quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

9 de Fevereiro - Dia Do Frevo - 109 Anos



o carnaval recifense possui uma música e uma dança carnavalesca própria e original, nascida do povo. De origem urbana, surgiu nas ruas do Recife nos fins do século XIX e começo do século XX. O frevo nasceu das marchas, maxixes e dobrados; as bandas militares do século passado teriam dado sua contribuição na formação do frevo, bem como as quadrilhas de origem européia. Deduz-se que a música apoiou-se desde o início nas fanfarras constituídas por instrumentos de metal, pela velha tradição bandística do povo pernambucano.


Este estilo é um tipo de marchinha bastante acelerada que recebeu o nome de frevo em 1910, pois fazia parecer que abaixo dos pés das pessoas existia uma superfície com água fervendo. Com o passar dos anos, o termo usado pelas pessoas para o ritmo era ‘frervendo’ e assim ficou conhecido como frevo.

A palavra frevo vem de ferver, por corruptela, frever, dando origem a palavra frevo, que passou a designar: "Efervecência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo Carnaval", de acordo com o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa. Divulgando o que a boca anônima do povo já espalhava, o Jornal Pequeno, vespertino do Recife, que mantinha a melhor secção carnavalesca da época, na edição de 12 de fevereiro de 1908, faz a primeira referência a palavra frevo.


Em 1930, surge a divisão do frevo em três tipos: Frevo de Rua, Frevo Canção e Frevo de Bloco. Por ter ritmo e gingado contagiante, o frevo é hoje uma dança da multidão, na qual se confundem e misturam todas as classes sociais. É ouvido nas ruas ou nos salões, por ricos e pobres transmitindo energia positiva por todos os ângulos e nas facetas de cada passista.

O ritmo mais entoado no Carnaval pernambucano terá comemoração especial no Recife nesta quinta. Em 9 de fevereiro, é comemorado o Dia Nacional do Frevo. Orquestras, passistas, agremiações e cortejo pelas ruas da cidade marcam a celebração da data. A programação tem início às 9h, com atrações que prometem movimentar o Centro e ainda homenagear os 80 anos de fundação dos blocos Batutas de São José e Banhistas do Pina.





Alceu Valença escreveu hoje:"É preciso tomar medidas urgentes para não deixar morrer o cidadão frevo. Para quem se ressente da ausência do gênero nas rádios, convoco a fazermos um mutirão pelo frevo nas redes sociais como o twitter e o facebook.

Vamos todos postar músicas, letras, vídeos e outros links para celebrar o mais pernambucano e revolucionário estilo musical do carnaval brasileiro, em seus 105 anos de existência e resistência comemorados neste 9 de fevereiro.

Aproveito e compartilho com vocês o meu "Frevo da Lua". Para quem quiser baixar a versão completa da música, é só fazer o download no meu site >> www.alceuvalenca.com.br ".

Jô A. Ramos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

EXPOSIÇÃO "DE PEITO ABERTO" NA CAIXA CULTURAL/RJ-IMPERDÍVEL

Exposição "DE PEITO ABERTO", na Caixa Cultural/RJ é um projeto de Vera Golik e Hugo Lenzi sobre a autoestima da mulher com câncer de mama. Imperdível. EU FUI E AMEI.




"Saúde não é uma condição em que nós simplesmente escapamos das influências negativas. É um estado altamente positivo, ativo, em que nós mesmos somos responsáveis pela situações e problemas que enfrentamos e buscamos resolver. O termo paciente pode significar ficar à mercê da doença, como resultado de uma atividade passiva. Saúde, ao contrário, implica numa busca constante, significa ser agente de seu próprio bem estar. No pensamento budista uma vida saudável não quer dizer estar livre de dificuldades, mas sim ter a força para enfrentar e superar qualquer problema".

DAISAKU IKEDA, filósofo budista e líder humanista.






segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FORAM FECHADAS 37.776 ESCOLAS RURAIS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 10 ANOS



‘Fechamento de escolas é atentado às comunidades rurais’

Dados do censo escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), do Ministério da Educação (MEC), registram que 37.776 estabelecimentos de ensino rurais foram fechados nos últimos 10 anos em todo o país.

Para o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Salomão Hage, a garantia constitucional do direito à educação foi substituída pela lógica da relação custo-benefício pelo poder público.

"As políticas públicas educacionais, há certo tempo, são orientadas pela relação custo-benefício, na perspectiva neoliberal. Os gestores públicos hoje são desafiados a apresentar cada vez mais resultados com cada vez menos financiamento”, afirma.

Hage acredita que essa é uma mágica difícil de materializar. "Como você pode atender mais, oferecer melhor qualidade, contemplar a diversidade em um país em histórica situação de negação de direito se o orçamento e investimento cada vez diminuem mais?”, questiona.

Para ele, a associação de desenvolvimento ao meio urbano é usada pela justificar o fechamento das escolas no meio rural. "O próprio poder público olha para esse processo de territorialização das populações do campo e rotula de disperso. Se está disperso, no sentido de estarem distribuídas ao longo do território, e se pode reuni-las, gastará menos de acordo com suas referências de qualidade. Assim começa o desenvolvimento das políticas de nucleação que, às vezes, não são de nucleação, mas de polarização”, critica.

Essa política desrespeita o Estatuto de Criança e dos Adolescentes (ECA), que indica que os educandos devem ser atendidos nas suas próprias comunidades. "As diretrizes operacionais para a educação básica no campo, as diretrizes complementares para as escolas do campo fortalecem essa ideia da necessidade da escola atender as crianças e os adolescentes, prioritariamente, na sua comunidade”, sustenta.

Leia entrevista à Página do MST com Salomão Hage, que coordena o grupo que estuda educação no campo na Amazônia e integra a coordenação do Fórum Paraense de Educação no Campo.

Como você avalia o fechamento de escolas por estados e municípios?

As políticas públicas educacionais, há certo tempo, vêm sendo orientada pela relação custo-benefício, por conta da perspectiva neoliberal. Os gestores públicos hoje são desafiados a apresentar cada vez mais resultados com cada vez menos financiamento. Isto é uma mágica difícil de materializar. Como você pode atender mais, oferecer melhor qualidade, contemplar a diversidade em um país em histórica situação de negação de direito se o orçamento e investimento cada vez diminuem mais? O resultado tem sido a aplicação de políticas educacionais que caminham no contraponto das demandas que os movimentos sociais do campo e da cidade, dos educadores, das universidades colocam como referência para a educação.

Como essa relação custo-benefício afeta as escolas do meio rural?

O Estatuto de Criança e dos Adolescentes indica que as crianças devem ser atendidas nas suas próprias comunidades. As diretrizes operacionais para a educação básica no campo, as diretrizes complementares para as escolas do campo fortalecem essa ideia da necessidade da escola atender as crianças e os adolescentes, prioritariamente, na sua comunidade. Isso significa o acesso pela comunidade aos conhecimentos historicamente produzidos e, em grande parte, as escolas são o único equipamento público existente. Por isso, representam a presença do Estado naquela localidade. Onde a escola está presente, há uma movimentação da infância, da adolescência. A escola é espaço de reunião, de atividades culturais da comunidade, de discussão coletiva.

Qual o impacto da falta de escolas para crianças do meio rural, que vão estudar nas cidades?

As comunidades rurais em geral, estão distribuídas territorialmente de acordo com as demandas e as necessidades que as populações têm de sobrevivência, de trabalho, de relação que se estabelece com a terra, com a água, elas estão presentes há séculos. Há um processo de desenvolvimento sustentável a partir do processo de territorialização desenvolvimento destas localidades. Na medida em que o gestor é demandado para o atendimento - e não é um atendimento qualquer - gestão publica cria alternativas pautadas por essa questão de custo benefício, que vai em sentido contrário às demandas e necessidades do processo de territorialização desenvolvido.

O princípio também é inspirado por uma perspectiva 'urbanocêntrica'. Esse "desenvolvimento” é pautado na perspectiva do campo para a cidade, causando um processo de expulsão do campo na ideia de que, se eu concentro as pessoas posso atender mais, utilizando menos recursos. Uma coisa é atender 300 escolas distribuídas por todo o campo brasileiro, outra coisa é atender 20 escolas com as pessoas concentradas onde você não teria gastos com transporte, deslocamento e um conjunto de outras demandas para atender.

Como o Estado age nessa situação?

O próprio poder público olha para esse processo de territorialização das populações do campo e rotula de disperso. Se está disperso, no sentido de estarem distribuídas ao longo do território, e se pode reuní-las, gastará menos de acordo com suas referências de qualidade. Assim começa o desenvolvimento das políticas de nucleação que, às vezes, não é de nucleação, mas de polarização. Quando se aumenta o transporte escolar, você fecha escolas em comunidades mais distantes e reúne em comunidades rurais maiores ou traz para a sede do município.

É essa perspectiva quantitativa da relação custo-benefício, a partir da perspectiva urbanocêntrica, que é aplicada pela gestão pública. Há ainda uma aceitação da sociedade, porque conseguem demonstrar que, por meio da oferta do transporte escolar, atendem toda a demanda e em todos os níveis. Isso acontece porque há uma compreensão de que a cidade é o lugar do desenvolvimento, que consolida como natural esse movimento das pessoas se deslocarem do campo para a cidade.

O fechamento das escolas do campo pelo poder público segue esses princípios?

O fechamento das escolas é um atentado às comunidades rurais com o discurso de melhoria, ampliação e aumento da escolaridade. Só que não há lugar para todo mundo viver na cidade, no lado urbano. A população que vive nas cidades não vive essas promessas do desenvolvimento que a perspectiva urbanocêntrica apresenta. Quem vive bem na cidade? Quem vive no centro e quem tem um emprego significativo? A grande maioria vive muito mal na cidade, vive pior que as pessoas que vivem no campo.

