôlo BA Sim
Luiz Fernando Faria MG Sim
Márcio Reinaldo Moreira MG Sim
Missionário José Olimpio SP Sim
Nelson Meurer PR Sim
Neri Geller MT Sim
Paulo Maluf SP Sim
Raul Lima RR Sim
Rebecca Garcia AM Sim
Renato Molling RS Sim
Roberto Balestra GO Sim
Roberto Britto BA Sim
Roberto Dorner MT Sim
Roberto Teixeira PE Sim
Sandes Júnior GO Sim
Simão Sessim RJ Sim
Toninho Pinheiro MG Sim
Vilson Covatti RS Sim
Waldir Maranhão MA Sim
Zonta SC Sim
Total PP: 39

PPS
Arnaldo Jardim SP Sim
Arnaldo Jordy PA Não
Augusto Carvalho DF Sim
Carmen Zanotto SC Sim
César Halum TO Sim
Dimas Ramalho SP Sim
Geraldo Thadeu MG Sim
Moreira Mendes RO Sim
Roberto Freire SP Não
Rubens Bueno PR Sim
Sandro Alex PR Sim
Stepan Nercessian RJ Sim
Total PPS: 12

PR
Aelton Freitas MG Sim
Anthony Garotinho RJ Sim
Aracely de Paula MG Sim
Bernardo Santana de Vasconcellos MG Sim
Diego Andrade MG Sim
Dr. Adilson Soares RJ Sim
Dr. Paulo César RJ Não
Francisco Floriano RJ Sim
Giacobo PR Sim
Giroto MS Sim
Gorete Pereira CE Sim
Henrique Oliveira AM Sim
Homero Pereira MT Sim
Inocêncio Oliveira PE Sim
Izalci DF Sim
João Carlos Bacelar BA Sim
João Maia RN Sim
José Rocha BA Sim
Laercio Oliveira SE Sim
Liliam Sá RJ Não
Lincoln Portela MG Sim
Lúcio Vale PA Sim
Maurício Quintella Lessa AL Sim
Maurício Trindade BA Sim
Neilton Mulim RJ Sim
Paulo Freire SP Sim
Ronaldo Fonseca DF Sim
Sandro Mabel GO Sim
Tiririca SP Sim
Vicente Arruda CE Sim
Wellington Fagundes MT Sim
Wellington Roberto PB Sim
Zoinho RJ Sim
Total PR: 33

PRB
Acelino Popó BA Sim
Antonio Bulhões SP Sim
George Hilton MG Sim
Heleno Silva SE Sim
Jhonatan de Jesus RR Sim
Jorge Pinheiro GO Sim
Márcio Marinho BA Sim
Otoniel Lima SP Sim
Ricardo Quirino DF Sim
Vilalba PE Sim
Vitor Paulo RJ Sim
Total PRB: 11

PRP
Jânio Natal BA Sim
Total PRP: 1

PRTB
Aureo RJ Sim
Vinicius Gurgel AP Sim
Total PRTB: 2

PSB
Abelardo Camarinha SP Sim
Ana Arraes PE Sim
Antonio Balhmann CE Sim
Ariosto Holanda CE Sim
Audifax ES Não
Domingos Neto CE Sim
Dr. Ubiali SP Sim
Edson Silva CE Sim
Fernando Coelho Filho PE Sim
Gabriel Chalita SP Sim
Givaldo Carimbão AL Sim
Glauber Braga RJ Não
Gonzaga Patriota PE Sim
Jefferson Campos SP Sim
Jonas Donizette SP Sim
José Stédile RS Sim
Júlio Delgado MG Sim
Keiko Ota SP Sim
Laurez Moreira TO Sim
Leopoldo Meyer PR Sim
Luiz Noé RS Sim
Luiza Erundina SP Não
Mauro Nazif RO Sim
Pastor Eurico PE Sim
Paulo Foletto ES Sim
Ribamar Alves MA Sim
Romário RJ Sim
Sandra Rosado RN Sim
Valadares Filho SE Sim
Valtenir Pereira MT Sim
Total PSB: 30

PSC
Andre Moura SE Sim
Antônia Lúcia AC Sim
Carlos Eduardo Cadoca PE Sim
Deley RJ Não
Edmar Arruda PR Sim
Erivelton Santana BA Sim
Filipe Pereira RJ Sim
Hugo Leal RJ Sim
Lauriete ES Sim
Marcelo Aguiar SP Sim
Nelson Padovani PR Sim
Pastor Marco Feliciano SP Sim
Ratinho Junior PR Sim
Sérgio Brito BA Sim
Silas Câmara AM Sim
Stefano Aguiar MG Sim
Takayama PR Sim
Zequinha Marinho PA Sim
Total PSC: 18

PSDB
Alfredo Kaefer PR Sim
André Dias PA Sim
Andreia Zito RJ Sim
Antonio Carlos Mendes Thame SP Sim
Antonio Imbassahy BA Sim
Berinho Bantim RR Sim
Bonifácio de Andrada MG Sim
Bruna Furlan SP Sim
Bruno Araújo PE Sim
Carlaile Pedrosa MG Sim
Carlos Alberto Leréia GO Sim
Carlos Brandão MA Sim
Carlos Roberto SP Sim
Carlos Sampaio SP Sim
Cesar Colnago ES Sim
Delegado Waldir GO Sim
Domingos Sávio MG Sim
Duarte Nogueira SP Sim
Dudimar Paxiúba PA Sim
Eduardo Azeredo MG Sim
Eduardo Barbosa MG Sim
Hélio Santos MA Sim
João Campos GO Sim
Jorginho Mello SC Sim
Jutahy Junior BA Sim
Luiz Carlos AP Sim
Luiz Fernando Machado SP Sim
Luiz Nishimori PR Sim
Manoel Salviano CE Sim
Mara Gabrilli SP Sim
Marcio Bittar AC Sim
Marcus Pestana MG Sim
Nelson Marchezan Junior RS Sim
Otavio Leite RJ Sim
Paulo Abi-Ackel MG Sim
Pinto Itamaraty MA Sim
Raimundo Gomes de Matos CE Sim
Reinaldo Azambuja MS Sim
Ricardo Tripoli SP Não
Rodrigo de Castro MG Abstenção
Rogério Marinho RN Sim
Romero Rodrigues PB Sim
Rui Palmeira AL Sim
Ruy Carneiro PB Sim
Valdivino de Oliveira GO Sim
Vanderlei Macris SP Sim
Vaz de Lima SP Sim
Wandenkolk Gonçalves PA Sim
William Dib SP Sim
Total PSDB: 49

PSL
Dr. Francisco Araújo RR Sim
Dr. Grilo MG Sim
Total PSL: 2

Psol
Chico Alencar RJ Não
Ivan Valente SP Não
Total Psol: 2

PT
Alessandro Molon RJ Não
Amauri Teixeira BA Não
André Vargas PR Sim
Angelo Vanhoni PR Sim
Antônio Carlos Biffi MS Não
Arlindo Chinaglia SP Sim
Artur Bruno CE Não
Assis do Couto PR Sim
Benedita da Silva RJ Sim
Beto Faro PA Sim
Bohn Gass RS Sim
Cândido Vaccarezza SP Sim
Carlinhos Almeida SP Sim
Carlos Zarattini SP Sim
Chico D`Angelo RJ Não
Cláudio Puty PA Não
Décio Lima SC Sim
Devanir Ribeiro SP Sim
Domingos Dutra MA Não
Dr. Rosinha PR Não
Edson Santos RJ Sim
Eliane Rolim RJ Sim
Emiliano José BA Sim
Erika Kokay DF Não
Eudes Xavier CE Não
Fátima Bezerra RN Não
Fernando Ferro PE Não
Fernando Marroni RS Não
Francisco Praciano AM Não
Gabriel Guimarães MG Sim
Geraldo Simões BA Sim
Gilmar Machado MG Sim
Henrique Fontana RS Não
Janete Rocha Pietá SP Não
Jesus Rodrigues PI Não
Jilmar Tatto SP Não
João Paulo Lima PE Não
João Paulo Cunha SP Sim
Jorge Boeira SC Sim
José De Filippi SP Sim
José Guimarães CE Sim
José Mentor SP Sim
Joseph Bandeira BA Sim
Josias Gomes BA Sim
Leonardo Monteiro MG Não
Luci Choinacki SC Sim
Luiz Alberto BA Não
Luiz Couto PB Sim
Márcio Macêdo SE Não
Marco Maia RS Art. 17
Marcon RS Não
Marina Santanna GO Não
Miriquinho Batista PA Sim
Nazareno Fonteles PI Não
Nelson Pellegrino BA Sim
Newton Lima SP Não
Odair Cunha MG Sim
Padre João MG Não
Padre Ton RO Não
Paulo Pimenta RS Não
Paulo Teixeira SP Sim
Pedro Eugênio PE Sim
Pedro Uczai SC Não
Policarpo DF Sim
Professora Marcivania AP Não
Reginaldo Lopes MG Sim
Ricardo Berzoini SP Sim
Rogério Carvalho SE Não
Ronaldo Zulke RS Sim
Rui Costa BA Sim
Ságuas Moraes MT Sim
Sérgio Barradas Carneiro BA Sim
Sibá Machado AC Não
Taumaturgo Lima AC Sim
Valmir Assunção BA Não
Vicente Candido SP Sim
Vicentinho SP Sim
Waldenor Pereira BA Não
Weliton Prado MG Sim
Zé Geraldo PA Sim
Zeca Dirceu PR Sim
Total PT: 81

PTB
Alex Canziani PR Sim
Antonio Brito BA Sim
Arnaldo Faria de Sá SP Sim
Arnon Bezerra CE Sim
Celia Rocha AL Sim
Danrlei De Deus Hinterholz RS Sim
Eros Biondini MG Sim
João Lyra AL Sim
Jorge Corte Real PE Sim
José Augusto Maia PE Sim
José Chaves PE Sim
Josué Bengtson PA Sim
Jovair Arantes GO Sim
Nelson Marquezelli SP Sim
Nilton Capixaba RO Sim
Paes Landim PI Sim
Ronaldo Nogueira RS Sim
Sabino Castelo Branco AM Sim
Sérgio Moraes RS Sim
Silvio Costa PE Sim
Walney Rocha RJ Sim
Total PTB: 21

PTC
Edivaldo Holanda Junior MA Sim
Total PTC: 1

PTdoB
Cristiano RJ Sim
Lourival Mendes MA Sim
Luis Tibé MG Sim
Total PTdoB: 3

PV
Alfredo Sirkis RJ Não
Antônio Roberto MG Não
Dr. Aluizio RJ Não
Fábio Ramalho MG Não
Guilherme Mussi SP Não
Lindomar Garçon RO Não
Paulo Wagner RN Não
Ricardo Izar SP Não
Roberto de Lucena SP Não
Roberto Santiago SP Não
Rosane Ferreira PR Não
Sarney Filho MA Não
Total PV: 12

sábado, 7 de maio de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

MORRE NOSSO AMADO MESTRE SAI BABA. A TERRA FICOU MAIS POBRE.



