sábado, 19 de fevereiro de 2011

ÚLTIMA ENTREVISTA DO MEU AMADO JOHN LENNON




John Lennon
A última entrevista
por Andy Peebles

No dia 6 de Dezembro de 1980, John Lennon deu uma entrevista amiga de 3 horas para Andy Peebles, repórter da BBC. Nesta entrevista, ele falou sobre Os Beatles, Yoko, drogas e seus planos para o futuro. 4 dias depois ele estava morto. Abaixo Peebles relembra seu tempo com John Lennon assim como alguns dos momentos mais memoráveis desta conversa...


É Andy Peebles quem recorda:

“Eu fui para Nova York entrevistar John Lennon no fim de semana do dia 6 de dezembro de 1980. Peguei este trabalho porque trabalhava exclusivamente com um produtor da BBC chamado Jeff Griffin. Jeff conhecia Bill Fowler que era o Chefe de Promoções da gravadora do John. Bill ligou e simplesmente perguntou ao Jeff se a BBC estaria interessada em fazer uma entrevista com John Lennon.

Jeff tinha um senso de humor muito seco e ácido e disse:

“Porque é que nós faríamos isto?”. Bill então respondeu:

“Porque ele está lançando um álbum novo (Double Fantasy, lançado em Novembro de 1980).

Então, peguei o serviço mas, se as circunstâncias tivessem sido diferentes, o trabalho poderia facilmente ter sido dado para “Kid” Jensen ou Peter Power (outros repórteres).

Voamos para Nova York na quinta-feira, 4 de dezembro. O grupo era formando, além de mim, por Bill Fowler, nosso Produtor Paul Williams e nosso Produtor Executivo Doreen Davis.

Na sexta-feira, na hora do almoço, tivemos um encontro com Yoko no Edifício Dakota. Ela foi bem durona e disse que tinha recebido muitas ofertas de outras estações de rádios. Recordo-me que perguntei se havia alguma chance de nós entrevistarmos John mais cedo e ela disse:

“Não! Vocês encontrarão com ele amanhã.” Ela tinha aquele sorrisinho forçado parecendo mesmo com uma diretora de escola.

O plano era fazer a entrevista no sábado ao meio dia, nos Estúdios The Hit Factory. Quando nós chegamos lá, havia uma mensagem pedindo desculpas e dizendo que eles tinham trabalhando até tarde, mixando o que acabaria sendo uma música da Yoko chamada Walking On Thin Ice (Caminhando Sobre Gelo Fino). Pediam que voltássemos mais tarde às 6 da noite.

Sendo um pessimista, recordo-me que disse:

“Pronto! É isto aí! Não vai acontecer!”

Bom, passamos as próximas horas, fazendo compras e andando pelas ruas de Manhatan mas, sempre preocupados se a entrevista iria acontecer ou não.

Nós retornamos para o The Hit Factory às 10 para as 6, tentando ser calmos e profissionais e lá estava ele.

John estava usando uma calça jeans preta e uma blusa preta bem justa. Ele tinha estado fazendo uma dieta macrobiótica, tinha perdido peso e estava usando um corte de cabelo diferente. Me pareceu que ele estava em grande forma. Suas primeiras palavras foram:

“Obrigado por virem... Eu estava querendo muito fazer isto. É uma coisa bem nostálgica porque eu realmente amo a BBC.”

Naquela sexta-feira Yoko tinha dito que nossa entrevista seria de apenas 1 hora e que 50% deveria ser à respeito dele e 50% à respeito dela. Mas, quando a entrevista começou John Lennon deu partida como se estivesse num carro da Formula 1 e Yoko raramente teve chance de falar.

Eu, sentado, e só pensando: "Isto vai ser interessante! Será que ela vai interrompe-lo?" Mas, ela ficou hipnotizada pelo que John estava dizendo e ficou ali sentadinha quietinha. Isto encorajou-me e também encorajou John. Eu não sei se John estava sendo controlado mas claramente ele tinha um enorme respeito pela Yoko. John era o artista mas, quem estava rodando o show, os negócios, era Yoko.

Antes da entrevista Paul Williams e eu tínhamos tido uns bate-bocas amigos à respeito de como seria feita a entrevista. Paul queria fazer uma retrospectiva completa da carreira do John. Eu achava isto ridículo porque nós só tínhamos 1 hora.

Depois de 1 hora e meia de entrevista eu perguntei ao John se ele queria parar:

“Não! Eu estou amando isto e tenho muito mais coisas para dizer.” Foi sua resposta.

Eles mandaram vir comida chinesa mas, a comida esfriou do lado da mesa porque ele não parava de falar.

No final a entrevista durou 3 horas. Olhando para o passado, hoje vejo que a coisa poderia ter sido melhor mas, no geral, sou orgulhoso do resultado final.

John foi incrivelmente honesto e falou de tudo: Da sua infância, da sua atitude para com as mulheres (A Yoko gostou da frase que ele usou dizendo “Viajem de Macho”), do Paul McCartney, dos abortos naturais da Yoko e como ele foi “cold turkey” com as drogas.

Nota do Barbieri: Cold Turkey (Peru Frio) é uma gíria que é usada para definir a pessoa que consegue deixar um vício, de imediato. Interrompe e pronto. A pessoa deixa o vício não gradualmente, de uma só vez e, sem a ajuda de medicamentos.