Nos últimos anos, foram fechadas mais de 30 mil escolas. Se a gente não abrir o olho. esse número amplia. Essa é uma luta que precisa unir todos os setores. Estamos na luta pelo Plano Nacional de Educação. O que nos une são as referências de qualidade da educação, a necessidade de um financiamento suficiente, a valorização e a formação dos profissionais de educação. Há uma luta pelos 10% do Produto |Interno Bruto para a educação cobra uma condição para desenvolver as escolas do campo e da cidade.

No entanto, há demandas especificas do campo: apenas 30% das crianças são atendidas em nível de educação infantil no campo, segundo números do MEC. Com a emenda constitucional 59, conseguimos que até 2016 o ensino será obrigatório dos quatro aos 17 anos. Como vamos atender as crianças menores, cujas mães trabalham no campo? Se a lógica é investir em transporte e deslocamento, como vamos fazer com as crianças de zero a 5 anos?

O discurso de que estão dispersas é uma forma pejorativa de tratar a territorialização das populações do campo, que se organizam de acordo com suas necessidades e com as relações que estabelecem com a floresta, com a terra, com a água. Não se pode simplesmente olhar para isso e dizer que é disperso.

Qual a sua avaliação das políticas públicas para a educação do campo, em nível nacional, nos últimos 10 anos?

Desde o final da década de 90, mais especificamente com a realização das conferências nacionais de educação do campo, com a criação e o fortalecimento de uma articulação nacional, que combina a participação dos movimentos sociais, universidades e setores do poder público voltadas para a questão da agricultura familiar e da Reforma Agrária, a gente tem dado passos significativos no sentido de pensar o campo brasileiro a partir da sua diversidade, demandas e necessidades, dentro da disputa política por outro projeto de sociedade.

O que avançou nesse processo?

O fortalecimento desse movimento foi capaz de fazer com que o MEC pudesse criar dentro da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade e Inclusão (Secadi) uma coordenação de educação no campo.

A partir dela, foram criados alguns programas - como o Projovem Campo, o Saberes da Terra, o Procampo licenciatura plena e mesmo o Escola Ativa (que não teve uma discussão mais sistemática com o conjunto dos movimentos) - que começaram a provocar um certo movimento dentro da formação do educador, no âmbito da formação da prática educativa em todos os níveis de faixa etária.

Além desses, teve avanços no Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que foi criado da discussão entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra.

Há um protagonismo desse movimento que se desenvolveu de modo a mostrar que os sujeitos do campo também são sujeitos de direito e as políticas publicas precisam atender as suas necessidades.

Vivemos um momento de fortalecimento dessa consciência da necessidade do atendimento e da necessidade de demarcar as especificidades dos sujeitos do campo. Com isso, consolida-se a ideia de que o campo tem como contribuir com esse projeto de desenvolvimento. E que sem o campo o desenvolvimento pode não resultar em uma proposta significativa.

Qual a reação à maior participação dos movimentos sociais?

Esse processo de protagonismo tem despertado um desconforto daqueles que tem um projeto diferenciado para o campo e para a sociedade brasileira. Enquanto os movimentos fortalecem os modos de produção familiar no campo e as lutas camponesas pela Reforma Agrária, o agronegócio também está em franca expansão com um significativo financiamento, que entra em contradição com esse avanço que o movimento social vem desenvolvendo.

Insatisfação essa que, historicamente, foi construída na representação social que os povos do campo seriam atrasados e a agricultura familiar um projeto de fome, que não tem como contribuir para o desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o projeto do modo de produção familiar se apresenta como uma alternativa viável para o desenvolvimento com base na sustentabilidade, na economia solidária e nos princípios de educação crítica e transformadora. Essas disputas de hegemonias começam a fluir e os ataques vêm da mídia, das grandes corporações e, essencialmente, de instituições que, embora públicas, são direcionadas pela perspectiva privatista, patrimonialista.

Quanto mais avança, maior a reação desses setores?

É isso que a gente tem vivido de forma mais intensa nos governos Lula e Dilma. No governo Lula, conseguimos avançar mais no diálogo entre os movimentos sociais, as universidades e o setor público, no sentido de apresentar editais, os programas, de formular legislações que pudessem reconhecer esse outro projeto, essa outra intencionalidade.

Projetos promovidos durante o governo Lula foram se ampliando, até que, com as reações, começaram a sofrer e ter a continuidade comprometida. Embora Pronera estivesse assegurado com o decreto, virou política pública.

Outros programas, com o próprio Procampo, estão ameaçados de serem substituídos pelo Pronacampo. Esse novo programa está sendo construído sem o diálogo com os movimentos sociais e com as universidades.

E no que a educação contribui para essa disputa de modelo de sociedade?

A educação conseguiu estimular a relação de movimentos sociais, universidades, setores do poder público mais alinhados com esse outro projeto de sociedade e de educação, na relação direta entre educação e trabalho, educação e desenvolvimento, na formulação de outro projeto de sociedade.

Na medida em que isso se consolida e se apresenta como uma proposta viável, que atende às necessidades da maioria, os blocos hegemônicos - que se orientam por outra perspectiva, por uma sociedade excludente, elitista e discriminatória - reagem em todos os sentidos para deslegitimar esse projeto.

Esses resultados são suficientes?

Essa situação de negação de direitos, não só para o campo, mas também para a população que mora nas periferias das grandes cidades, para as classes populares da sociedade brasileira é histórico. Tem pelo menos cinco séculos de existência. Não seriam 10, 12 ou 20 anos de protagonismo e tentativa de redimensionar o atendimento educacional que seriam suficientes para superar os níveis de pobreza da sociedade, que em sua grande maioria está no campo.

A precarização do campo data desde o inicio do Brasil enquanto Nação, mas esse protagonismo tem se fortalecido com essa nova articulação. Mas há reação com a criminalização dos movimentos sociais, que são acusados de receber dinheiro dos órgãos públicos para fortalecer suas organizações.

E no que essa falta de diálogo e participação dos movimentos sociais na construção de novas políticas para a educação pode significar?

A falta de dialogo pode significar a não continuidade dos programas desenvolvidos como resultado dessa articulação entre os movimentos sociais e o poder público. Poderá significar um afastamento maior do MEC, da Secadi e da própria coordenação de educação no campo. Na medida em que se constrói novos programas e novas diretrizes sem a interlocução com os movimentos sociais e as universidades, esse afastamento tende a se fortalecer. Pode se configurar num programa que não atenda às necessidades e demandas.

Fonte: Adital

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Movimentos fazem convocatória global para Cúpula dos Povos na Rio+20



Amanhã (28), em Porto Alegre, região Sul do Brasil, movimentos sociais e de meio ambiente farão uma convocatória global para a Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental. O evento está programado para acontecer a partir das 17 horas, na Usina do Gasômetro, e quer convidar todos e todas a participarem da ‘construção de um mundo novo possível’.

A convocatória global acontece dentro das atividades do Fórum Social Temático - crise capitalista, justiça social e ambiental que teve início no último dia 24 e segue até o próximo domingo (29) com atividades preparatórias para a Rio+20. Os interessados em acompanhar os últimos dias do Fórum podem assistir online as principais atividades. Basta acessar http://conexoesglobais.com.br/ao-vivo/.

O ato público marcado para amanhã será encabeçado por organizações, coletivos e movimentos sociais com o objetivo de dar visibilidade à Cúpula dos Povos e chamar a sociedade civil global a viver e abraçar "uma nova forma de se viver no planeta, em solidariedade, contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns”, segundo reforça o Informe do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20.

‘Venha reinventar o mundo’

A Cúpula dos Povos na Rio+20 acontecerá paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20 oficial, que será realizada de 20 a 22 de junho. O evento alternativo, repleto de atividades, será mais extenso e acontecerá de 15 a 23 de junho, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

De acordo o Comitê Facilitador para a Rio+20, a Cúpula se propõe a ser mais que um grande evento. "Trata-se de um processo de acúmulos históricos e convergências das lutas locais, regionais e globais, que tem como marco político a luta anticapitalista, classista, antirracista, antipatriarcal e anti-homofóbica”, dizem.

Os nove dias de Cúpula serão transformados em um amplo espaço de debate para tratar com seriedade os graves problemas ambientais enfrentados pelas populações e também para demonstrar a força política dos povos organizados. Para fortalecer este momento de debates e atrair cada vez mais pessoas interessadas em se unir à luta ambiental e social, o Comitê faz o convite ‘Venha reinventar o mundo’.

Atividades organizadas pelos movimentos sociais locais, marcha de abertura, discussões autogestionadas, Assembleia Permanente dos Povos, Dia de Mobilização Internacional e construção da mensagem final farão parte da programação da Cúpula dos Povos.

Rio+20

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) também acontecerá no Rio de Janeiro e será protagonizada por Chefes de Estado, de Governo e outros representantes políticos. As principais pautas de debate serão: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. No olhar dos movimentos sociais, o debate destes temas é insuficiente para encontrar soluções à crise ambiental global provocada pelos modelos de produção e consumo capitalista.

Mais informações em: http://cupuladospovos.org.br/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Minha entrevista no site Varejo Sortido



Quero agradecer ao amigo Luiz Alberto Machado, do site Varejo Sortido, pela iniciativa e pelas doces palavras. Reproduzindo a entrevista que pode ser encontrada no link:http://varejosortido.blogspot.com/2012/01/todo-dia-e-dia-da-mulher-jo-ramos.html?spref=fb

ENTREVISTA:


LAM - Jô, as primeiras perguntas são de praxe. Servem para traçar um breve perfil do entrevistado. Então vamos pra primeira: quando e como se deu seu encontro com o jonalismo?


Desde os 6 anos de idade eu já escrevia e lia muito, sempre foi assim. Sempre li sobre política, mesmo não tendo ninguém da família envolvida. O jornalismo foi a forma que encontrei para me comunicar com o maior número de pessoas possível. Acho que realizei melhor esse desejo com o surgimento das redes sociais principalmente com a criação dos Blogs.


LAM - Que influências da infância e adolescência possibilitaram a formação de sua identidade profissional?