OM ASATO MA SADGAMAYA que se vá a não-verdade e venha a verdade
TAMASO MA JYOTIRGAMAYA que se vá a escuridão e venha a luz
MRTYOR MA AMRTAM GAMAYA que se vá a morte e venha a imortalidade


OM SHANTIH SHANTIH SHANTIH que haja paz, paz, paz



Original Tradução para o português
Love is my form
Truth is my breath
Bliss is my food

Amor é minha forma
Verdade é minha respiração
Felicidade é meu alimento

My life is my message
Expansion is my life

Minha vida é minha mensagem
Expansão é minha vida

No season for love
No reason for love
No birth, no death

Sem estação para o amor
Sem motivo para o amor
Sem nascimento, sem morte

Prema, Sathya, Ananda
Shanti, Dharma, Ananda

Amor, Verdade, Bem-Aventurança
Paz, Retidão, Alegria Transcendental

Shirdi Sai, Parthi Sai
Prema Sai, Jay Jay (2x)

Shirdi Sai, Parthi Sai
Prema Sai, Vitória Vitória!

"Vim para acender a chama do Amor em seus corações, para que ela brilhe dia a dia com mais esplendor.
Não vim em benefício de alguma religião em particular.
Não vim em nenhuma missão de publicidade para qualquer seita, credo ou causa, nem vim reunir seguidores para nenhuma doutrina.
Não tenho planos para atrair discípulos ou devotos ao meu rebanho ou a algum outro rebanho.
Vim para falar-lhes desta Fé Unitária Universal, deste Princípio Divino, deste Caminho de Amor, desta Ação de Amor, deste Dever de Amor, desta Obrigação de Amor."

Sathya Sai Baba

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Angélica - Chico Buarque

ZUZU ANGEL-35 ANOS DA MORTE DA GUERREIRA

ZUZU ANGEL




Uma mulher guerreira que perdeu o filho Stuart torturado e assasinado pela ditadura militar. Ativista que lutava contra a Ditadura instaurada a força no Brasil pelos militares brasileiros apoiados pelo Governo Estadunidense, foi preso e morto nas dependências do DOI-CODI.

A partir daí, Zuzu entraria em uma guerra contra o regime pela recuperação do corpo de seu filho, envolvendo até os Estados Unidos, país de seu ex-marido e pai de Stuart. Essa luta só terminou com sua morte, ocorrida na madrugada de 14 de abril de 1976, num "acidente" de carro na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ), em circunstâncias então mal esclarecidas. O corpo de Stuart nunca foi encontrado.


Ainda menina, Zuleika Angel Jones mudou-se com a família para Belo Horizonte. Ali começou sua carreira como costureira, fazendo roupas para as primas. Depois foi para Bahia e, em 1947, estabeleceu-se no Rio de Janeiro onde começou a carreira profissional. Já não era propriamente uma costureira, mas uma estilista, que criava sua própria moda, com uma linguagem muito pessoal.

Tratava-se, além disso, de uma moda brasileira, com materiais do país e cores tropicais. Misturava renda, seda, fitas e chitas com temas regionalistas e folclóricos, com estampados de pássaros, borboletas e papagaios. Trouxe também para a moda as pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas. Buscava não somente o mercado da elite, como também queria vestir a mulher comum.

Nos anos 1970 abriu sua loja em Ipanema e encantou o mundo. Conquistou o mercado norte-americano, foi vitrine de grandes lojas de departamentos e apareceu em importantes veículos de comunicação dos Estados Unidos. Pioneiramente, começou a divulgar sua marca colocando-a do lado externo da roupa. O anjo era o seu logotipo.


Logo após a morte de Stuart, as torturas que sofreu foram narradas a Zuzu por meio de uma carta do preso político Alex Polari de Alverga. Segundo esse depoimento, Stuart foi arrastado por um jipe pelo pátio interno da Base Aérea do Galeão, com a boca no cano de descarga do veículo. Mais tarde, Alex ouviu os gritos de Stuart - numa cela ao lado - pedindo água e dizendo que ia morrer. Depois, seu corpo foi retirado da cela. Este depoimento de Alex consta do vídeo "Sônia Morta e Viva", produzido e dirigido por Sérgio Waisman, em 1985.

Já separada do marido, o americano Norman Angel Jones, Zuzu Angel incansavelmente denunciou as torturas, a morte e ocultação do cadáver de Stuart, tanto no Brasil como no exterior. Em vários de seus desfiles denunciou os fatos para a imprensa, entregando pessoalmente uma carta a Henry Kissinger, na época Secretário de Estado do Governo norte-americano, já que seu filho também tinha a cidadania americana. Utilizou sua fama para envolver, a favor da sua causa, inúmeros clientes e amigos importantes: Joan Crawford, Kim Novak, Veruska, Liza Minelli, Jean Shrimpton, Margot Fonteyn e Ted Kennedy, entre outros.

Zuzu passou a usar sua moda como forma de protesto fazendo - como ela mesma dizia - "a primeira coleção de moda política da história", usando ao lado dos anjos, as figuras de crucifixos, tanques de guerra, pássaros engaiolados, sol atrás das grades, jipes e quépis. O uso dessas metáforas foi a solução que encontrou para simbolizar, em seu trabalho, a história de seu filho.

Em 14 de abril de 1976, às 3h, na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ), Zuzu morreu, vítima de um acidente automobilístico. Na época, o governo divulgou que a estilista teria dormido ao volante, fato contestado anos depois. Até hoje as circunstâncias dessa tragédia não foram esclarecidas.

Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque, um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse. "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho", dizia. Sua força e coragem inspiraram ao compositor, em parceria com Miltinho do MPB4, a música "Angélica", cuja letra pergunta, "quem é essa mulher?" ().

Zuzu Angel foi sepultada pela família, em 15 de abril de 1976, no Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro. Uma de suas duas filha, a jornalista Hildegard Angel, foi a idealizadora do Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, uma entidade civil sem fins lucrativos, fundado em outubro de 1993.

Fonte:Uol

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A TV PÚBLICA É TV LAICA!!!!


Eugênio Bucci - O Estado de S.Paulo

Na área desalentadora das emissoras públicas e estatais, acaba de surgir uma notícia que não é puro ranger de dentes: a TV Brasil promete que vai suspender a transmissão de missas católicas e cultos evangélicos. Aleluia, cidadãos!

Tirar uma celebração religiosa da TV brasileira será um pequeno milagre. É mais fácil
um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que uma missa sair da grade de uma
estação de TV no Brasil. Em verdade vos digo: as religiões, algumas fanáticas, outras
meramente formais, não são apenas o ópio dos radiodifusores; elas são o bezerro de
ouro - e ponha ouro nisso - de boa parte dos canais de rádio e TV, sejam eles públicos ou privados, com fins de lucro.

Até aí, nada de novo sob o sol. É assim desde o princípio dos tempos televisivos. Agora,porém, o anúncio da TV Brasil pode indicar mudanças no horizonte. Uma tendência que parecia eterna poderá ser invertida. Ao menos é o que parece. Se de fato as igrejas saírem do ar, nem que seja numa única estação, teremos razão para um júbilo moderado.

Será uma glória, ainda que modesta. Em nosso país, religião e radiodifusão guardam
laços antigos, quase pétreos, e a presença de pregadores na tela só faz aumentar. Basta olhar a paisagem. Diversas emissoras públicas, em uma ou outra beirada da sua grade,têm lá uma pregação católica regular. Um exemplo é a TV Cultura de São Paulo,
pertencente à Fundação Padre Anchieta, que cultiva a tradição de transmitir a missa de Aparecida. A distorção não para aí. Ela se espalha pelos domínios das emissoras
comerciais, que são a grande maioria. A Globo, aos domingos, pouco antes das 6 da
manhã, transmite em São Paulo a Santa Missa, estrelada pelo padre Marcelo Rossi.

Sim, é apenas uma missa. Mas há casos mais graves, bem mais graves. Na Rede Record é difícil fazer os olhos não tropeçarem num bispo ou num pastor a cada hora - as bênçãos estão para a Record assim como os sorteios e loterias estão para o SBT. Daí para a frente,zapeando pela TV aberta, constatamos que a grande maioria das estações e das redes, ao menos uma vez por semana, abre as antenas para a propaganda religiosa, boa parte dela dirigida a captar doações do fiel telespectador.

O "mercado da fé" cresce sem parar. Proliferam aceleradamente as emissoras vinculadas
a esta ou àquela igreja. Tele-evangelistas prosperam como radiodifusores abastados. O
cenário desola, em oposição ostensiva aos ideais democráticos e republicanos.

Esse ponto, o dos ideais democráticos e republicanos, é o mais sério. É também o mais
desprezado: políticos e legisladores - principalmente os comprometidos até a alma com o gigantesco negócio dos teletemplos - fazem questão de ignorá-lo. Por isso mesmo, é fundamental que tratemos dele. Emissoras, públicas ou privadas, quando conduzidas por interesses ou critérios religiosos, contrariam as premissas do Estado laico e, mais ainda, afrontam a Constituição federal. Estão pecando contra as leis dos homens, por assim dizer, e constrangendo a liberdade religiosa dos cidadãos.

À primeira vista, a afirmação parece um paradoxo, mas paradoxal é a situação que está
aí. Alguém desavisado pode imaginar que a liberdade religiosa deveria permitir que cada religião fosse dona da sua própria rede de radiodifusão, mas não é assim que deve ser. É justamente o oposto. Para que todos tenham liberdade de culto as emissoras não podem estar a serviço de culto nenhum. Estações de rádio ou TV controladas por igrejas não ampliam, mas confinam a liberdade religiosa.

O raciocínio é muito simples. A radiodifusão é serviço público - nos termos da própria Constituição - e, como tal, assim como não pode estar a serviço de um partido político,não deveria servir a uma igreja. O Estado - e os serviços públicos por ele assegurados - deve ser laico. Não porque ele, Estado, queira propagar o ateísmo, mas porque, ao abraçar uma religião em particular, estaria oprimindo as outras. Só há a liberdade religiosa se o Estado não tiver religião alguma. Tanto é assim que a Constituição nos garante, em seu artigo 19: "É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público".

Como serviço público - que só pode ser prestado por particulares mediante concessão
pública -, a radiodifusão deveria observar o mesmo princípio - principalmente a
radiodifusão pública. A veiculação semanal de cultos numa televisão do Estado é uma
apostasia, uma heresia, um escândalo, um pecado mortal. Por que uma ou duas religiões
viriam na frente das demais? Por que promovê-las com recursos públicos em detrimento
das outras?