Sempre estive cercada por livros que comprava com o dinheiro da mesada. Aos 16 anos quando comecei a ler Simone de Beauvoir, Jean Paul Sartre e as entrevistas da jornalista italiana Oriana Fallaci, entendi muita coisa que estava acontecendo no mundo e principalmente com nós mulheres.


LAM - Qual a sua posição com relação à extinção do diploma da categoria?


Acho péssimo. Não por uma questão elitista e sim por defender a necessidade de um conhecimento acadêmico que é fundamental. Nem todo mundo nasce com um texto na cabeça e para realizá-lo, muitas vezes, é preciso o conhecimento da técnica. Para qualificar, filtrar e organizar os conteúdos é necessário o trabalho profissional, qualificado do jornalista. A quantidade de informações disponíveis hoje é quase incomensurável, somente um profissional da informação, um jornalista qualificado pode organizar esse conteúdo para disponibilizar à sociedade.

É importante saber ouvir a sociedade, verificar a veracidade das notícias, manter contato com fontes de informações e, por fim, publicá-las. Até hoje, nenhuma profissão foi questinada sobre o fato de existir uma formação acadêmica para ser exercida, por que isso aconteceu com o jornalismo? é uma boa pergunta.

Abro uma brecha para os colunistas. Esses sim, independente de serem ou não jornalistas, podem emitir suas opiniões. Quem decidi isso é o boss do veículo. Com a criação dos Blogs o leitor pode formalizar suas idéias e defendê-las como quiser, é mais um espaço para publicação.


LAM - Você desenvolve um trabalho bastante engajado em dois blogs que edita: o Defesa da Mulher e o Myself. Fala da proposta de cada um desses seus blogs.


O Defesa da Mulher é um blog que propõe a divulgação de notícias, dados, matérias, depoimentos e entrevistas sobre a violência contra nós mulheres, não só no Brasil como no mundo. É impossível viver em um país onde a cada 2 horas 1 mulher é assassinada, ficar omissa. O Myself é mais livre no conteúdo. Falo sobre tudo, de política a religião, música, livros, cinema..etc.


LAM - A imprensa brasileira, a seu ver, tem dado a devida atenção e de forma idônea e isenta acerca do problema da mulher brasileira?


Não. A imprensa não cobre o assunto como deveria. Quando o assunto é violência contra as mulheres ainda estamos nas páginas policiais, mas, já existem abordagens que mostram o tema como uma questão de saúde, de direitos e de políticas públicas e isso nós devemos aos movimentos de mulheres que conseguiram pressionar os órgãos de comunicação.
A mídia tem o poder na medida em que defini o que será manchete ou não, o que será lido ou não pelo público. É preciso garantir que os profissionais de imprensa exerçam esse poder de maneira ética e com responsabilidade social. É fundamental estimular a responsabilidade social da imprensa, alertar, conscientizar e sensibilizar jornalistas a respeito da gravidade desse problema.


LAM - Qual a sua perspectiva com a edição da Lei Maria da Penha? Esse instrumento atende os anseios no combate à violência contra a mulher? A legislação brasileira abrange e atende a expectativa de se erradicar a pratica da violência contra a mulher?


A Lei Maria da Penha foi um grande avanço, mas, precisamos de muito mais, para que ela seja cumprida. Desde a promulgação da Lei Maria da Penha, o número de serviços especializados aumentou em 35% (de 521 para 707).
Atualmente, existem 707 serviços especializados - 388 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, 166 Centros de Referência de Atendimento à Mulher, 71 Casas-Abrigo, 62 Defensorias Especializadas e 20 Promotorias Especializadas. No que se refere à justiça e à segurança, foram criados 53 juizados especializados/varas adaptadas de violência doméstica e familiar e 388 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

Segundo a SPM, além da criação, muitos recursos têm sido investidos para o reaparelhamento/reforma das Delegacias Especializadas, de Centros de Referência de Atendimento à Mulher e de Casas-Abrigo. Com tudo isso, ainda não podemos afirmar que estamos perto de um atendimento exemplar. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados de 2009 mostra que apenas 559 municípios brasileiros possuem os chamados Centros de Referência para mulheres em situação de violência. Isso representa apenas 10% do total de cidades brasileiras. Estes centros oferecem assistência psicológica e atendimento jurídico para vítimas de violência doméstica.


LAM - Ao trabalhar o mote "Todo homem que maltrata a mulher não merece jamais qualquer perdão", realizei uma série de estudos e pesquisas para poder fechar esse meu trabalho poético numa martelada para cordel. Nessa pesquisa, ao se fazer uma leitura que compreende tanto a abordagem feita pela Tannah Hill até as escritoras e estudiosas de hoje das causas das mulheres, observando que os reclamos não são menores até então, principalmente no que tange à exclusividade da luta dos homens nas suas causas, enquanto a das mulheres incorpora não só as causas delas, como a de todos os excluídos. O universo masculino tem demonstrado solidariedade, ou ainda é determinante o machismo de sempre?


O machismo ainda está muito presente na nossa sociedade, é só observar o número de mulheres estupradas, humilhadas e mortas em nosso país. A atenção voltada à temática da violência doméstica e o seu combate tem se intensificado desde a criação da Lei Maria da Penha, em agosto de 2006. Mas enquanto as mulheres são o foco principal das políticas públicas, há quem trabalhe na outra ponta do problema: os homens que as agridem. Um exemplo é o Instituto Noos, no Rio de Janeiro, que desde 1999 atendeu cerca de 300 homens que procuraram, espontaneamente, ajuda para pararem de bater em suas mulheres.


LAM - A seu ver, a internet tem contribuído para coibir os abusos e violências contra a mulher?


A internet é mais uma forma de divulgação, esclarecimento e informação do que de coibição. O que vai mudar o atual quadro de violência contra as mulheres são as políticas públicas, educação, construção de mais Centros de Referência e Casas Abrigo.


LAM - Você também edita um excelente blog literário, o Tardes Poéticas. A respeito dele, um verso do meu poema "Primavera de Ginsberg" ficou bem identificado: "[...] Só a poesia tornará a vida suportável". Qual a proposta desse seu blog?


A poesia tem a força de apaziguar-me com o mundo conturbado em que vivemos, por isso, ela é indispensável. Sou apaixonada por poetas e livros. A proposta é divulgar nas redes escritores e poetas tentando sensibilizar as pessoas e dizer que nem tudo está perdido. Temos poesia.


LAM - Quais os projetos que você tem por perspectiva realizar?


São tantos... rssrsr..bom, tenho 3 documentários, dois já aprovados pela Lei Rounet e 1 livro:

1-Mulheres Benditas que vai falar de 6 mulheres brasileiras biografadas pela escritora Ana Arruda Callado.

2- Documentário sobre o Acervo do Museu-Casa de Rui Barbosa.

3-O projeto VIVA MULHER é um documentário com mulheres de várias cidades do Brasil sobre violência, principalmente a doméstica. Quero levar informações sobre direito, cidadania e formas de defesa para as mulheres, com palestras e debates. O documentário de 60 minutos vai registrar tudo em um período de 6 meses. Lançaremos nas casas de apoio às mulheres, nos centros, nos abrigos, e onde nos for dada a oportunidade de mostrar o trabalho. Complementando o projeto lançaremos um livro e disponibilizaremos cópias do documentário para cine clubes e bibliotecas. Nossa intenção é alcançar pequenas cidades, onde o acesso a informação é mais precário. Estamos buscando parceria e patrocínio.

4-Livro Vista Carnaval, um livro sobre Recife e Olinda, também aprovado pela Lei Rounet. Todos esses projetos estão à procura de patrocínios/apoios/parcerias.

Grata pela oportunidade de falar com seus leitores. Bj, Jô.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

VAREJO SORTIDO: TODO DIA É DIA DA MULHER: JÔ A. RAMOS

VAREJO SORTIDO: TODO DIA É DIA DA MULHER: JÔ A. RAMOS: ´ JÔ A. RAMOS - A jornalista Jô A. Ramos, possui licenciatura em Letras pela Universidade Candido Mendes e Jornalismo pela CUP, pos-...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

RECEITA DE ANO NOVO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE



Para você ganhar
um belíssimo Ano Novo cor de arco-íris,
ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação
como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)

novo espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia, se ama,
se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa, justiça
entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente,
experimente, consciente.

É dentro de você
que o Ano Novo cochila
e espera
desde sempre

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR




Fiz uma resenha deste capítulo do livro de José Carlos Libâneo: Democratização da Escola Pública: a Pedagogia crítico social dos conteúdos.

O texto é centrado na dura vida do professor dividido em avançar na prática educacional e, ao mesmo tempo, aceitar a forma tradicional em que se encontram os estabelecimentos de ensino no país. A escola brasileira tem sido marcada pelas tendências liberais, preparando os indivíduos para o desempenho de papéis sociais, no sentido de reprodução dos valores e normas da sociedade. As tendências pedagógicas foram classificadas em liberais e progressistas.

Os conteúdos, os procedimentos didáticos, a relação professor/aluno não têm nenhuma relação com o cotidiano do aluno e muito menos com sua realidade social, portanto, a individualidade e a história desse aluno, são ignorados. O que vemos é a reafirmação de um conceito.

A tendência Liberal se divide em: Tradicional, renovada progressivista, renovada não-diretiva e tecnicista. A Pedagogia progressista em: libertadora, libertária e crítico-social dos conteúdos. A educação brasileira nos últimos 50 anos tem sido marcada pelas tendências liberais, ora conservadora ora renovada.

O que vejo é que na realidade não há mudanças consistentes nessas práticas que são obsoletas e compactuantes com o sistema social capitalista em que vivemos. A globalização trouxe uma forma de mudança radical e irreversível causando uma grande transformação que afetou as estruturas estatais, as condições de trabalho, as relações entre os Estados, a subjetividade coletiva, a produção cultural e principalmente a vida na escola. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a globalização não é um quebra-cabeça que se possa resolver com base num modelo preestabelecido e análise- da mesma forma que a identidade que se afirma na crise do multiculturalismo ou quando a internet facilita a expressão de identidades prontas para serem usadas.

Essa é a questão: IDENTIDADE. Descobri 3 escolas que estão perseguindo essa nova identidade que está se formando e que não se auto-explica nas antigas teses educacionais.

A primeira é a Escola Caminho do Meio, localizada em Viamão (RS), dirigida pelo ex-professor de Física Quântica, Alfredo Aveline, que lecionou durante 25 anos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, relaciona em seu programa os eixos sustentadores da educação infantil recomendados pelos Ministérios da Educação e Cultura (Movimento, Matemática, Linguagem Oral e Escrita, Artes, Música e Natureza e Sociedade) com os princípios da cultura de paz. A proposta de educação da Escola Infantil Caminho do Meio tem por base a pedagogia das 5 Sabedorias:

1-Sabedoria do Espelho: A sabedoria do espelho nos permite oferecer aquilo que faz sentido dentro do mundo do outro, aquilo que ele é capaz de entender. Esta sabedoria nos permite acolher o outro onde quer que ele esteja e a partir dela estabelecemos contato positivo, que nos permite ir adiante de forma significativa e produtiva. Esta sabedoria nos permite a compreensão de que o mundo que vemos ao nosso redor é o mundo que reflete nossa mente.

2-Sabedoria da Equanimidade: Esta compreensão faz nascer um interesse genuíno em mover-se na direção do outro, amparando, promovendo qualidades positivas como compaixão, alegria, equanimidade, generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentração e sabedoria. No contexto da prática educativa incrementamos as qualidades positivas que permitem um crescimento dentro do contexto das aprendizagens que demandam cada etapa.

3-Sabedoria Discriminativa: Tem por base a lucidez e a serenidade. No contexto da prática educativa constitui o eixo de compreensão que nos permite diagnosticar obstáculos, orientar e prescrever métodos.

4-Sabedoria da Causalidade: Sabedoria que brota da adversidade das circunstâncias. No contexto da prática educativa permite que avancemos além das sensações de ganho ou perda, vantagem ou desvantagem, nossa e dos outros. Permite que possamos dissolver obstáculos e negatividades, ou integrá-las, para que as aprendizagens sejam significativas e positivas


5-Sabedoria de Darmata: Permite-nos não dar concretude demasiada as situações e fenômenos, ou, ao que quer que esteja nos afetando, permitindo o acesso á região de lucidez, coragem, estabilidade, criatividade e segurança, interna em cada um.
A escola opera com planejamento a ser trabalhado em um período de cinco anos. A cada ano trabalham bimestralmente uma das cinco sabedorias.
DIFERENCIAIS

A cultura de paz no currículo da educação. Considerar a todos como alunos: facilitadores, pais, comunidade e crianças. Diálogos da Educação: é aberto à comunidade, com atividades que incentivam a convivência e participação de todos no desenvolvimento comunitário. Alimentação vegetariana e disponibilização do cardápio semanalmente. O Instituto Caminho do Meio, conta com extenso bosque, horta, parquinho, centro comunitário, refeitório e marcenaria. As crianças têm a oportunidade de explorar, por meio de atividades dirigidas, a área externa à escola, tendo contato direto com a natureza e convívio.

PALAVRAS CHAVE: ACOLHIMENTO E ENTENDER O OUTRO NO MUNDO DELES.

A segunda é o Colégio Estadual Márcia Meccia, localizada no Jardim Pampulha, em Salvador-BA, que era considerada há poucos anos atrás, como a mais violenta da cidade. A UNESCO premiou a escola pelo projeto “AMATEQUEDÁ” que reduziu a violência mobilizando a sociedade local: Igrejas, Associação de Moradores, Centro Educacional, Associação Feminina, Empresários, Coordenadores do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA), além de professores, estagiários e funcionários. Total de 1.385 alunos, 49 professores distribuídos em 3 turnos.

O Coordenador do projeto foi o diretor do Colégio Walfran Santos que possue formação superior em Educação Artística, mestrado em Artes Cênicas pela Universidade Católica de Salvador-BA. Pós graduação em Crítica da Arte pela UFBA, Certificado Ocupacional – Dirigente Escolar e Doutorado em Música Clássica.

O projeto AMATEQUEDÁ tem o objetivo de qualificação profissional, geração de emprego e renda, recuperação ambiental e planejamento urbano participativo do bairro Mata Escura. A meta era reduzir o nível de violência para 80% em 10 meses. A escola trabalha com ensino fundamental, médio e secundário, o qual se reproduz em diversas situações :
- Aceleração de aprendizagem
- Regularização de fluxo escolar
- Educação de Jovens e Adultos

A realidade atual do Colégio se caracteriza pelo sucesso da redução do alto índice de violência e pela consolidação de sua parceria com a comunidade.
Para atingir a meta foram definidas as seguintes ações:

1- Sensibilizar coordenadores, professores e funcionários
2- Integrar a escola à comunidade
3- Realizar encontros com professores de todos os turnos
4- Enfatizar as comemorações cívicas sociais que permitem a presença dos responsáveis a fim de resgatar a família
5- Promover atividades pedagógicas com a participação efetiva do alunado
6- Divulgar e premiar os trabalhos dos alunos
7- Obter apoio significativo dos pais e/ou responsáveis
8- Recuperar o espaço de lazer existente na escola objetivando oferecer ao alunado atividades extras de acordo com os seus interesses
9- Promover festas cívicas, apresentações teatrais, campeonatos e gincanas e outras atividades que ocupem a mente e o corpo evitando a ociosidade.

OBS: Ficou definido o dia 2 de junho como o Dia “D”Contra a Violência. Neste dia sempre se realiza a “Caminhada da Paz”. Foi implantada, também, a Agenda 21 na área.

23 trabalhos de pesquisa em andamento pelo (LTECS)- Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Sociais.

Prêmios recebidos: Trabalhos dos alunos
1- X Seminários Estudantil de Produção Acad6emica-UNIFACS/2006
2- Prêmio Bahia Ambiental- Categoria Idéia Sustentável/2005
3- IX Jornada de iniciação Científica da Uneb/2005-Melhor Pesquisa em Ciências Sociais
4- IX Semnário Estudantil de Produção Acadêmico-Projeto Urbanístico- Espaços de Sociabilidade no Bairro da Mata Escura.
5- III Jornada Universitária de Iniciação Científica-UNIFACS- Projeto Urbanístico.
6- Prêmio Nacional de Iniciação Científica concedido pela FUNADESP.

A Agenda 21 foi o instrumento adequado utilizado nas discussões com a comunidade, que fez descobrir lideranças, novas realidades e um banco de dados e informações sobre a comunidade.

O Projeto foi apresentado no VI Congresso Ibero-Americano de Urbanismo, Salamanca, Espanha em outubro de 2006.

A metodologia de trabalho utilizada na implantação da Agenda 21 teve como pressupostos teóricos as idéias de Paulo Freire, Moacir Gadotti, Francisco Ferrer que propõem como princípios básicos uma educação transformadora, ecológica e libertária.

A terceira é a Escola Nacional Florestan Fernandes, que se identifica como:
“Contra a barbárie, o estudo
Contra o individualismo, a solidariedade!”

Em nome do nosso compromisso na luta contra o obscurantismo e o atraso, dois fortes instrumentos de dominação das elites brasileiras, o MST tem procurado garantir o ensino fundamental para milhares de crianças, jovens e adultos do campo, em mais de 1.200 escolas primárias, públicas, e em dezenas de escolas de segundo grau, instaladas nos assentamentos.

Além disso, em nome dessa mesma luta, o MST concluiu pela necessidade de uma Escola Nacional para os militantes dos movimentos populares e tem como principal objetivo ser um espaço de formação superior pluralista nas mais diversas áreas do conhecimento não só para os militantes do MST, como também para militantes de outros movimentos sociais rurais e urbanos, do Brasil e de outros países da América Latina.

No primeiro ano de atividades, foram realizados diversos cursos de nível superior nas áreas de Filosofia Política, Teoria do Conhecimento, Sociologia Rural, Economia Política da Agricultura, História Social do Brasil, Conjuntura Internacional, Administração e Gestão Social (em parceria com a Faculdade de Santo André), curso de especialização em Educação do Campo (em parceria com a Universidade de Brasília-UNB) e curso de Estudos Latino-americanos (em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora-UFJF).


A grande maioria dos cursos conta com a docência voluntária e não-remunerada dos seus professores. Quanto aos estudantes, assumem todas as tarefas e serviços internos da escola, como limpeza, auxílio na cozinha, horta, etc. Em outros termos, a Escola é, também, uma escola de solidariedade permanente, envolvendo toda a comunidade que nela vive.


Em geral, os cursos funcionam em etapas de 3 a 4 semanas de duração cada uma. Ao término de cada etapa, os estudantes retornam aos seus locais de origem, por todo o país, em um sistema de alternância permanente entre teoria e prática.

“Quando fundamos nossa Escola, assumimos que não podíamos continuar esperando, geração após geração, que a tão necessária mudança da política de alocação das verbas públicas venha, finalmente, modificar e melhorar, objetiva e realmente, as condições de vida da grande maioria do nosso povo. Aliás, para que essa maioria assuma o controle ativo e competente da sua própria história, exigindo a realização das mudanças sociais indispensáveis, é preciso que ela possa se apropriar dos saberes que lhe são negados exatamente em nome da preservação e perpetuação dessa ordem social iníqua e excludente. Foi o que nos levou a assumir a tarefa de abrir as vias de acesso a esses saberes àqueles que deles foram excluídos. É uma tarefa tão gigantesca quanto a miséria dominante no campo brasileiro. Uma tarefa que exige de todos nós a coragem e dedicação dos nossos sonhos e ideais de uma sociedade justa e solidária”.