É nesse contexto, atrasado e antidemocrático, que devemos louvar a decisão da TV
Brasil, que foi noticiada por este jornal em 29 de março, em reportagem de Wilson Tosta (EBC decide suspender programas religiosos). Conforme relata o repórter, o Conselho Curador da instituição decidiu substituir o culto evangélico e a missa católica por uma programação que dê lugar às outras crenças, não como pregação, mas como debate e informação. Datada de 24 de março, a decisão tem seis meses para ser posta em prática.

Oremos, ou seja, tomara que dê certo.

Por quatro anos, três meses, vinte dias e duas horas, fui presidente da Radiobrás - a
empresa pública que deu origem à atual Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Durante a minha gestão havia uma missa dominical na TV Nacional de Brasília, que pertencia à Radiobrás. Não tive o engenho, a sustentação política e a graça para tirá-la do ar. Era difícil demais. Se a direção da EBC conseguir fazê-lo, deixo aqui meu testemunho que terá sido um feito bíblico.

JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

quarta-feira, 6 de abril de 2011

PROJETO " TARDES POÉTICAS"


A ZL COMUNICAÇÃO APRESENTA O PROJETO : TARDES POÉTICAS


APRESENTAÇÃO


Obs: ESTE PROJETO ESTÁ REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL (RJ)

A poesia é um meio privilegiado para despertar o amor pela nossa língua, nossa cultura. A rima, o ritmo e a sonoridade, permitem uma descoberta progressiva das potencialidades da linguagem escrita. Essa descoberta, tão decisiva para a formação do indivíduo, adquire assim um carácter lúdico. Brincar com os sons, descobrir novas ressonâncias, ouvir e ler pequenas histórias em verso, memorizar os poemas preferidos, desvendar imagens e sentimentos contidos na palavra, são atividades de adesão imediata que podem e devem ser introduzidas no universo infantil antes da alfabetização, pois constituem uma excelente forma de preparação para aprendizagem da leitura e da escrita.

A poesia deve ser feita por todos. Entendemos que a arte poética não deve ser um dom para ser fruído apenas por alguns, mas sim uma dádiva para todos. A poesia é a arte mais democrática que o homem conseguiu criar.

Para nos dispormos a enfrentá-la com propostas efetivas é preciso acreditar que a poesia é essencial à vida. Que o acesso a ela é um direito de toda criança e todo jovem. Se a criança ou o jovem vai, depois, se tornar um leitor de poesia não temos como afirmar, mas temos o dever de levá-lo a ter contato com uma poesia em que estejam representados seus desejos, dúvidas, medos, alegrias, enfim, sua experiência de vida. Mas, também, proporcionar-lhe leituras desafiadoras que possam questionar posições, preconceitos e a colaborar para que se tornem leitores mais exigentes.

É preciso também estar atento ao modo como se dará o encontro do jovem leitor com o poema. O conhecimento das expectativas do leitor e de textos que estão em sintonia com essas expectativas não é suficiente. Inúmeras vezes encontra- mos alunos e alunas que resistem a poemas de Drummond, de Cecília Meireles,de Manuel Bandeira. Temos a consciência de que se o aluno tem dificuldade de gostar de algo a que poucas vezes teve acesso. E se o teve foi via livro didático, de um modo nem sempre adequado.

JUSTIFICATIVA


De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura, realizada em 2007 pelo Instituto Pró-Livro para a CBL, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Associação Brasileira de Livros, 95,6 milhões de brasileiros (cerca de 55% do total) declararam ter lido um livro nos últimos três meses.
A pesquisa mostrou crescimento no número de leitores no Brasil. A média, que era de de 1,8 livro lido por ano por habitante em 2001, passou para para 4,7 livros por habitante/ano.

O faturamento do mercado editorial brasileiro cresceu 6,56% em 2008 ante 2007, com aumento de 5,64% no número de exemplares vendidos. Foram obtidos R$ 2,43 bilhões com a venda de 211,5 milhões de exemplares.Em 2008, somando as vendas do mercado e do governo, o aumento do faturamento foi de 9,71% Descontada a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expansão do faturamento no ano passado atingiu 4,9%.

Para garantir que o livro não saia da vida do brasileiro após a fase escolar, esse projeto pretende incentivar a leitura através da poesia.


OBJETIVO

Nosso objetivo é apontar perspectivas de abordagem do poema para leitores jovens, resgata-los das ruas, e sobretudo, fortalecer a auto-estima. Encorajar aos participantes a escreverem seus sentimentos,suas vitórias, suas esperanças. Aprendemos que quando escrevemos sobre nós, estamos aprendendo a nos conhecer melhor.

O caminho que nos parece mais promissor, embora mais difícil, devido à pouca prática de leitura de poemas, é o da busca, na obra de nossos grandes poetas, de poemas que respondam ao horizonte de expectativa do leitor jovem. O jovem precisa ser incluído nesse processo.
Se a leitura em nosso país é desprestigiada, não poderia ser diferente com a poesia. As razões são muitas. Vou abordar algumas delas: em primeiro lugar, muitos adultos, recomendam mas não gostam de ler.
Em segundo, creio que se criou uma cultura de aparências no seio de uma certa elite que adora sentir-se "intelectual", "culta", "moderna" e "de vanguarda". Num país enraizado na cultura oral e popular - desprezada e desconhecida - é comum que essa elite se sinta "superior", só porque estudou um pouco. Nesse contexto, algumas vezes, surge uma literatura elitista, hermética e especializada, escrita para raros iniciados - literatura que afasta o leitor, mesmo aquele de nível universitário, mas sem formação em literatura. Impotentes, muitas pessoas chegam à conclusão de que "não têm jeito para a leitura". Naturalmente, isso tem reflexo negativo se pensarmos no leitor jovem que está se formando.

E por último, somos formados pelo discurso escolarizado, predominante no livro didático.

PÚBLICO ALVO: Alunos do Ensino Fundamental e Médio. O Projeto, também, pode favorecer pessoas da comunidade. A poesia é para todos.

Contatos: zlcomunicacao8@gmail.com
Jô A. Ramos: jo.hramos@gmail.com

terça-feira, 5 de abril de 2011

AI WEIWEI, ARTISTA CHINÊS, CRÍTICO DO REGIME CHINÊS ESTÁ DESAPARECIDO HÁ MAIS DE 24 H


O artista plástico chinês Ai Weiwei, reconhecido internacionalmente, estaria desaparecido há mais de 24 horas após ser detido no aeroporto de Pequim. Ele teria sido interpelado na manhã do domingo, quando passava pela segurança do aeroporto, antes de embarcar em um voo para Hong Kong. Ninguém mais teve notícias dele desde então. As autoridades chinesas não comentaram o assunto.

Poucas horas após sua detenção, o estúdio do artista em Pequim foi invadido por mais de 40 policiais. Dezenas de itens foram confiscados e funcionários foram interrogados.

Ai Weiwei, 53, vem se tornando um dos mais eloquentes críticos do regime chinês, principalmente sobre a falta de respeito aos direitos humanos.

O artista viajava com uma assistente, Jennifer Ng. Os documentos de ambos foram checados e apenas Ng pôde seguir viagem a Hong Kong.

Ela disse à BBC que o artista foi levado por guardas de fronteira.

"Eu voltei para checar com os seguranças e eles disseram: 'Ele tem outros negócios você pode seguir sozinha no voo'", disse.

CONOTAÇÕES POLÍTICAS

A obra de Ai Weiwei é reconhecida em todo o mundo. Ele ajudou a desenhar o estádio olímpico de Pequim, usado nos Jogos de 2008, que ficou conhecido como "Ninho do Pássaro".

Ele atualmente faz uma exposição na galeria Tate Modern, em Londres, com uma obra composta por mais de 100 milhões de peças de porcelana moldadas na forma de sementes de girassol. O artista também vem se tornando um crítico contumaz do governo chinês.

Algumas de suas obras têm conotações políticas. Ele tentou, por exemplo, reunir todos os nomes de estudantes mortos durante o terremoto de Sichuan, de 2008.

Esse é um tema sensível, porque muitas escolas desabaram com o terremoto, levando a acusações de que elas haviam sido construídas de maneira inadequada.

O governo chinês não comenta a questão e já prendeu ativistas que questionam a segurança das escolas. Ai Weiwei também deu seu apoio a outros ativistas que enfrentaram as autoridades chinesas. No final do ano passado, ele compareceu a um tribunal em Pequim ao lado do artista Wu Yuren, que seria julgado.

Ele aproveitou a oportunidade para falar à mídia estrangeira, criticando o governo pelo que considera uma falta de direitos básicos e liberdades na China. No ano passado, o artista foi proibido de viajar ao exterior e colocado brevemente sob prisão domiciliar.

Segundo Jennifer Ng, ele é mantido sobre vigilância constante e teria sido visitado por policiais em seu estúdio três vezes recentemente.

Fonte : Folha de São Paulo

Há 14 anos, a Tate Modern de Londres expõe The Unilever Series em que artistas plásticos renomados pelo mundo expõem seus trabalhos no Turbine Hall. O convidado desta edição é o chinês Ai Wei Wei que mais uma vez surpreendeu colocando 100 milhões de sementes de girassol feitas de porcelana nas instalações da galeria. Para concluir a obra foi necessário que 1,6 mil pessoas se empenhassem durante dois anos e meio na confecção das sementes.


Além de artista, Ai Wei Wei é um ativista político. O seu site usado para divulgar suas ideias a conterrâneos já foi tirado do ar pelo governo chinês diversas vezes e o artista esteve em prisão domiciliar no final do ano passado para impedir que uma festa com ares de protesto acontecesse. A primeira vez que exibiu seu trabalho foi em 1979, na Star Exhibition, que reunia obras dos integrantes do Stars, um grupo de artistas chineses da geração pós-Mao.

domingo, 20 de março de 2011

DISCURSO DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF- VISITA DE BARACK OBAMA AO BRASIL-19 DE MARÇO DE 2011


Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante almoço oferecido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
Palácio Itamaraty, 19 de março de 2011


Excelentíssimo senhor Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América,
Senhora Michelle Obama,
Senhor vice-presidente da República, Michel Temer,
Senhor senador José Sarney, presidente do Senado Federal,
Deputado Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados,
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
Embaixador Antonio Patriota, ministro de Estado das Relações Exteriores, e senhora Tânia Cooper Patriota,
Senhoras e senhores integrantes da delegação norte-americana,
Senhoras e senhores ministros,
Senhoras e senhores governadores,
Senhoras e senhores senadores e deputados federais,
Senhoras e senhores empresários,
Senhoras e senhores presidentes de centrais sindicais,
Senhoras e senhores jornalistas,
Senhoras e senhores,

Em nome do povo brasileiro, eu quero reiterar as boas-vindas ao presidente Barack Obama.
Esta visita é uma grande oportunidade para inaugurarmos mais um capítulo de nossa parceria, adequando-a às realidades e aos desafios do século XXI.
É motivo de grande honra para mim que esse encontro ocorra nos primeiros meses do meu governo e, mais ainda, no contexto da primeira viagem oficial do presidente Obama à América do Sul.
A presença, entre nós, de Michelle Obama, Malia e Sasha e de importante comitiva com autoridades do primeiro escalão, políticos e empresários, reforça o espírito de amizade com que nos reunimos.
Como disse pela manhã, é fato a ser celebrado que a primeira mulher Presidenta do Brasil receba hoje o primeiro Presidente afro-descendente dos Estados Unidos. Isso ganha ainda maior significado quando lembramos que os Estados Unidos e o Brasil são os dois países com a maior população negra fora da África.
Nossos países possuem inúmeros traços comuns. Aprofundar as afinidades entre nossos povos, torna os laços de amizade que nos unem mais significativos e duradouros do que uma relação baseada apenas em pactos formais entre governos.
Somos democracias multiétnicas. Temos uma história de luta pela afirmação das minorias, pelo respeito à diversidade e contra a discriminação e a intolerância. Valorizamos a liberdade, a igualdade e a independência entre povos e nações. Prezamos nossas respectivas soberanias.
Hoje, adotamos um comunicado conjunto e uma série de acordos que atestam a densidade das relações entre nossos países. Estabelecemos novos objetivos não só na agenda bilateral, mas também regional e global, com base nos quais queremos construir um ordenamento de paz e de cooperação.
Os Estados Unidos e o Brasil perseguem, juntos, a conclusão bem-sucedida da Rodada de Doha da OMC, com regras de comércio mais transparentes e mais justas.
No comércio bilateral, estou certa de que é de mútuo interesse promover a geração de fluxos mais equilibrados, tanto em termos quantitativos como qualitativos. A capacidade e o dinamismo do setor privado dos nossos países é fundamental para atingirmos esse objetivo. Por isso nós cumprimentamos o Fórum dos Dirigentes Empresariais dos dois países.
Presidente Obama,
Como eu já disse hoje pela manhã, o Brasil atual vive realidade econômica sólida e pujante. Orgulha-nos salientar que o progresso alcançado nos últimos anos tenha beneficiado, sobretudo, os mais pobres.
Desde 2002, milhões de cidadãos passaram a integrar as faixas de renda média e alta da sociedade brasileira. Esse é um feito histórico de inclusão social. Eu estou comprometida a continuar nessa direção, dando sequência ao governo do ex-presidente Lula, buscando também a erradicação da pobreza extrema no Brasil.
Nosso desenvolvimento também tem sido realizado de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente. Nós sabemos que a matriz brasileira uma matriz renovável, mas estamos, aqui, dispostos a fazer uma grande parceria na área de energia, tanto no que se refere à exploração do pré-sal quanto no que se refere à exploração de energias renováveis e limpas, que podem garantir, para toda a humanidade e para o Brasil e os Estados Unidos, um melhor desenvolvimento e de forma mais sustentada. Tenho certeza que conto com a parceria dos Estados Unidos nessa nobre empreitada.
O Brasil do século XXI continua engajado na promoção da harmonia em sua região. Temos orgulho, como eu já disse, de viver em paz, há mais de um século, com todos os nossos dez vizinhos. Estamos empenhados na consolidação de um entorno de paz, segurança, democracia, cooperação e desenvolvimento com justiça social.
Mas o nosso olhar vai mais além, presidente Obama.
Construímos parcerias na África e no Oriente Médio. Alimentamos a legítima esperança de contribuir, sem voluntarismo, na busca de soluções criativas para os grandes desafios contemporâneos, como a promoção de um acordo de paz entre israelenses e palestinos, povos amigos com os quais nos sentimos solidários.
Cooperamos com a Índia e a África do Sul, no Fórum Ibas. Dialogamos regularmente, ao lado de nossos vizinhos sul-americanos, com o mundo árabe, nas cúpulas da Aspa. Mantemos igualmente importante diálogo América do Sul-África, continente a que tanto devemos, no âmbito da cúpula ASA. Integramos, com as economias mais dinâmicas da atualidade, o grupo dos BRICs. Desenvolvemos uma parceria estratégica com a União Europeia. Queremos contribuir para uma “multipolaridade benigna”, fundada numa dinâmica de cooperação livre das assimetrias do passado, geradoras de crises e de instabilidades.
Caro presidente Obama,
O Brasil e os Estados Unidos compartilham convergências que podem se traduzir em sintonia de propósitos no presente e no futuro, se para isso dedicarmos o melhor de nossos esforços.
Os desafios do século XXI são muito complexos. O potencial desestabilizador de crises políticas a que temos assistido é imprevisível e também requer adequação dos mecanismos internacionais de governança política. O mundo de hoje não é o mesmo de 60 anos atrás. Também aqui, o Brasil tem consciência das suas responsabilidades e, por isso, estamos prontos a dar a nossa contribuição para a paz e a segurança internacionais num Conselho de Segurança das Nações Unidas ampliado, mais equitativo e mais democrático.
Presidente Obama,
O senhor pode ter certeza que eu espero que o senhor e a sua família levem de Brasília e do Rio de Janeiro as melhores recordações deste país amigo.
Os Estados Unidos e o Brasil são duas nações grandes, com um futuro grande de amizade e cooperação à sua frente. Queremos construí-lo. Com esse espírito, proponho que ergamos um brinde ao senhor, ao sonho de Martin Luther King, o mesmo sonho de brasileiros e americanos. Sonho de liberdade. Sonho de esperança.
E, presidente Obama, gostaria de acrescentar: sonho de harmonia e de paz entre todos.
Um brinde ao senhor, a sua família e a sua delegação.

FILME: SILÊNCIO DAS INOCENTES, ASSISTAM.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A NOITE DO OSCAR, SEMPRE UMA GRANDE FESTA.


US$ 40 milhões- A Rede Social (The Social Network)

ESTA CHEGANDO, MAIS UMA VEZ, O DIA DO ESPETÁCULO DE ENTREGA DO OSCAR. SEMPRE UMA EXPECTATIVA, EU AMO CINEMA. PODEM FALAR O QUE QUISEREM, MAS SEMPRE ESTAREI DIANTE DA TV ASSISTINDO COM PIPOCAS E CERVEJAS, NO MEU SOFÁ, ESTA FESTA. VEJA QUANTO CUSTARAM ALGUNS DOS FILMES CANDIDATOS AO OSCAR:


US$ 4 milhões- Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right)



US$ 13 milhões-Cisne Negro (Black Swan)

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já escolheu. Agora, os cinéfilos de todo o mundo aguardam a abertura dos envelopes que revelarão os vencedores do Oscar 2011 na noite do próximo domingo, 27 de fevereiro, no Kodak Theater, em Hollywood. Dez filmes estão na disputa, incluindo a animação “Toy Story 3″, mas “O Discurso do Rei”, com 12 indicações, e “A Rede Social”, com oito, são os favoritos.



US$ 2 milhões-Inverno da Alma (Winter’s Bone)




US$ 15 milhões-O Discurso do Rei (The King’s Speech)



Só o fato de ser indicado à premiação já faz com que a arrecadação desses filmes dispare. Quem seria o vencedor na categoria de melhor filme caso a bilheteria fosse o fator decisivo?. Como na realidade não é isso o que decide, a torcida continua, já que o orçamento dessas produções não costuma sair barato e, certamente, a bilheteria dos vencedores aumentará de acordo com o número de vezes que o seu nome for lido por James Franco e Anne Hathaway, os mestres de cerimônia da festa este ano.



US$ 160 milhões-A Origem (Inception) US$ 160 milhões



US$ 200 milhões- Toy Story 3


Com o orçamento de “Toy Story 3″, seria possível realizar 100 vezes “O Inverno da Alma”, e até mesmo cinco “A Rede Social”.

Bravura Indômita (True Grit) US$ 38 milhões
O Vencedor (The Fighter) US$ 25 milhões
127 Horas (127 Hours) US$ 18 milhões

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ÚLTIMA ENTREVISTA DO MEU AMADO JOHN LENNON




John Lennon
A última entrevista
por Andy Peebles

No dia 6 de Dezembro de 1980, John Lennon deu uma entrevista amiga de 3 horas para Andy Peebles, repórter da BBC. Nesta entrevista, ele falou sobre Os Beatles, Yoko, drogas e seus planos para o futuro. 4 dias depois ele estava morto. Abaixo Peebles relembra seu tempo com John Lennon assim como alguns dos momentos mais memoráveis desta conversa...


É Andy Peebles quem recorda:

“Eu fui para Nova York entrevistar John Lennon no fim de semana do dia 6 de dezembro de 1980. Peguei este trabalho porque trabalhava exclusivamente com um produtor da BBC chamado Jeff Griffin. Jeff conhecia Bill Fowler que era o Chefe de Promoções da gravadora do John. Bill ligou e simplesmente perguntou ao Jeff se a BBC estaria interessada em fazer uma entrevista com John Lennon.

Jeff tinha um senso de humor muito seco e ácido e disse:

“Porque é que nós faríamos isto?”. Bill então respondeu:

“Porque ele está lançando um álbum novo (Double Fantasy, lançado em Novembro de 1980).

Então, peguei o serviço mas, se as circunstâncias tivessem sido diferentes, o trabalho poderia facilmente ter sido dado para “Kid” Jensen ou Peter Power (outros repórteres).

Voamos para Nova York na quinta-feira, 4 de dezembro. O grupo era formando, além de mim, por Bill Fowler, nosso Produtor Paul Williams e nosso Produtor Executivo Doreen Davis.

Na sexta-feira, na hora do almoço, tivemos um encontro com Yoko no Edifício Dakota. Ela foi bem durona e disse que tinha recebido muitas ofertas de outras estações de rádios. Recordo-me que perguntei se havia alguma chance de nós entrevistarmos John mais cedo e ela disse:

“Não! Vocês encontrarão com ele amanhã.” Ela tinha aquele sorrisinho forçado parecendo mesmo com uma diretora de escola.

O plano era fazer a entrevista no sábado ao meio dia, nos Estúdios The Hit Factory. Quando nós chegamos lá, havia uma mensagem pedindo desculpas e dizendo que eles tinham trabalhando até tarde, mixando o que acabaria sendo uma música da Yoko chamada Walking On Thin Ice (Caminhando Sobre Gelo Fino). Pediam que voltássemos mais tarde às 6 da noite.

Sendo um pessimista, recordo-me que disse:

“Pronto! É isto aí! Não vai acontecer!”

Bom, passamos as próximas horas, fazendo compras e andando pelas ruas de Manhatan mas, sempre preocupados se a entrevista iria acontecer ou não.

Nós retornamos para o The Hit Factory às 10 para as 6, tentando ser calmos e profissionais e lá estava ele.

John estava usando uma calça jeans preta e uma blusa preta bem justa. Ele tinha estado fazendo uma dieta macrobiótica, tinha perdido peso e estava usando um corte de cabelo diferente. Me pareceu que ele estava em grande forma. Suas primeiras palavras foram:

“Obrigado por virem... Eu estava querendo muito fazer isto. É uma coisa bem nostálgica porque eu realmente amo a BBC.”