Jô A. Ramos

sábado, 10 de dezembro de 2011

3 MULHERES RECEBEM PELA PRIMEIRA VEZ O PRÊMIO NOBEL



O Prêmio Nobel da Paz foi entregue hoje (10) em Oslo à presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, à também liberiana Leymah Gbowee e à iemenitaF Tawakkol Karman, distinguindo o papel das mulheres na resolução dos conflitos. É a primeira vez na história que o Prêmio Nobel da Paz é atribuído a três mulheres.



"Vocês representam uma das forças motrizes mais importantes das mudanças no mundo de hoje: a luta pelos direitos humanos em geral e a luta das mulheres pela igualdade e pela paz, em particular", disse o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, antes de entregar o prêmio. "Vocês dão sentido ao provérbio chinês, que diz que as mulheres sustentam metade do céu", acrescentou.

Vestidas com trajes tradicionais - as liberianas com vestidos africanos coloridos, enquanto Tawakkol Karman usou um hijab colorido - as vencedoras receberam o Nobel sob os aplausos do presentes, que incluiu a família real da Noruega.

llen Johnson Sirleaf, de 73 anos, foi a primeira mulher eleita democraticamente chefe de Estado de um país africano, a Libéria, que sofreu 14 anos de guerras civis que fizeram 250 mil mortos. “O fato de que duas mulheres liberianas estejam aqui hoje para partilhar o pódio com uma irmã vinda do Iêmen mostra o caráter universal do nosso combate”, sublinhou Sirleaf no seu discurso.

Dirigindo-se às mulheres do mundo inteiro, Sirleaf desafiou-as a fazerem-se ouvir: “Falai! Levantai a voz! Que a vossa voz seja a da liberdade!”, exortou.

Leymah Gbowee, de 39 anos, é uma assistente social liberiana que organizou o movimento pacífico de mulheres que, com a ajuda de uma original greve de sexo, contribuiu para por fim à segunda guerra civil na Libéria, em 2003.

A jornalista iemenita Tawakkol Karman, de 32 anos, é a primeira mulher árabe a receber o Prêmio Nobel da Paz. Foi distinguida por ter sido uma das figuras de proa da Primavera Árabe no seu país, um movimento que levou ao período de transição para que o presidente Ali Abdullah Saleh abandone em fevereiro próximo o poder que ocupa há 33 anos.

Tawakkol Karman lamentou a relativa indiferença do resto do mundo em relação à revolução iemenita. "O mundo democrático, que nos falou muito dos valores da democracia e da boa governança, não deve ficar indiferente ao que está acontecendo no Iêmen e na Síria".

O Prêmio Nobel é constituído por uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1 milhão de euros) repartido em três partes iguais pelas vencedoras.

Fonte: Jornal do Brasil

10 de Dezembro: Dia Internacional dos Direitos Humanos - A Anistia Internacional e o Brasil



O Brasil e os Direitos Humanos segundo a Anistia Internacional

Leão Serva

Hoje, 10 de dezembro, é o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A Anistia Internacional, ONG que goza do respeito universal por sua luta em defesa dos direitos humanos em todo o planeta, inicia um movimento para abrir os olhos dos brasileiros quanto ao atraso em questões que a entidade considera devem ser superadas caso o Brasil queira realmente exercer o papel de protagonista internacional que reivindica.

Para Atila Roque, chefe do escritório brasileiro que a Anistia Internacional abrirá em breve no Rio de Janeiro, não é possível ser um líder internacional tendo internamente problemas graves em relação aos direitos humanos, tais como:

* a quarta maior população carcerária do mundo, mantida em condições subumanas;

* comunidades indígenas em áreas de avanço econômico, como Belo Monte (onde os questionamentos internacionais geraram reação autoritária do Governo Federal contra a OEA);

* assassinatos de líderes comunitários em áreas de fronteira agrícola, como a morte recente de um índio Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul.

A Anistia é uma ONG incômoda, normalmente respeitada e elogiada em todos os países quando se trata de atacar vizinhos ou terceiros e atacada quando se trata de discutir denúncias que ela faz sobre as mazelas do país onde está.

No Brasil, durante o final do Regime Militar, suas campanhas pela soltura de presos políticos em países distantes como Malásia e Egito eram publicadas sem censura, mas suas denúncias sobre presos políticos no Brasil eram vetadas.

Hoje mesmo, o Governo Federal reage mal às críticas que a entidade faz ao país. E não são poucas as mazelas do Brasil na visão da Anistia Internacional.

Seu novo escritório, depois de dez anos ausente do Brasil, na verdade servirá como “grilo falante”, uma espécie de “chamado à consciência” dos direitos humanos em um país que quer ser parte do “primeiro mundo” sem ter feito, nessa área, toda a lição de casa para sair do quarto mundo.

Para Átila Roque, chefe do escritório da AI, historiador e cientista político, o desejo de participar como protagonista internacional é natural, “mas isso vem acompanhado de uma maior responsabilidade na defesa dos direitos humanos. Não pode haver omissão ou neutralidade que, na prática, penalizam quem está oprimido”.

Leia a entrevista com o chefe do escritório da Anistia:

1) Qual a avaliação que faz dos últimos avanços nas UPPs e a ocupação das favelas?

O modelo UPP, que consiste em trazer para as favelas a presença da segurança pública focada na reconquista do território, retirada das armas e numa perspectiva de integração com outras ações de governo (sociais, culturais e econômicas), é uma inovação que precisa ser reconhecida.

O morador da favela tem o mesmo direito à segurança que o de Ipanema, Leblon ou Jardins. Não devemos esquecer que a principal vítima do crime violento no Brasil são os moradores da periferia, especialmente jovens e negros, que tradicionalmente foram objeto de ação meramente repressiva.

Mas todas essas iniciativas serão inúteis se não vierem acompanhadas de um esforço mais amplo, tanto na esfera local quanto nacional. A segurança pública no Brasil ainda sofre distorções decorrentes de anos de autoritarismo e do baixíssimo nível de integração entre unidades da Federação e a União.

Faltam instrumentos de informação, gestão e integração, baseados na inteligência, qualificação do profissional e respeito aos direitos humanos. É preciso romper com a cultura de subsistemas isolados e controlados a partir dos Estados. Por mais virtuoso que seja algum modelo localizado, ele não pode avançar sem respaldo dentro do sistema de segurança como um todo.

2) Com o assassinato ainda a ser confirmado, qual sua avaliação sobre a morte do líder Guarani-Kaiowa e ameaças a agentes públicos e índios por fazendeiros da região? A questão agrária naquela região afeta todas as tribos (não só a Guarani) mas como os Guaranis são os índios brasileiros que primeiro estabeleceram contacto com o colonizador, eles se tornaram um símbolo. O que a Anistia pretende fazer a respeito?

Em primeiro lugar não podemos deixar de sublinhar a gravidade do que aconteceu e o quanto isso afronta a dignidade de todas as pessoas de bem no Brasil. Os relatos das testemunhas e sobreviventes falam em camionetes de luxo com cerca de quarenta homens fortemente armados e encapuzados, que cometeram agressões, executaram o cacique, levaram o corpo, assim como outros feridos que até agora não foram encontrados.

É espantoso que isso não mobilize e choque o país. A situação no Mato Grosso do Sul é crítica – a cada semana recebemos relatos de ameaças de morte contra os povos indígenas feitas por “seguranças” contratados por fazendeiros.

O caso do provável homicídio do cacique Guarani-Kaiowa e os ataques contra o resto da sua comunidade refletem uma longa tradição de discriminação, violência e impunidade que eles continuam a sofrer.

Existem milhares de Guarani-Kaiowa vivendo em situação precária, acampados à margem das rodovias próximas às suas terras ancestrais; as reservas oficiais sofrem com superpopulação, desnutrição, alcoolismo e altos índices de suicídio – um quadro triste, de colapso sócio-econômico.

Os Guarani-Kaiowa são a maior etnia na região (cerca de 50.000), com uma longa história de perseguição por causa de sua luta pelos direitos constitucionais à terra que sempre lhes pertenceu.

Há muito a Anistia vem trabalhando sobre essa questão. Visitamos a região várias vezes; conversamos com as comunidades, as ONGs locais, especialistas na área e as autoridades, inclusive a FUNAI e o Ministério Público Federal. Fizemos relatórios, pedimos ações urgentes; escrevemos cartas para o Presidente da FUNAI, Marcio Meira, em abril deste ano e entregamos uma petição com mais de 20 mil assinaturas solicitando a agilização do processo de demarcação das terras indígenas.

O problema principal é a morosidade do processo de demarcação que coloca essas comunidades numa situação de extremo perigo.

O que percebemos é que existe uma oposição total a nível estadual, seja por parte da assembléia legislativa ou por parte das organizações que representam os interesses do agronegócio, como a FARMASUL, que dificulta o processo com intervenções judiciais.

As autoridades federais têm que atuar com mais firmeza, agilizando o processo de demarcação e, ao mesmo tempo, protegendo os povos ameaçados e investigando todas as ameaças e atos de violência. É essencial, por exemplo, a punição rigorosa das chamadas “milícias rurais” que atuam com impunidade na região.

A Anistia vai continuar mobilizando seus membros para que pressionem as autoridades brasileiras com o objetivo de ver cumpridos os direitos constitucionais dos indígenas.

3) Os grupos indígenas da região de Belo Monte alegam que não foram ouvidos como determina a Constituição sobre a usina hidrelétrica. As entidades ambientalistas estão convencidas que a usina anunciada é apenas a primeira de uma série que será divulgada quando se tornar público que Belo Monte só produz energia quatro meses por ano. Qual a avaliação da Anistia sobre esse fato e suas consequências?

A associação entre o desenvolvimento econômico e os direitos humanos é tema fundamental para a Anistia Internacional – não só no Brasil, mas também em outros países que estão entrando num período de crescimento econômico rápido.

Belo Monte – por causa do tamanho e da localização – virou símbolo desse problema: como o estado pode promover desenvolvimento sem violar os direitos das comunidades na região? Claro está que o desenvolvimento é muito importante para assegurar os direitos econômicos – mas não pode ser a custa dos direitos fundamentais das comunidades, impactados direta ou indiretamente.