Naquela sexta-feira Yoko tinha dito que nossa entrevista seria de apenas 1 hora e que 50% deveria ser à respeito dele e 50% à respeito dela. Mas, quando a entrevista começou John Lennon deu partida como se estivesse num carro da Formula 1 e Yoko raramente teve chance de falar.

Eu, sentado, e só pensando: "Isto vai ser interessante! Será que ela vai interrompe-lo?" Mas, ela ficou hipnotizada pelo que John estava dizendo e ficou ali sentadinha quietinha. Isto encorajou-me e também encorajou John. Eu não sei se John estava sendo controlado mas claramente ele tinha um enorme respeito pela Yoko. John era o artista mas, quem estava rodando o show, os negócios, era Yoko.

Antes da entrevista Paul Williams e eu tínhamos tido uns bate-bocas amigos à respeito de como seria feita a entrevista. Paul queria fazer uma retrospectiva completa da carreira do John. Eu achava isto ridículo porque nós só tínhamos 1 hora.

Depois de 1 hora e meia de entrevista eu perguntei ao John se ele queria parar:

“Não! Eu estou amando isto e tenho muito mais coisas para dizer.” Foi sua resposta.

Eles mandaram vir comida chinesa mas, a comida esfriou do lado da mesa porque ele não parava de falar.

No final a entrevista durou 3 horas. Olhando para o passado, hoje vejo que a coisa poderia ter sido melhor mas, no geral, sou orgulhoso do resultado final.

John foi incrivelmente honesto e falou de tudo: Da sua infância, da sua atitude para com as mulheres (A Yoko gostou da frase que ele usou dizendo “Viajem de Macho”), do Paul McCartney, dos abortos naturais da Yoko e como ele foi “cold turkey” com as drogas.

Nota do Barbieri: Cold Turkey (Peru Frio) é uma gíria que é usada para definir a pessoa que consegue deixar um vício, de imediato. Interrompe e pronto. A pessoa deixa o vício não gradualmente, de uma só vez e, sem a ajuda de medicamentos.

Teve duas coisas que eu deveria ter perguntado mas, não perguntei:

A primeira foi sobre sua primeira esposa Cynthia. Mas, como é que você vai perguntar sobre a primeira mulher quando a atual está sentada do lado da pessoa?

A outra pergunta foi sobre a May Pang, a assistente pessoal da Yoko e do John.

Lennon teve um caso que começou em 1973 e durou vários meses. Mas naquela época esta história era apenas um rumor e ainda não era de domínio público.

Depois da entrevista nós fomos para um restaurante chinês chamado Mr Chow. Eu não me lembro o que foi que o John comeu, somente que ele foi muito cuidadoso com a sua escolha. Lá, nós continuamos conversando. Durante o jantar, ele nos perguntou quem eram os grandes produtores de shows na Inglaterra. Respondi à sua pergunta e ele olhou direto na minha cara com uma expressão séria e disse:

“Você acha que algum deles estaria interessado em nos produzir?”

Eu respondi:

“Você está louco?” John, então explicou:

“Você tem que entender que eu estou uma década longe da Grã-Bretanha. Eu não tenho idéia do que está acontecendo lá!”

Nós nos despedimos do lado de fora do restaurante. Eram lá pelas 2 e meia da manhã. Nós tomamos o avião às 7 horas da noite da segunda no Aeroporto JFK.

Eu acho que nós já estávamos no meio do caminho, sobrevoando o Oceano Atlântico quando Mark Chapman puxou o gatilho.

Nós chegamos em Londres, no Aeroporto de Heatrow lá pelas 6 da manhã e eu liguei para minha mãe. O rádio relógio dela tinha o alarme sempre acertado para a Rádio BBC 4 e foi enquanto eu falava com ela que ela ouviu a notícia anunciando que John tinha recebido vários tiros. Ao mesmo tempo, Paul Williams estava no outro telefone público conversando com sua esposa. Eu vi de repente ele deixar cair o telefone. Ele disse:

“Atiram no John!” Eu perguntei:

“John quem? E, ele respondeu:

“John Lennon!”

Sempre penso que, na sexta-feira, quando fomos lá no Dakota, Mark Chapman possivelmente estaria lá fora.

Eu percebi que John tinha guardas armados como segurança. No restaurante eu percebi que um deles tinha uma arma na jaqueta. Muita gente em Nova York carrega armas. Então eu perguntei sobre isto:

“Você sabe o que é sentir que eu posso caminhar para fora daqui agora, caminhar pela rua e ouvir as pessoas dizerem: Oi John, tudo bem?” Foi sua resposta

Ele nunca poderia imaginar!”

Leia abaixo a última estrevista dada por John Lennon
Sobre David Bowie...

Lennon: “Eu não posso pensar em ninguém, inglês ou norte americano que eu prefira realmente andar junto. Nos envolvemos desde que nos conhecemos e nós somos totalmente auto controlados. Quando Elton John, David Bowie ou Mick Jagger estão por perto e com vontade de se mixar, nós nos encontramos com eles. Eu quero dizer, somente Bowie está na cidade. Eu vou ver Elephant Man. Eu considero ele um amigo e um confidente”

A peça Elephant Man (Homem Elefante) estreou na Broadway no Booth Theatre, em setembro de 1980 com David Bowie no papel principal fazendo o papel de John Merrick. Mark Chapman assistiu a peça dois dias antes de assassinar John Lennon. A polícia achou o programa do teatro no meio das suas coisas pessoais.

Sobre a música Cold Turkey...

Lennon: “Cold Turkey foi proibida. Eles pensaram que foi uma música à favor das drogas. Mas, eu sempre falei do que estou sentindo e pensando num dado momento. Então, eu somente estava falando da experiência que eu tive quando estava largando da heroína. Para mim, é uma versão rock’n’roll do filme The Man With The Golden Arm (O Homem Com o Braço de Ouro) porque mostrava Frank Sinatra sofrendo quando deixava a droga.”

A música Cold Turkey foi lançada em outubro de 1969 como compacto simples pela Plastic Ono Band. A música foi banida pela BBC no Reino Unido em 1969 e também nas rádios Norte Americanas. The Man With The Golden Arm foi um filme lançado em 1955 estrelando Frank Sinatra como um viciado em heroína lutando para ficar “limpo” depois de ter passado um tempo na prisão.

Sobre problemas com a polícia por causa de drogas...

Lennon: “Agora, eu estou fichado para sempre por causa deste policial que pegou eu e a Yoko. Ele também pegou o Brian Jones e os Rolling Stones. Ele era um caçador de cabeças procurando ficar famoso. Foi tudo uma armação! Os jornais Daily Mail e Daily Express chegaram lá antes da polícia. Foi ele que chamou a imprensa. Na verdade, Don Short, 3 semanas antes, nos tinha avisado que eles iam nos pegar. Então, acredite-me que, eu “limpei” a casa toda porque, Jimi Hendrix tinha vivido neste apartamento antes da gente e, eu não sou estúpido. Eu chequei inteirinha a maldita casa!”

O Sargento Detetive Norman “Nobby” Pilcher foi o oficial que comandou a “batida” no apartamento alugado no número 38 da Praça Montagu em Londres onde moravam John e Yoko. Lennon foi autuado em flagrante por posse de maconha e recebeu uma multa no valor de 150 libras. Em 2005, um documento confidencial da Scotland Yard veio à público e revelou que o então Home Secretary tinha feito críticas aos métodos usados por Pilcher. Pilcher foi preso em 1973 e sentenciado à 4 anos de prisão por perjúrio. Don Short foi um jornalista do jornal Daily Mail. Don Short foi o inventor da palavra “Beatlemania”.

Sobre ele ter influenciado o Punk...

Lennon: (Enquanto falava sobre seu concerto feito para a UNICEF no Natal de 1969 realizado no Lyceum em Londres) “Este foi um show bem pesado, muita gente do público foi embora. Mas, aqueles que ficaram pareciam que estavam em transe. E, eu sempre penso que alguns daqueles garotos formaram algumas destas banda loucas mais tarde porque, tinham uns 200 garotos entre 13, 14, 15 que estavam olhando para a Yoko e do jeito que nós estávamos tocando Don’t Worry, Kyoto. Eu escuto muito toques do nosso som em um monte de Punk e New Wave por aí. Eu adoraria saber: Será que eles estavam na audiência? E, será que alguém foi para Londres e montou uma banda lá porque eu estou certo como o inferno que soa exatamente como isto.”

Don’t Worry, Kyoto - Mummy’s Only Looking For A Hand In The Snow (Não Se Preocupe, Kyoto – Mamãe Somente está Buscando Por Uma Mão Na Neve) foi uma música de 1971 pertencente ao álbum da Yoko chamado Fly. Ela foi dedicada a Kyoko Cox, filha do Yoko com o artista Anthony Cox.

Sobre Power to the People (Poder para o Povo)...

Lennon: “Tarik Ali ficou vindo e pedindo dinheiro para a revista Red Mole e outras. Eu fiquei pensando: Bem, eu sou da classe trabalhadora e eu não sou “um deles” mas, eu sou rico e portanto eu tenho que colaborar. Então, toda vez que alguém dizia alguma coisa assim, eu metia a mão no bolso. Ele estava me extorquindo e, então eu escrevi Power to the People como um tipo de música com sentimento de culpa. Foi como uma canção manchete de jornal onde você escreve sobre o que está acontecendo agora, no momento. São as manchetes com as faltas e tudo o mais.”

Tarik Ali foi ativista e escritor Paquistanês com nacionalidade britânica que entrevistou Lennon para a revista Red Mole em 1971. O compacto do John Lennon com a música Power to the People esteve entre as 10 mais das paradas de sucessos em 1971.

Sobre Paul McCartney...

Lennon: “Eu usei o meu ressentimento contra o Paul, um tipo de rivalidade, um ressentimento tipo de irmão da juventude para escrever uma música. Era uma rivalidade criativa... não era uma vingança viciosa... mas, eu senti ressentimento. Então eu usei esta situação do mesmo jeito que eu fiz quando estava deixando a heroína para escrever Cold Turkey. Eu usei meu ressentimento e o fato de estar deixando o Paul e Os Beatles para escrever How Do You Sleep? (Como é que você dorme?)”

A música How Do You Sleep? Apareceu no álbum Imagine lançado em 1971 e inclui algumas cotuveladas no seu antigo companheiro: “A única coisa que você fez foi yesterday (ontem)” e “O som que você faz é muzak para os meus ouvidos”. Na semana depois da morte do Lennon, Andy Peebles foi contatado pelo produtor dos Beatles, George Martin:

“Eu recebi uma chamada telefônica do George, pessoa que eu nunca tinha conversado antes, pedindo para que eu fizesse uma visita ao Air Studios em Londres onde o Paul, McCartney queria conversar comigo”. Lembra-se Andy Peebles que continua:

“Desculpe-me Paul mas, se eu não me engano, o que você queria dizer pra mim é que o John ainda gostava de você”.