Em nossa opinião, os povos indígenas e os ribeirinhos não foram devidamente consultados sobre Belo Monte: foram informados, mas não houve um processo de engajamento, diálogo e consulta genuína.

Achamos também que a reação agressiva do governo brasileiro contra as medidas cautelares emitidas pela Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos, em abril, não foi muito produtiva.

Isso não corresponde ao histórico do Brasil em relação aos organismos internacionais de Direitos Humanos, que sempre foi o de fortalecê-los. Esvaziar e tentar desqualificar organismos multilaterais que alertam sobre assuntos ligados ao Brasil demonstra que o Brasil não está preparado para ocupar um lugar de mais destaque, posto que para almejar um papel de peso na esfera global é preciso saber lidar com essas situações. Espero que esse tenha sido um desvio momentâneo.

4) As cadeias brasileiras são todas, sem exceção, medievais e condenar um criminoso à prisão numa delas é muito mais do que "privação de liberdade". A opinião pública brasileira parece alheia a essa questão, desinformada ou propositalmente vira as costas para o assunto. Ao mesmo tempo, isso gera impunidade, não raro juízes se recusam a condenar infratores por entender que a pena de prisão nessas condições é brutal demais. A Anistia tem um plano para influenciar uma melhoria da questão penitenciária no Brasil?

Bem, em primeiro lugar é importante reconhecer que embora em número reduzido, há pessoas trabalhando dentro das penitenciárias (estaduais e federais), lutando pelo melhoria dessas condições.

Seu esforço deve ser reconhecido para reforçar que, mesmo com todos os problemas advindos da corrupção e do desinteresse da população e dos políticos de um modo geral, é possível reformar o sistema.

Entretanto, não ha dúvida que o problema persiste. O uso de tortura continua generalizado e sistemático, como foi verificado pelo Relator Especial sobre Tortura, das Nações Unidas, durante uma visita ao Brasil em 2000.

As condições continuam cruéis, degradantes e desumanas: os presos continuam privados dos seus mais básicos direitos, como direito à saúde, a uma justiça eficaz e não discriminatória, e à segurança, entre muitos outros.

Em dezembro de 2010, o Brasil tinha 496.251 pessoas presas, a quarta maior população carcerária do mundo, superada apenas pelas dos Estados Unidos (mais de dois milhões), da China (1,7 milhão) e da Rússia (cerca de 800 mil). Desse total, conforme demonstrou a pesquisa da ARP (Associação Pela Reforma Prisional), coordenada por Julita Lemgruber e Marcia Fernandes, 44% eram presos provisórios, vale dizer, ainda não condenados, aguardando julgamento.

Entre 1995 e 2010 a população prisional do país mais que triplicou e a taxa de presos por cem mil habitantes aumentou 180%. E os dados mostram que estamos prendendo mal, mantendo um número excessivo de pessoas em prisão provisória e jogando nas penitenciárias jovens que não cometeram crimes violentos e que poderiam estar cumprindo penas alternativas.

Em 1999 a Anistia lançou uma campanha mundial sobre as condições no sistema carcerário. Em 2000 isso foi reforçado com uma campanha sobre as profundas e persistentes violações cometidas no sistema sócio-educativo paulista, e em 2001 um relatório da Anistia ao comitê contra a tortura das Nações Unidas foi seguido por uma campanha internacional da organização sobre o problema no país.

Hoje, mesmo que o contexto e as vítimas sejam diferentes daquele primeiro relatório sobre Tortura no Brasil, emitido em 1972, a necessidade de pressionar as autoridades para agir continua a mesma, e certamente a AI vai continuar a tratar do assunto.

5) Qual a avaliação que sua entidade faz do atual governo? Em relação ao governo Lula, mudou? Melhorou?

É cedo para fazer uma avaliação do governo da Presidente Dilma em relação aos direitos humanos ou fazer comparações com o governo anterior. Certamente a criação da Comissão da Verdade, assim como o projeto de lei para a criação de um mecanismo de prevenção da tortura (requerido pelo Protocolo Opcional da Convenção Contra a Tortura, ratificado pelo Brasil), são indicações de importantes oportunidades na defesa dos direitos humanos e no combate à tortura.

Ao mesmo tempo, a reação do governo da Presidente Dilma, em resposta às medidas cautelares da Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos, aumentou muito as preocupações sobre as intenções deste governo.

O Brasil, com todos os problemas que tem, sempre se mostrou aberto a dialogar e participar dos processos internacionais de direitos humanos. Nas promessas feitas durante sua eleição para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas o Brasil citou especificamente a necessidade de participar e reforçar o sistema Inter-Americano de Direitos Humanos.

No entanto, a decisão de praticamente se retirar do sistema após as medidas cautelares citadas nesta entrevista, acabam por prejudicar seriamente a expectativa positiva criada pelo novo governo da Presidente Dilma.



Leão Serva é jornalista

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

VIVA, MULHER! DOCUMENTÁRIO SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES. "WOMEN,LIVE" DOCUMENTARY NEED SPONSORSHIP




PROJETO VIVA MULHER


O projeto VIVA MULHER é um documentário com mulheres de várias cidades do Brasil sobre violência, principalmente a doméstica. Quero levar informações sobre direito, cidadania e formas de defesa para as mulheres, com palestras e debates. O documentário de 60 minutos vai registrar tudo em um período de 6 meses. O filme será lançado nas casas de apoio às mulheres, nos centros, nos abrigos, e onde nos for dada a oportunidade de mostrar o trabalho.

Complementando o projeto, lançaremos um livro e disponibilizaremos cópias do documentário para cine-clubes e bibliotecas. Nossa intenção é alcançar pequenas cidades, onde o acesso à informação é precário. Estamos buscando parceria/patrocínio/apoio.

No Superior Tribunal de Justiça (STJ), a quantidade de processos sobre violência doméstica contra as mulheres é crescente – em 2006, foram 640; em 2011, já chegão a 1.600, o que representa um aumento de 150%. Isso ocorre nas grandes cidades.

Queremos falar com mulheres que não têm acesso as delegacias da mulher, aos centros de apoio, as casas abrigo. Muitas cidades não possuem nenhum órgão de ajuda às mulheres vítimas de violência.

Contato: Jô A. Ramos- ZL Comunicação
Tels: 55 21 2256-6467/9968-8114


TANSLATE FOR INGLES

"WOMEN, LIVE" - DOCUMENTARY-NEED SPONSORSHIP

Our project "WOMEN,LIVE" is a documentary about brasilian women in several cities in Brazil on violence, especially domestic. I want to take information on law, citizenship and forms of defense for women, with lectures and discussions. The 60 minute documentary will record everything in a period of 3 months.

We will launch the houses to support women in centers, shelters, and where we are given the opportunity to show work. Complementing the project will launch a book and make available copies of documentary cinema clubs and libraries. Our intention is to reach small towns, where access to information is more precarious.

We are looking sponsorship and partnership.
Information: zlcomunicacao8@gmail.com
Phone: 55 21 9968-8114- Jô Ramos

Presidenta Dilma Rousseff Encara o Inquisidor. A Dor Da Tortura

sábado, 26 de novembro de 2011

FILÓSOFO ALAIN DE BOTTON LANÇA LIVRO NO BRASIL E CRITICA A ELITE BRASILEIRA




Na cidade para lançar seu livro 'Religião para Ateus', o filósofo se encanta por prédios históricos de vários estilos no Rio de Janeiro. Criticou a elite brasileira, e chocou-se com a "profunda desigualdade" do país.


Folha - O que achou do Brasil nessa primeira visita?

Alain de Botton - É um pais fascinante, parece que estou aqui há um século, de tantas impressões. Estou maravilhado com o tamanho, a diversidade, as pessoas. Tenho lido história do Brasil, é impressionante a quantidade de coisas que já aconteceram aqui, as turbulências, revoltas, mas também os esforços para ser bem-sucedido e unir este país apesar dos incríveis desafios geográficos, das guerras, doenças. Vindo da Inglaterra, fiquei com a impressão de que vivo em um lugar muito pequeno, onde nada aconteceu, em comparação com este país.

Como foi a viagem?

Comecei em Porto Alegre, experimentei o sul germânico, aí fui para São Paulo e experimentei a loucura...

Loucura em que sentido?

Você vê na geografia urbana que é uma cidade em que ninguém parou para pensar ªcomo podemos fazer essa cidade habitável, bonita, calma?º. Foi tudo corrido, preocupado em fazer dinheiro, em se projetar no cenário internacional, e não houve muito tempo para pensar em parques e coisas do tipo. Num dia cinza, parece uma visão do inferno.

E você teve alguns encontros com a elite da cidade.

Sim, fui a um coquetel em São Paulo, após uma palestra que dei para a elite [na Sala São Paulo] e fiquei espantado com o refinamento deles, muito mais do que qualquer um que você encontraria em Londres. Não sei, não era exatamente uma riqueza decadente, mas extremamente privilegiada, de um jeito que me pareceu impossível de acontecer no Reino Unido. Uma conversa de ªpegamos o helicóptero para ir aliº, ªa limousine está aí foraº, ªminha filha está estudando na Alemanhaº. As diferenças são tão... uau! Nós saímos do prédio e havia algo que parecia um cadáver, mas que provavelmente ainda era uma pessoa. Isso é extremo.

Qual é sua sensação geral desse contraste de classes?

Sinto que o Brasil está a apenas alguns dólares de distância de uma completa transformação, em termos de salário mínimo. Com mais cinco anos de bom crescimento econômico esse país vai estar completamente diferente. Parece uma fase de transição mesmo. Fui a uma favela ontem e você tem a sensação de que aquilo não vai ser daquele jeito para sempre, não parece com a Índia, onde a pobreza é tão estrutural e endêmica que o país não tem mecanismos para contorná-la.

É apenas uma impressão, mas não me senti pessimista, apesar de ter encontrado vários brasileiros pessimistas, gente que me disse que o país tem problemas sérios, ªnão acredite no que você lê na `Economist'º. Por outro lado, encontrei gente otimista, que acha que o país mudou de nível e que, se conseguir acabar com a corrupção política e dar um jeito na educação, vai dar certo. Acho que há muita base para o otimismo.