Sobre a Plastic Ono Band...

Lennon: “A banda Plastic Ono Band foi uma concepção da Yoko e era uma banda imaginária. Foi supostamente uma festa para comemorar a gravação do Give a Peace a Chance que foi a primeira gravação. Mas, nós tivemos um acidente com o carro e não pudemos comparecer. Então, no salão, no lugar onde eles fizeram a festa para a Plastic Ono Band, toda a imprensa veio para encontrar-se com a banda mas, o que encontraram foi uma câmera apontando para a imprensa e, projetando eles mesmos no palco.”

Música Give a Peace a Chance chegou ao topo das paradas em julho de 1969. A música foi gravada por John, Yoko e vários convidados célebres em um quarto do Hotel Queen Elizabeth em Montreal no Canadá onde eles estava fazendo a “instalação” Na Cama Pela Paz. O acidente de carro aconteceu em julho de 1969 na Escócia (Highlands). Lennon bateu com seu carro, um Austin Maxi, machucando-se e ainda ferindo Yoko e sua filha Kyoto. Seu filho Julian teve que ser tratado por “shock”.

Sobre violência...

Lennon: “A primeira cobertura nacional dos Beatles aconteceu quando eu bati no Bob Wooler na festa de 21 anos do Paul porque ele andou dizendo que eu era homossexual. Eu devia ter algum medo de que talvez fosse homosexual para ter atacado o cara desta forma. Mas, eu estava muito bêbado e bati mesmo. Poderia mesmo ter matado alguém e isto assustou-me. Isto apareceu no Daily Mirror, foi na última página.”

Bob Wooler foi o DJ de Liverpool que apresentou Os Beatles para aquele que viria a ser o empresário da banda, Brian Epstein. Lennon tinha ido recentemente de férias para a Espanha com Epstein que era homossexual. Wooler fez uma brincadeira dizendo que aquelas férias tinha sido uma “Lua de Mel”.

Sobre o “The Lost Weekend” (Fim de Semana Perdido)...

Lennon: “Eu poderia ter lidado com a separação (da Yoko em 1973) de qualquer outra forma. Eu simplesmente fiquei partido e a única coisa que eu soube fazer foi ir juntamente com Harry Nilsson, o pobre Keith Moon e outros para o bar e encher a cara. Olhando para trás, parece engraçado mas, foi uma coisa muito miserável. Eu nem bebo mais porque isto me assusta. Hoje, até um copo de vinho me derruba.”

Durante os 18 meses que duraram a separação do John com a Yoko, Harry Nilson foi um dos parceiros regulares do John na bebida. Neste período os dois homens moraram na Califórnia. John produziu para Harry Nilson o álbum chamado Pussy Cats lançado em 1974. Foi neste álbum que Nilson famosamente rompeu uma das suas cordas vocais.

Sobre a sua volta ao vivo com Elton John e o reencontro com Yoko...

Lennon: “Elton estava na cidade eu estava fazendo a música Whatever Gets You Thru The Nigth (Qualquer Coisa Que Ajude a Passar a Noite). Eu precisava de ajuda com uma harmonia. Ele veio, fez a harmonia para mim e ficou falando em tom de brincadeira que iria fazer este concerto no Madison Square Garden e disse:

“Você faria o show comigo se esta gravação chegasse à número 1?” Eu aceitei porque pensei que esta música não tinha chance nem no inferno. Mas, 1 ano depois ele veio para mim e disse:

“Ok! Agora é a sua vez de pagar as suas contas!” Bom, eu fui lá e cumpri minha parte. Eu fiquei surpreendido de ver como o público foi tão gentil para comigo. Eu não sabia que ela (Yoko) estava na platéia. Eu não teria coragem de me apresentar se soubesse que ela estava lá. Eu fui para o camarim e lá estava ela. Nós voltamos juntos naquela noite.”

A música Whatever Gets You Thru The Nigth foi a única música solo do John que chegou à número 1 em toda sua carreira. Ela foi lançada em outubro de 1974. Foi no dia 28 de novembro de 1974 que John, juntamente com Elton John, fez a sua última maior apresentação ao vivo.

Sobre o seu segundo filho Sean...

Lennon: “Mick (Jagger) fez todo este falatório no jornal The Observer que eu li em Tokyo, porque eu passei a metade dos primeiros 3 anos do Sean no Japão. Ele disse:

“Vamos lá John! Cai fora daí”. Ele estava me atacando mas seu ataque não “cortava” nada. Ele disse:

“Eu gosto muito do John mas, ele está escondendo-se atrás do Sean. Porque é que ele não coloca nem o dedo para fora de casa. A Yoko deve manter ele trancafiado.””

Sean Lennon nasceu no dia 9 de outubro de 1975, o dia do nascimento do John. Ele fez a sua estréia musical 1 ano depois da morte do seu pai, tocando no álbum da sua mãe Yoko chamado Season of Glass, lançado em 1981.

Sobre feminismo...

Lennon: “Eu aprendi a fazer pão. Eu estava fornecendo o pão para Yoko e o bebe. Isto aconteceu por mais ou menos 9 meses. Sempre teve um lado de mim que sempre foi servido pelas mulheres. Foi minha Tia Mimi ou outras mulheres e namoradas. Foi uma grande experiência. Eu aprecio o que as mulheres fizeram por mim em toda a minha vida.”

Tia Mimi cujo nome era Mimi Smith foi a tia maternal e guardiã do Lennon.

Sobre o seu primeiro filho Julian...

Lennon: “Com Julian, meu primeiro filho, eu voltei para casa e tinha este menino com 12 anos que eu nunca tive nenhuma amizade. Agora ele está com 17 e nós estamos desenvolvendo uma amizade porque eu posso falar de música e de qualquer coisa que ele estiver interessado.”

Julian é o primeiro filho do Lennon. Ele nasceu em 1963 do seu casamento com sua primeira esposa Cynthia Powell.

Sobre John Cleese...

Lennon: “O seriado da TV Fawlty Towers é um dos maiores programas que eu assisto em muito anos. Que cara! Ele é grande! Eu o vi explicando como ele tem só meia hora para fazer o programa e que faz um por semana. Mas, que obra de arte, uma coisa muito bonita.”

Os episódios da série Fawlty Tower foram ao ar de 1975 à 1979. Tratava-se de uma comédia estrelada por John Cleese que também era o produtor. A história girava em torno de um hotel e seu dono muito louco. John Cleese também escreveu e estrelou no filme Monty Python chamado Life of Brian (Vida do Brian) produzido pela Hand Made Films, uma companhia formada por, entre outros, nada mais nada menos do que, George Harrison.

Sobre sua composições...

Lennon: “Eu comecei desde o álbum Mother em diante tentando cortar fora todas as imagens, pretensões de poeta e ilusões de grandiosidade. Simplesmente digo o que é, uso um inglês simples, coloco uma rima e uma pulsação nela. O povo lá do norte da Inglaterra é mais direto, “na lata” então, eu estava só tentando escrever do jeito que eu sou.”

Mother é a música do álbum John Lennon/Plastic Ono Band lançado em 1970 em que Lennon acusa os seus pais de o terem abandonado. Sua mãe morreu atropelada quando ele tinha 17 anos.

Sobre música moderna...

Lennon: “Quando eu estava em Bermudas um cara que trabalhava para mim chamado Fred Seamen mostrou-me o som da banda B-52. Ele colocou numa fita cassete mais eu não escutava. Acabei apagando tudo. Mas, ainda lá em Bermudas falei:

“Fred onde está todo aquele material que você me deu? Vai lá e trás tudo de novo!”

Então ele me trouxe Madness, B-52, Pretenders e eu achei ótimo. Eu não queria ouvi-los antes mas agora eu quero saber tudo que está acontecendo!”

Fred Seamen foi assistente pessoal do John e da Yoko. Depois da morte do John ele foi condenado por roubar coisas do casal, incluindo os diários do John. Quanto à banda B-52, Fred Seamen levou John Lennon para ver a banda num clube em Nova York. Lennon dizia que a música do B-52 chamada Rock Lobster lembrava-o da música feita pela Yoko. Lennon disse na entrevista ao Andy Peebles:

“Eles estudaram a música da Yoko! Eles admitiram!”

Sobre gravarem outro álbum depois do Double Fantasy...

Lennon: “Temos várias idéias e planos na nossa cabeça no momento. Nós já temos a metade do próximo álbum e provavelmente, depois do natal, nós iremos gravá-lo.”

O próximo álbum, póstumo, chamou-se Milk and Honey (Leite e Mel) e finalmente foi lançado em 1984 contendo as últimas gravações de John Lennon junto com Yoko Ono.

Sobre viver em Nova York...

Lennon: “No princípio quando nós mudamos para cá, nós moramos em Greenwish Village. Eu andava pela área todo tenso, esperando que alguém me dissesse alguma coisa ou pulasse em cima de mim. Levou dois anos para que eu relaxasse! Eu quero dizer, o povo vem e pede um autógrafo ou diz oi mas não me perturba.”

Antes de mudarem para o Edifício Dakota em maio de 1973, John e Yoko viveram por quase dois anos num apartamento no número 105 da Bank Street no bairro Greenwish Village em Nova York.

YOKO ONO


Meus queridos leitores...

No dia 9 de outubro, meu marido completaria 70 anos.

Os últimos trinta anos depois do seu falecimento foram, para mim, anos cheios de emoções extremas. Mas, uma coisa que eu não fiz, foi ficar contando os anos para saber quantos anos John teria se estive vivo. Para falar a verdade, eu não posso acreditar que John estará fazendo 70 anos! Mas, ele está!

Ele e eu fomos parceiros na batalha para trazer paz para o mundo. Nós, literalmente, "fomos para cama pela vida", quando nós fizemos “na cama pela paz e amor”. A música Give Peace a Chance (Dê Uma Oportunidade Para a Paz) foi composta e gravada naquela cama.

Então, quando John caiu no campo de batalha, tudo que eu pensei foi continuar por nós dois. Continuar para tentar fazer um mundo pacífico. Por isto, nenhuma marca de envelhecimento chegou até nossas almas.

Então, eu fiquei surpreendida que John faria verdadeiramente 70. Eu também fiquei surpresa com as muitas cartas chegando, logo no começo deste ano, de várias partes do mundo, cada uma delas, com as pessoas informando-me que, do seu jeito criativo, pretendiam comemorar o aniversário do John. Isto me incentivou à fazer a minha parte também.


Eu passei a maior parte do ano passado escutando as músicas incríveis do John. Eu trabalhei com a grande ajuda de Allan Rouse do Abbey Road Studios juntamente com seu grupo de engenheiros brilhantes preparando uma série de lançamentos para a celebração deste outubro.
Às vezes, absorvida pelo poder das letras do John ou a força tão bonita da sua voz, descobri que estava dirigindo-me à ele, meu parceiro nesta vida, pedindo algum tipo de conselho, algum tipo de ajuda ou, simplesmente para dizer para ele que ele era uma criatura maravilhosa... e ele não estava lá.