Como você compararia as três cidades que visitou?

Se você quer uma vida calma, Porto Alegre é o lugar. Parece uma cidade sóbria, trabalhadora, tem uma certa qualidade germânica. E você está distante, mais próximo da Argentina.

*Você conheceu a Argentina? *

Nunca estive lá, mas acho interessantes as diferenças entre brasileiros e argentinos. Instintivamente me sinto mais próximo dos brasileiros, acho que os argentinos são um pouco depressivos, com seu estilo europeu, aquela coisa belle époque de ªParis da América Latinaº, os ditadores, cavalos, é tudo meio depressivo, não é exatamente meu cenário. Mas nunca estive lá.

Você tuitou um comentário que comparava Porto Alegre com o Texas, São Paulo com Nova York e o Rio com Los Angeles. Acha válida a comparação?

Isso gerou muitos comentários, gente concordando e discordando. No geral, o que chama a atenção é como o Brasil é diferente dos EUA, felizmente. É um país religioso de um modo bom, não é fundamentalista, a religião aqui tem uma influência calmante, diz às pessoas que há outro mundo além desse, isso faz com que o espírito brasileiro seja mais relaxado, enquanto o americano é sobressaltado, focado no dinheiro e no sucesso de um modo louco, porque não há nada além daqui. Tenho a sensação de que o Brasil é um pouco mais equilibrado nesse sentido. Mas não compro essa conversa de que os brasileiros são alegres. São bastante afetuosos, mas sinto muita tristeza também, uma certa melancolia, o que acho bom, porque torna a cultura brasileira mais interessante.

De que cidade você gostou mais?

Do Rio. É uma cidade que seduz imediatamente. Parece que ela é criticada porque tudo aconteceria em São Paulo e o Rio seria muito provinciano, mas não fiquei com essa impressão, parece ter muita coisa acontecendo aqui. Não é um balneário de férias.

Você esteve em mansões e numa favela. Que impressão teve desse contraste?

Fiquei impressionado com a quantidade gente que me disse nunca ter ido a uma favela. E também me chamou a atenção quantas mulheres das favelas trabalham em casas de ricos, tomando conta de seus filhos. Isso me interessa, tenho certeza de que deve surgir um laço sentimental entre as crianças e as mulheres que tomam conta delas, isso é intrigante em termos emocionais. Deve haver histórias fascinantes de conexão entre famílias muito ricas e gente muito pobre.

Viu exemplos de racismo aqui?

É curioso, todas as pessoas com quem conversei me dizem que não existe racismo no Brasil, que isso não é um problema. Achei estranho, no Reino Unido, qualquer pessoa de classe média com quem você converse sobre isso vai dizer que é claro que há problemas, todos admitem. Mas, no Brasil, parece ser uma questão de honra dizer que não há racismo. Admitem problemas econômicos, mas não esse tipo de preconceito. Talvez não haja mesmo, ou talvez eu não tenha perguntado para as pessoas certas.

Que impressão levou da visita ao Complexo do Alemão, no Rio?

Não é tão ruim quanto eu fui levado a crer. Eu imaginava o inferno na Terra, como o que você encontra na Índia e em partes da África. Não é fantástico, mas é ok. Havia casas boas, ruas pavimentadas, não vi esgoto a céu aberto, as pessoas circulavam. Fui a uma favela pacificada, então não sei como o clima pode ser em um lugar mais violento. Mas acredito genuinamente que as favelas não serão um problema eterno no Brasil. É uma fase. Aquelas cidades turísticas italianas nas encostas de morros já foram favelas também, séculos atrás. Hoje pensamos nelas como lugares charmosos. Imagino que, em 50 anos, o mesmo processo vai acontecer no Brasil. Vamos olhar para a história do país e ver que foi um momento de salto populacional no qual o governo perdeu o controle, houve crises econômicas, mas aí Lula veio, o preço das commodities subiu, o Brasil pôde usar esse dinheiro para se desenvolver.

Qual sua impressão do governo Lula?

Ele deu muita sorte em diversos pontos, pegou a alta do preço das commodities, seu antecessor havia estabilizado as coisas e feito boa parte do trabalho difícil, ele herdou um bom cenário. Mas fez algumas coisas básicas em termos de redistribuição [de renda] que assustavam a elite. Ele provou que a redistribuição não era um desastre, os ricos têm dinheiro suficiente, é possível tirar um pouco deles para ajudar a sociedade como um todo.

O que o Brasil precisa agora é educar adequadamente sua população, acabar com a corrupção para que o dinheiro vá para onde é necessário, criar um sistema de impostos mais justo e eficiente e uma infraestrutura melhor. Uma vez que isso comece a ser feito, e já está começando, o resto virá.

Qual sua opinião sobre a presidente Dilma?

Sinto que ela é boa. Gosto da falta de estilo dela, é uma espécie de Angela Merkel do Brasil. Ela parece incorruptível, e isso é algo fantástico para esse país. É claro que não basta ser só ela, é um país imenso e ainda há muitos corruptos em diversos Estados, mas essas coisas levam tempo mesmo. É preciso persistência e uma imprensa vigilante, e parece que a brasileira está fazendo isso.

E o que achou dos brasileiros? Sentiu diferença entre a população de cada cidade?

À medida que fui subindo, as coisas foram ficando mais quentes em termos emotivos. Acho que a população do Rio representa mais a imagem clássica do brasileiro entusiasmado, imediatamente afetivo. Me chamou a atenção como os brasileiros são amigáveis, mas não de um modo americano. Os americanos têm uma amabilidade que parece mercenária, interesseira. Aqui, a amabilidade é mais otimista, as pessoas são apresentadas às outras e acham que não há motivo para não gostar delas. Isso é muito antibritânico, lá nós achamos que não há motivo para gostar imediatamente das pessoas a quem somos apresentados.

Você tuitou sobre brasileiras que reclamaram que aqui existe um ªculto opressivo à belezaº.

É engraçado. O Brasil obviamente tem muita gente não atraente, tanto quanto qualquer outro lugar, mas as pessoas dizem ªtodo mundo é bonito no Brasilº. É claro que não, há gente bonita e gente feia. Mas os brasileiros valorizam muito a beleza. Conversando com homens aqui, era muito comum ouvir ªolha aquela mulher, como é gostosaº. Ninguém faz isso na Inglaterra, mas nem acho que é algo sexual, era como se estivessem admirando um céu bonito ou um pássaro, é algo até inocente. Ninguém se envergonha de dizer ªolhe aquelas pernasº. Na Inglaterra nós somos educados a nunca fazer isso porque as mulheres podem achar que é algo machista, mas aqui o clima é mais relaxado, não é tão politicamente correto. O Brasil definitivamente não é uma sociedade politicamente correta do ponto de vista americano ou europeu.

O que achou da arquitetura no país?

O Brasil tem provavelmente a melhor arquitetura modernista do mundo, aquela coisa clássica do século 20 feita por Niemeyer e outros. É a melhor porque é modernista, mas adaptada ao cenário e clima locais, o que dá uma identidade às construções, você consegue dizer ªessa é uma obra brasileiraº.

Mas é desapontador quando você olha para a maioria dos edifícios brasileiros, eles são terríveis, não têm vida nem cor, blocos de apartamentos horríveis. Conversei com alguns arquitetos e eles me disseram que o problema é que o governo não se preocupa com boa arquitetura quando faz obras. No Brasil, bons arquitetos fazem casas para os ricos, não fazem obras públicas. É o oposto da Europa e dos EUA, onde os bons arquitetos não desenham residências privadas, isso não é arquitetura. Eles desenham partes da cidade, trabalham com empreiteiras para construir belos arranha-céus.
Se eu estivesse no comando do Brasil, forçaria cada contrato de grandes obras a passar por uma competição entre os melhores escritórios de arquitetura. Isso faria as obras custarem 7% a mais, mas o país teria uma arquitetura moderna em nível nacional, em vez de pequenos pedaços aqui e ali. O país deveria ter progredido a partir do legado de Niemeyer, a história não poderia ter parado ali.

O que mais você faria se comandasse o país?

Além da reforma geral na arquitetura, contrataria alguns tecnocratas alemães para vigiar o dinheiro e acabar com a corrupção de uma vez. Definiria que, a partir de 31 de janeiro, não haverá mais corrupção, vamos investigar tudo até o fim e essa se tornaria a primeira sociedade 100% transparente do mundo, usaríamos a internet para abrir todas as contas públicas.

Por que tecnocratas alemães?

A Alemanha tem o menor nível de corrupção do mundo, seu sistema de impostos é extraordinário, eles não perdem um centavo, não há furos. Por isso são tão poderosos. Então vamos precisar de um pouco de alemães aqui, talvez os de Porto Alegre possam ser usados para isso.

E o resto da sua plataforma de governo?

Eu também ouviria os economistas para saber o que mais podemos fazer em termos de redistribuição [de renda], que percentual do PIB podemos distribuir imediatamente para os mais pobres, sem desarranjar toda a economia do país. Suspeito que seja um pouco mais do que o que é feito atualmente, mas isso é um palpite.

Precisaria também quebrar a força dos sindicatos de professores e canalizar a energia dos jovens brasileiros que queiram ensinar, formar uma equipe quase militar de jovens professores que seriam treinados e enviados para as escolas usando os melhores e mais modernos métodos de educação. Me livraria dos professores antigos, os aposentaria ou os enviaria para receberem treinamento.

Daria a cada favelado dinheiro para comprar material de construção para deixar suas casas com um nível mínimo de qualidade.
Investiria em infraestrutura, energia, alternativas às viagens aéreas.

O que poderíamos aprender com os britânicos?

Não muito (risos). Acho que o nível dos servidores públicos britânicos é muito alto, são muito honestos, particularmente os juízes. O sistema judicial britânico é muito bom, funciona bem, poderíamos pegar um pouco disso. Mas não muito mais, talvez a paciência. O Reino Unido levou um longo tempo para se tornar o que é hoje. No Brasil existem diferentes faixas de tempo, há pedaços que se parecem com a Manchester no século 19, outros que parecem a Los Angeles do século 21. É um caleidoscópio, você sente que aqui coexistem diferentes estágios temporais da história da humanidade.

Que impressão você vai levar dessa primeira visita?

Eu levei um longo tempo para vir ao Brasil porque achei que precisava mudar, estar numa posição em que conseguisse entender esse país. Me sinto muito enriquecido. Hoje penso no Brasil como um país que eu conheço e de que gosto, com o qual tenho uma conexão. É inevitável gostar de um país que gosta de uma parte do que você faz. Meus livros são publicados na Finlândia e devem ter vendido um exemplar, então não consigo evitar sentir um certo desgosto por um país em que ninguém gosta de mim. Quando você tem leitores e eles gostam dos seus livros, isso provavelmente significa que quando você for conhecê-los vai se dar bem com eles, porque livros são como conversas congeladas, quando você encontra os leitores você descongela a conversa e as coisas tendem a correr bem, e foi o que aconteceu aqui durante essa semana.

Espero voltar, na verdade vou voltar.

Para abrir sua Escola da Vida (School of Life) aqui?

Exato. Esse projeto ainda está numa etapa inicial, mas vai acontecer, vamos abrir no Rio em agosto de 2012. Essa é uma razão para voltar e para aprofundar minhas conexões com este país. Pretendo passar umas seis semanas aqui da próxima vez, trazer as crianças. Adoraria mostrar a elas os extremos do Brasil, quero leva-las a uma favela. Eles vivem em uma parte privilegiada de uma cidade privilegiada como Londres, é importante para eles que conheçam essa outra realidade.

O que você acha que eles podem aprender na favela?

Eles precisam entender o lugar que ocupam na sociedade. Precisam entender como o país delas é rico e como levam uma vida privilegiada. E precisam perder o medo da pobreza. Meu filho caçula me disse ªo Brasil é perigoso, tem muitos pobresº e eu falei ªo quê? De onde saiu esse raciocínio?º. É uma coisa de criança, eles ficam assustados, mas eu não quero que eles pensem desse modo, então vou levá-los para passear na favela e, com sorte, nunca mais vão pensar assim. Isso é importante para torná-los cidadãos globais. Tenho certeza de que o país deixaria uma impressão permanente neles.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

23 de Novembro-Rede Mulher-Estarei lá!!!


Estarei participando, no dia 23 de novembro do evento REDE MULHER, que será realizado pela Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Nilópolis, a convite da Secretária Nilcéia Clara Cardoso. Este evento fará parte do meu Documentário VIVA MULHER que está percorrendo o Brasil, registrando depoimentos e discutindo a violência, cada vez mais crescente, contra a mulher no país.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A FRAGILIDADE DAS RELAÇÕES HUMANAS


O fracasso das relações humanas é digno de um tratado, sempre foi, e agora mais do que nunca com o advento das redes sociais. Somos rápidos, sucintos, concisos e lacônicos. Estamos cada vez mais longe do outro, enganados por uma rede que não embala ninguém, nem nos faz sonhar.

Zygmunt Bauman, desenvolve o conceito de “liquidez humana”, situação que se manifesta indubitavelmente nos diversos âmbitos de nosso fracassado projeto civilizatório, em decorrência da transformação do ser humano, singular, em objeto de consumo, descartável, até mesmo nas relações interpessoais cotidianas.

A vida na sociedade líquido-moderna é uma versão perniciosa da dança das cadeiras,
jogada para valer. O verdadeiro prêmio nessa competição é a garantia (temporária) de
ser excluído das fileiras dos destruídos e evitar ser jogado no lixo (BAUMAN, 2007b, p.10).

Os relacionamentos virtuais são assépticos e descartáveis, e não exigem o compromisso efetivo de nenhuma das partes pretensamente envolvidas. Bauman define tanto as "práticas amorosas” virtuais como os relacionamentos afetivos marcados pelo gosto pela efemeridade pelo termo “relacionamento de bolso”, pois podemos dispor deles quando necessário e depois tornar a guardá-los (2004, p. 10).

Mesmo os relacionamentos mais antigos, aqueles em que o laço não é tão frouxo, dançam iludidos pela modernidade, onde é muito mais fácil descartar, bloquear e até deletar da sua vida pessoas que fazem parte de sua memória afetiva. Tornou-se mais simples colocarmos as cercas e muros com a rapidez do toque de um dedo. Foi para isso que lutamos? o que construímos? Para onde estamos indo?. Essas perguntas sempre existiram, só que nesse momento, a rede está mais estendida e o sofrimento ampliado.



Jô A. Ramos

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CURSO ALEGRIA DE VIVER-ACALMANDO A MENTE




Uma mente tranqüila e um coração alegre nos ajudam a viver com mais harmonia e felicidade. E nada melhor do que as instruções de um grande mestre como Yongey Mingyur Rinpoche para nos ensinar esse caminho em direção a um estado mais sereno e equilibrado.

Mingyur Rinpoche, autor do bestseller " A Alegria de Viver", é hoje um dos mais conhecidos e célebres mestres de meditação da nova geração de monges tibetanos. Seus ensinamentos, aliando clareza e bom humor, tem sensibilizado pessoas em diversos países do mundo, mostrando os métodos necessários para que qualquer um possa atingir esse equilíbrio interno.

O Curso Alegria de Viver – Acalmando a Mente é apropriado para pessoas de qualquer fé ou crença, proporcionando uma excelente introdução à meditação para alunos novos e uma oportunidade valiosa para aprofundar a prática para meditadores mais experientes.
O programa inclui vídeos gravados exclusivamente para esse curso por Mingyur Rinpoche e orientações ao vivo de Tim Olmsted, instrutor do Tergar Meditation Community.

Nos vídeos, Mingyur Rinpoche nos mostra como a meditação pode ajudar a criar uma mente tranqüila e um coração alegre. Com sua característica clareza e perspicácia, ele demonstra como usar qualquer situação, mesmo as que incluam dor física ou emoções difíceis, como uma porta para a paz interior.

Tim Olmsted é psicoterapeuta e instrutor do Tergar Meditation Community. Praticante de meditação desde 1977, viveu por 12 anos no Nepal, onde estudou com diversos mestres, inclusive Tulku Urgyen Rinpoche, pai de Mingyur Rinpoche. No momento ele é presidente do Fundação Pema Chodron, que apóia Gampo Abbey, o maior monastério budista da América do Norte. Tim tem viajado pelo mundo todo nos últimos 20 anos ensinando os princípios da meditação.

Em São Paulo, nos dias 19 e 20 de Novembro de 2011 (sábado e domingo), das 9 às 18hs: R$ 240,00 (Incluso taxa de inscrição, curso completo, almoços e coffee-breaks).
No Rio de Janeiro, nos dias 26 e 27 de Novembro de 2011 (sábado e domingo), das 9 às 18hs: R$ 280,00 (Incluso taxa de inscrição, curso completo, almoços e coffee-breaks).
Para maiores informações acesse: http://yongeybr.tripod.com

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Mais 1 jornalista é assassinado na luta contra o tráfico no Brasil



A falta de segurança e estrutura dada aos profissionais em áreas de risco resultou em mais uma morte na cobertura policial em favelas cariocas. No início da manhã deste domingo (6/11), o repórter cinematográfico da TV Bandeirantes Gelson Domingos, de 46 anos, foi atingido com um tiro no peito enquanto fazia imagens de uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na favela de Antares, na Zona Oeste do Rio.

O repórter cinematográfico, que era obrigado a exercer também a função de motorista do veículo da emissora – contrariando todas as normas de segurança em áreas de risco –, avistou um homem correndo com fuzil próximo a um beco. Gelson procurou proteção junto a uma árvore, começou a gravar mas recebeu um tiro no peito – que perfurou o colete à prova de balas. Seu corpo ainda foi levado para a UPA do Cesarão, em Santa Cruz. Na incursão, ele estava acompanhando de um repórter da TV Bandeirantes. Segundo relatos de profissionais que também cobriam a operação, o tiroteio era intenso e as equipes ficaram protegidas atrás de um muro.


Colete de repórter cinematográfico era do tipo II-A


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio teve acesso ao colete à prova de balas usado pelo repórter cinematográfico Gelson Domingos, morto no domingo com tiro no peito durante cobertura de operação policial na favela de Antares. É possível constatar que o equipamento é do tipo II-A.

Este tipo de indumentária protege contra tiros de armas como 9mm, com potencial bem abaixo dos fuzis usados em confrontos no Rio de Janeiro. Ao contrário do que a TV Bandeirantes afirmou, o equipamento não era do tipo III-A – que tem maior poder de defesa. “É de uma grande irresponsabilidade enviar um repórter para esta guerra urbana que vivemos no Rio com um equipamento deste tipo”, afirma o criminalista Nélio Andrade, que recebeu o colete através da família do jornalista.

O colete apresenta sinais de desgaste. Algumas inscrições não podem ser lidas a olho nu mas é possível verificar que a blindagem é 100% polietileno. A placa da parte da frente do colete, que foi perfurada, apresenta data de 2003. “A pessoa está completamente vulnerável com este equipamento”, diz o advogado. Conforme consta nas especificações na parte interna do material, o equipamento vence em outubro de 2013.

De acordo com o advogado, ainda nesta segunda-feira (7/11) o colete, que apresenta marcas de sangue e tem um pedaço de gaze preso ao velcro, iria ser entregue à Polícia Civil. O representante da família vai procurar a emissora. “A Bandeirantes mente quando informa que o colete era III-A “, completa o advogado.

Ainda sobre a nota da emissora, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro jamais propôs um curso de treinamento ministrado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), como diz o texto da TV Bandeirantes. O curso, organizado pelo Sindicato, foi dado pelo International News Safety Institute (Insi).