Mas, através do seu catálogo musical que eu realmente acredito é insuperável, John deixou uma marca definitiva em nossas vidas. Sua influência está por todo os lados e cresceu de estatura através das décadas. Suas músicas são parte de nós, nossas vidas moldadas e definidas por elas. Ele continua um artista essencial, um rebelde de Liverpool que mudou o mundo.

Eu amo John!

Seja bem-vindo à esta edição muito especial na qual eu contribui com minhas próprias memórias.

No dia 9 de outubro, por favor, junte-se à mim relembrando John Lennon. Junte-se à mim com alegria nos seus corações pelo que ele nos deixou: A música, a atitude e o conhecimento de que juntos nós podemos mudar o mundo.

Imagine a Paz

Love

Yoko Ono


Tradução e adaptação de Antonio Celso Barbieri

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A VIDA É COMO UM PIQUENIQUE-PORTÕES DA PRÁTICA BUDISTA

CHAGDUD TULKU RINPOCHE


A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo — ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango…, que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.

Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.

Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?

Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser.

Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras — apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

Chagdud Tulku Rinpoche, em “Portões da Prática Budista“.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VIVA O LUTO- A ATRIZ MARCIA CABRITA FALA DO CÂNCER:"NÃO TIREI DE LETRA, A MULHER MARAVILHA MORA NA TELEVISÃO, EU MORO NA GÁVEA"


Por Márcia Cabrita


Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma idéia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos, parecer herói. Nãnãninã não! Quem recebe uma notícia dessa não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguiria. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Olhava-me no espelho branca, magrela e de cabelos curtinhos (antes de caírem) e achava que estava pronta para fazer figuração em "A lista de Schindler". Achava que não tinha chance de sobreviver à cirurgia, só pessoas que não tinham maus pensamentos sobreviviam. Muitas vezes deixei de comprar coisas pra mim porque tinha que deixar tudo para minha filha. Bem, se na minha cabeça era esse o pensamento que reinanva... Sem chance.


O mundo moderno é incrível. Tudo é maravilhoso, não existe sofrimento! As separações são sempre amigáveis e sem lágrimas, as mães não têm mais o direito de embarangar e ficar em casa lambendo a cria. Um mês depois estão lindas magras, com barriga sarada! Os atores não ficam desempregados, estão sempre felizes com um convite que ainda não pode ser revelado! Quimioterapia é moleza! Vem cá só eu que moro na Disney?


Hoje percebo que precisei viver esse luto. Esse passou. Apesar do medo, fui confiante para o hospital. Mas outras angústias vieram. Sofri pelo que é "o de menos", chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílos e pelo... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores, enjoos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro na Gávea mesmo. A Mulher Maravilha dá aquele giro e sai linda e poderosa correndo pra salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa, cairia estabacada com a careca no chão. Então meu giro foi bem devagarzinho, segurando na mão da minha mãe, minha irmã e de meus queridos amigos e familiares. Girei amparada por Dr. Eduardo Bandeira, Dra. Virgínia Portas, Dr. Celso Portela e todos os enfermeiros e profissionais de saúde que foram maravilhosos comigo. Girei rindo e chorando com centenas de comentários no meu blog em que virei praticamente uma conselheira oncológica. Girei brincando com minha filha, que fez questão de irà escola de lenço na cabeça "igual a mamãe, porque é muito legal". Girei para salvar a mim mesma.


Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem, e isso não é nem um pouquinho justo. Acho um saco quando dizem "fulano perdeu a batalha contra o câncer", "fulana tem tanta vontade e alegria de viver que foi salva" ou "o amor por meus filhos me salvou". Me parece tremendamente injusto.


Quer dizer que quem morre não amava a vida? O amor pelos filhos não era grande o suficiente? A fé foi pouca? Pensamento bem cruel, não é? É uma coisa bem esquisita, isso só ocorre com o câncer, a única doença tão estigmatizada. Ninguém diz que alguém perdeu a batalha para o enfarte, nem que amava tanto a vida que ficou bom da tuberculose.


Re-mis-são. Estou em remissão. Quem não apresenta mais sinais da doença não pode sair gritando que está curada, então saio correndo e gritando que estou em remissão!!!! Eba! Remissão é muito bom!!!


Vi uma foto minha na internet com meus companheiros de "Subversões", Aloísio e Salem, em que estou com um largo sorriso. Eu estava verdadeiramente feliz. Sem a pílula da felicidade, sem fingir meus sentimentos, sem bancar a maravilhosa. Era eu simplesmente feliz. E agora, chega desse assunto! Eu sou atriz e Tô mais preocupada com um convite que não pode ser revelado!


Fonte: Jornal O Globo - Revista 30/01
Márcia Cabrita é autora do blog Força na Peruca E está em cartaz nas peças "Subversões 21" e " Tango, bolero e tcha tcha tcha"

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

RUBBISH! É A RESPOSTA DO BIOGEÓGRAFO JARED DIAMOND PARA OS CÉTICOS DO CLIMA


Rubbish! É a resposta - em bom inglês - do biogeógrafo americano Jared Diamond para a pergunta sacada com frequência pelos "céticos do clima" no afã de congelar o debate ambiental: o aumento da temperatura do planeta, ao qual se atribui a intensificação dos ciclos de calor e frio testemunhada hoje por toda a parte, pode ser o resultado de um ciclo natural da Terra? Rubbish - lixo, besteira. "A ideia de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje são naturais é tão ridícula quanto a que nega a evolução das espécies", fustiga o autor de Colapso (Record, 2005), um tratado multidisciplinar de 685 páginas na edição brasileira que analisa as razões pelas quais grandes civilizações do passado entraram em crise e virtualmente desapareceram. E a questão assustadora que emerge de seu olhar sobre as ruínas maias, as estátuas desoladoras da Ilha de Páscoa ou os templos abandonados de Angkor Wat, no Camboja, é: será que o mesmo pode acontecer conosco?

A resposta de Diamond, infelizmente, é sim. Ganhador do Prêmio Pulitzer por sua obra anterior, Armas, Germes e Aço (Record, 1997), em que focaliza as guerras, epidemias e conflitos que dizimaram sociedades nativas das Américas, Austrália e África, o cientista americano há anos nos adverte sobre os cinco pontos que determinaram a extinção de civilizações inteiras. O primeiro, é a destruição de recursos naturais. O segundo, mudanças bruscas no clima. O terceiro, a relação com civilizações vizinhas amigas. O quarto, contatos com civilizações vizinhas hostis. E, o quinto, fatores políticos, econômicos e culturais que impedem as sociedades de resolver seus problemas ambientais. Salta aos olhos em sua obra, portanto, a centralidade que tem a ecologia na sobrevivência dos povos.

Foi na semana subsequente à pior catástrofe natural da história do País, na região serrana do Rio de Janeiro - a mesma em que um arrepiante tornado surgiu nos céus de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense -, que Jared Diamond falou por telefone ao Aliás. Às vésperas do lançamento no Brasil de um de seus primeiros livros, O Terceiro Chimpanzé (1992), o professor de fisiologia e geografia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fala das providências cruciais que o ser humano deverá tomar nos próximos anos para garantir sua existência futura. Diz que as elites políticas, seja nos EUA, na Europa, nos países pobres e nos emergentes, tendem a tomar decisões pautadas pelo retorno em curto prazo - até um ponto em que pode não haver mais retorno. Avalia que o Brasil dos combustíveis verdes tem sido "uma inspiração para o mundo", mas também um "mau exemplo" na preservação de suas florestas tropicais. E fala da corrida travada hoje, cabeça a cabeça, entre "o cavalo das boas políticas e aquele das más", que vai determinar o colapso ou a redenção das nossas próximas gerações.

O Brasil enfrentou tempestades de verão que mataram mais de 700 pessoas. Debarati Guha-Sapir, do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres da ONU, disse que o tamanho da tragédia é indesculpável, pois o País tem apenas um desastre natural para gerenciar. Como evitá-lo no futuro?


Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias humanas relacionadas a mudanças climáticas. O clima se tornará mais variável. O úmido será mais úmido e o seco, mais seco. A Austrália, por exemplo, acaba de sair da maior seca de sua história recente e agora enfrenta o período mais úmido já registrado no país. Em Los Angeles, onde moro, recentemente tivemos o dia mais quente da história e, há algum tempo, o ano mais chuvoso e também o mais seco que a cidade já viu.

Em seus escritos, o sr. aponta a Austrália como um país com estilo de vida antagônico às suas condições naturais. Mas, em comparação com o Brasil, os australianos se saíram melhor: enfrentaram a pior enchente em 35 anos, mas contabilizaram apenas 30 mortos. Como explicar isso?




É verdade que o modo de vida dos australianos não está em harmonia com suas condições naturais. Mas o estilo de vida dos americanos e dos brasileiros tampouco. O modo de vida do mundo não está em harmonia com as condições naturais deste próprio mundo. No caso da Austrália, o país fica no continente que tem o meio ambiente mais frágil, o clima mais variável e o solo menos produtivo. Mas a Austrália é um país rico e dispõe de mais dinheiro que o Brasil para criar uma infraestrutura que gerencie tais problemas. Em Los Angeles, onde as enchentes são recorrentes, não resta um rio em seu leito natural: todos receberam canais de concreto para reduzir o risco de enchentes. A minha casa fica literalmente em cima de um córrego coberto por uma estrutura de concreto. Nos 34 anos em que vivi nessa casa, apenas duas vezes a água invadiu o porão.

Em Colapso, o sr. lista cinco razões que explicam o declínio das sociedades. Elas continuam as mesmas?


Sim. Os cinco fatores que levo em consideração ao tentar entender por que uma sociedade é mais ou menos propícia a entrar em colapso são, em primeiro lugar, o impacto do homem sobre o meio ambiente. Ou seja, pessoas precisam de recursos naturais para sobreviver, como peixe, madeira, água, e podem, mesmo que não intencionalmente, manejá-los erradamente. O resultado pode ser um suicídio ecológico. O segundo fator que levo em conta é a mudança no clima local. Atualmente, essa mudança é global, e resultado principalmente da queima de combustíveis fósseis. O terceiro fator são os inimigos que podem enfraquecer ou conquistar um país. O quarto são as aliados. A maioria dos países hoje depende de parceiros comerciais para a importação de recursos essenciais. Quando nossos aliados enfrentam problemas e não são mais capazes de fornecer recursos, isso nos enfraquece. Em 1973, a crise do petróleo afetou a economia americana, que dependia da importação do Oriente Médio de metade dos combustíveis que consumia. O último fator recai sobre a capacidade das instituições políticas e econômicas de perceber quando o país está passando por problemas, entender suas causas e criar meios para resolvê-los.

O colapso da sociedade como hoje a conhecemos é evitável ou apenas prorrogável?


É completamente evitável. Se ocorrer, será porque nós, humanos, o causamos. Não há segredo sobre quais são os problemas: a queima exagerada de combustíveis fósseis, a superexploração dos pesqueiros no mundo, a destruição das florestas, a exploração demasiada das reservas de água e o despejo de produtos tóxicos. Sabemos como proceder para resolver essas coisas. O que falta é vontade política.

O Brasil tem feito sua parte?


Nunca estive no Brasil, portanto não posso falar a partir de uma experiência de primeira mão. Mas pelo que entendo, vocês adotaram uma solução imaginativa para a questão energética, com a produção de etanol. O Brasil é uma inspiração para o resto do mundo em relação aos carros flex. Por outro lado, mesmo que o País esteja consciente dos riscos de se desmatar a maior floresta tropical do mundo, muito ainda precisa ser feito. A Amazônia é muito importante para os brasileiros, pois ela regula o clima do país. Se a destruírem, o Brasil inteiro sofrerá com as secas.

De que maneira as elites tomadoras de decisão podem encabeçar a solução dos problemas ou ser responsáveis por conduzir sociedades à autodestruição?


Uma elite que foi competente em solucionar problemas é a composta por políticos dos Países Baixos, que têm grandes dificuldades com o manejo de água, já que um terço da área desses países está abaixo do nível do mar. A Holanda investiu uma quantidade enorme de dinheiro no controle de enchentes. Uma coisa que motivou os políticos holandeses é que muitos deles vivem em casas que estão sob o nível do mar. Eles sabem que se não resolverem a coisa vão se afogar com os demais. Outra elite razoavelmente bem-sucedida é a realeza do Butão, nos Himalaias. O rei butanês disse ao seu povo que o país precisa se tornar uma democracia quer queira, quer não. Ele também anunciou que a meta do país não é aumentar o PIB, mas elevar o índice que mede a felicidade nacional. Isso é verdadeiramente uma meta maravilhosa. Nos EUA, temos políticos poderosos com uma visão curta e destrutiva. Acho que contamos com um bom presidente, mas temos uma oposição cujos objetivos no presente momento se resumem a ganhar a próxima eleição presidencial e, repetidamente, tem negado a existência da mudança climática e do aquecimento global.

De que forma o declínio de sociedades antigas pode nos servir de lição?


Algumas sociedades do passado cometeram erros decisivos, outras agiram com sabedoria e tiveram longos períodos de estabilidade. Um vizinho de vocês, o Paraguai, é um exemplo de país que cometeu um erro crucial, há 120 anos: lutar simultaneamente contra Brasil, Argentina e Uruguai. Isso resultou na morte de 80% dos homens e um terço da população. Tomando como exemplo o Paraguai, precisamos aprender a adotar metas realistas. Podemos aprender também com os países que manejam bem seus recursos, como a Suécia e a Noruega, ou tomar como mau exemplo a Somália - que desmatou suas florestas e hoje sofre com a seca. Em defesa da Somália, podemos argumentar que o país não conta com um grande número de ecologistas capacitados, ao contrário de Brasil e EUA.

O sr. estudou a ascensão e queda de sociedades no passado, mas o que se discute agora é o futuro da própria humanidade. Sua teoria é capaz de explicar os desafios do mundo globalizado?


Sim. É verdade que esta é a primeira vez na história que enfrentamos o risco de o mundo inteiro entrar em colapso. No passado, o colapso do Paraguai, por exemplo, não teve nenhum efeito na economia da Índia ou da Indonésia. Hoje, até mesmo quando um país remoto, como a Somália ou o Afeganistão, entra em colapso isso repercute ao redor do mundo. Mas, por analogia, é possível tirar conclusões semelhantes.

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926-2001) enfatizou aspectos socioculturais para explicar os dilemas da sociedade, enquanto seu trabalho é considerado por alguns como geodeterminista. Aspectos culturais não teriam mais influência sobre o futuro das sociedades que os naturais?


Com frequência as pessoas me perguntam se isso ou aquilo é mais importante para explicar o declínio das sociedades. Questões como essas são ruins. É o mesmo, por exemplo, que perguntar sobre as causas que levaram ao fracasso de um casamento. O que é mais importante para manter um casamento feliz? Concordar sobre sexo ou dinheiro, ou crianças, ou religião, ou sogros? Para se ter um casamento feliz é preciso estar de acordo a respeito de sexo e crianças e dinheiro e religião e sogros. O mesmo se dá no entendimento do colapso de sociedades. Fatores culturais são importantes, mas diferenças ambientais não podem ser ignoradas. Por exemplo, as regiões Sul e o Sudeste do Brasil são mais ricas que a Norte. Isso é por causa do meio ambiente, não porque as pessoas no norte sejam burras e as do sul mais inteligentes ou cultas. A explicação é que o norte do país é mais tropical e áreas tropicais tendem a ser mais pobres porque têm menos solos férteis e mais doenças. O mesmo é verdade nos EUA, onde até 50 anos atrás o sul foi sempre mais pobre que o norte. Ao redor do mundo, esse padrão é repetido: países tropicais tendem a ser mais pobres que os de zonas temperadas.

Que sociedades estão em colapso hoje?

Todas as sociedades do mundo estão em risco de colapso. Se a economia mundial colapsar isso afetará todos os países. Nós vimos o que houve dois anos atrás, quando o mercado financeiro americano quebrou, afetando todas as bolsas do mundo. Então, embora todos os países estejam em risco de colapso, alguns estão mais próximos dele do que outros - por uma maior fragilidade ambiental, porque são menos maduros política ou ecologicamente ou por qualquer outro motivo. Por exemplo, o Haiti, que retornou agora às manchetes com a volta do ditador Baby Doc, viu seu governo virtualmente colapsar e continua em grande dificuldade. O México enfrenta dificuldades gravíssimas relacionadas a problemas ecológicos, com a aridez de suas terras, e políticos, com a onda de assassinatos ligada ao tráfico de drogas. Paquistão é um exemplo óbvio, Argélia, Tunísia, que também estão no noticiário... Do outro lado, dos países com menos risco de colapso estão a Nova Zelândia, o Butão e, na América Latina, a Costa Rica. Chile também vai bem. E o Brasil tem melhores perspectivas que vizinhos como a Bolívia, claro.

Países podem se recuperar do colapso?


O colapso normalmente não é definitivo. Houve colapsos no passado que foram sucedidos por retomadas. O Império Romano caiu e, apesar disso, a Itália é hoje um país de Primeiro Mundo.

A Europa, onde o debate a as leis de proteção ambiental mais avançaram, também entrou em crise. Quando isso ocorre, há risco de retrocesso nas políticas ambientais?


É possível. Muita gente sustenta que, quando a economia está fraca, não se consegue investir como se deve no meio ambiente. O colapso econômico de fato põe em risco os avanços em sustentabilidade. Só que os problemas ambientais só são fáceis de resolver nos estágios iniciais. Nesse ponto custam menos, mas se aguardamos 20 ou 30 anos, eles se tornarão muito caros ou impossíveis de solucionar.

Nos EUA, quando o presidente Obama condicionou empréstimos às montadoras americanas ao investimento em carros mais baratos e menos poluentes, a crise não ajudou?


Tanto as crises econômicas podem ter bons efeitos para a política ambiental como fazê-la retroceder. Nos EUA, antes do crash financeiro, estava muito em moda o Hummer, um jipe de 3 toneladas, versão civil de um veículo militar utilizado no Iraque. Era caríssimo e gastava horrores em combustível. Aparentemente, suas vendas despencaram e isso é um efeito positivo da crise econômica. Ainda assim, há americanos ignorantes que ainda insistem em dizer que, uma vez que estamos em crise, podemos deixar a agenda ecológica de lado.

Há modelos econômicos melhores e piores no que diz respeito aos danos ecológicos?


No momento em que falamos, tenho que dizer que o modelo econômico americano não parece ser o mais adequado. Por outro lado, somos uma democracia, com maus políticos, mas também bons - que denunciam os problemas que põem em risco o futuro. Numa ditadura comunista, por exemplo, isso seria impossível. Gosto do sistema capitalista porque ele pressupõe competição, inclusive de ideias. Mas aprecio também o papel do Estado em interferir no capitalismo, evitando os monopólios e enfrentando grupos cujos interesses vão de encontro aos da maioria da população. Em comparação, eu diria que o modelo europeu de capitalismo, mais socializado e comprometido com o bem comum, é atualmente a alternativa menos ruim.

Alguns cientistas afirmam que não se pode dizer ao certo que o aquecimento global seja culpa da ação do homem; pode ser parte de um ciclo natural da Terra.


Sabe a palavra inglesa rubbish? Significa lixo, mas é usada em linguagem coloquial em referência a ideias ridículas. O argumento de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje sejam apenas naturais é simplesmente ridículo. Tanto como aquele que nega a evolução das espécies. As evidências de que tais mudanças se devem a causas humanas são irrefutáveis. Os anos mais quentes registrados em centenas de anos se concentram nos últimos cinco que passaram. O planeta já enfrentou flutuações de temperatura no passado, mas nunca nos padrões registrados hoje. Não conheço um único cientista respeitável que afirme que as atuais mudanças de clima não se devam à ação humana. É por isso que eu digo: rubbish.

Seis anos depois do lançamento de Colapso, o sr. está mais otimista ou pessimista em relação ao futuro de nossa civilização?


Diria que me mantenho mais ou menos no mesmo nível. Tenho visto coisas ruins piorarem e boas tornarem-se melhores. O que mais me preocupa é que continuamos vendo um aumento vertiginoso do consumo no mundo, seja nos EUA, na China, na Índia ou no Brasil. O que me anima é que cada vez mais pessoas reconhecem a gravidade da situação e estão tomando iniciativas. Uma metáfora que gosto de usar é a da corrida de cavalos. Há dois deles correndo agora, o cavalo da destruição e o cavalo das boas políticas. Nestes últimos seis anos, eu diria que os dois têm corrido cada vez mais rápido, disputando cabeça a cabeça. Não sei qual vencerá a corrida, mas diria que as chances do cavalo do bem vencer são de 51%, enquanto o das más políticas tem 49%. E, se nossa destruição não é certa, nem um destino inescapável, é preciso saber que se não tomarmos medidas urgentes vamos ter grandes problemas.

A indústria do entretenimento mostra, cada vez mais, imagens do fim do mundo, prédios em ruínas, cidades abandonadas. Por que somos tão fascinados por nossa destruição?


Parte disso se deve à força romântica das imagens de civilizações passadas que entraram em colapso, como as ruínas dos maias, incas e astecas. Ou os escombros das guerras no Iraque e no Irã. E pensamos: quem construiu aqueles templos e monumentos, tinha uma cultura e arte admiráveis, podia imaginar que isso aconteceria? Por que essas civilizações entraram em colapso, sem poder evitar? E nos angustiamos: será que isso também vai acontecer conosco?

Fonte : Estadão