Teve duas coisas que eu deveria ter perguntado mas, não perguntei:

A primeira foi sobre sua primeira esposa Cynthia. Mas, como é que você vai perguntar sobre a primeira mulher quando a atual está sentada do lado da pessoa?

A outra pergunta foi sobre a May Pang, a assistente pessoal da Yoko e do John.

Lennon teve um caso que começou em 1973 e durou vários meses. Mas naquela época esta história era apenas um rumor e ainda não era de domínio público.

Depois da entrevista nós fomos para um restaurante chinês chamado Mr Chow. Eu não me lembro o que foi que o John comeu, somente que ele foi muito cuidadoso com a sua escolha. Lá, nós continuamos conversando. Durante o jantar, ele nos perguntou quem eram os grandes produtores de shows na Inglaterra. Respondi à sua pergunta e ele olhou direto na minha cara com uma expressão séria e disse:

“Você acha que algum deles estaria interessado em nos produzir?”

Eu respondi:

“Você está louco?” John, então explicou:

“Você tem que entender que eu estou uma década longe da Grã-Bretanha. Eu não tenho idéia do que está acontecendo lá!”

Nós nos despedimos do lado de fora do restaurante. Eram lá pelas 2 e meia da manhã. Nós tomamos o avião às 7 horas da noite da segunda no Aeroporto JFK.

Eu acho que nós já estávamos no meio do caminho, sobrevoando o Oceano Atlântico quando Mark Chapman puxou o gatilho.

Nós chegamos em Londres, no Aeroporto de Heatrow lá pelas 6 da manhã e eu liguei para minha mãe. O rádio relógio dela tinha o alarme sempre acertado para a Rádio BBC 4 e foi enquanto eu falava com ela que ela ouviu a notícia anunciando que John tinha recebido vários tiros. Ao mesmo tempo, Paul Williams estava no outro telefone público conversando com sua esposa. Eu vi de repente ele deixar cair o telefone. Ele disse:

“Atiram no John!” Eu perguntei:

“John quem? E, ele respondeu:

“John Lennon!”

Sempre penso que, na sexta-feira, quando fomos lá no Dakota, Mark Chapman possivelmente estaria lá fora.

Eu percebi que John tinha guardas armados como segurança. No restaurante eu percebi que um deles tinha uma arma na jaqueta. Muita gente em Nova York carrega armas. Então eu perguntei sobre isto:

“Você sabe o que é sentir que eu posso caminhar para fora daqui agora, caminhar pela rua e ouvir as pessoas dizerem: Oi John, tudo bem?” Foi sua resposta

Ele nunca poderia imaginar!”

Leia abaixo a última estrevista dada por John Lennon
Sobre David Bowie...

Lennon: “Eu não posso pensar em ninguém, inglês ou norte americano que eu prefira realmente andar junto. Nos envolvemos desde que nos conhecemos e nós somos totalmente auto controlados. Quando Elton John, David Bowie ou Mick Jagger estão por perto e com vontade de se mixar, nós nos encontramos com eles. Eu quero dizer, somente Bowie está na cidade. Eu vou ver Elephant Man. Eu considero ele um amigo e um confidente”

A peça Elephant Man (Homem Elefante) estreou na Broadway no Booth Theatre, em setembro de 1980 com David Bowie no papel principal fazendo o papel de John Merrick. Mark Chapman assistiu a peça dois dias antes de assassinar John Lennon. A polícia achou o programa do teatro no meio das suas coisas pessoais.

Sobre a música Cold Turkey...

Lennon: “Cold Turkey foi proibida. Eles pensaram que foi uma música à favor das drogas. Mas, eu sempre falei do que estou sentindo e pensando num dado momento. Então, eu somente estava falando da experiência que eu tive quando estava largando da heroína. Para mim, é uma versão rock’n’roll do filme The Man With The Golden Arm (O Homem Com o Braço de Ouro) porque mostrava Frank Sinatra sofrendo quando deixava a droga.”

A música Cold Turkey foi lançada em outubro de 1969 como compacto simples pela Plastic Ono Band. A música foi banida pela BBC no Reino Unido em 1969 e também nas rádios Norte Americanas. The Man With The Golden Arm foi um filme lançado em 1955 estrelando Frank Sinatra como um viciado em heroína lutando para ficar “limpo” depois de ter passado um tempo na prisão.

Sobre problemas com a polícia por causa de drogas...

Lennon: “Agora, eu estou fichado para sempre por causa deste policial que pegou eu e a Yoko. Ele também pegou o Brian Jones e os Rolling Stones. Ele era um caçador de cabeças procurando ficar famoso. Foi tudo uma armação! Os jornais Daily Mail e Daily Express chegaram lá antes da polícia. Foi ele que chamou a imprensa. Na verdade, Don Short, 3 semanas antes, nos tinha avisado que eles iam nos pegar. Então, acredite-me que, eu “limpei” a casa toda porque, Jimi Hendrix tinha vivido neste apartamento antes da gente e, eu não sou estúpido. Eu chequei inteirinha a maldita casa!”

O Sargento Detetive Norman “Nobby” Pilcher foi o oficial que comandou a “batida” no apartamento alugado no número 38 da Praça Montagu em Londres onde moravam John e Yoko. Lennon foi autuado em flagrante por posse de maconha e recebeu uma multa no valor de 150 libras. Em 2005, um documento confidencial da Scotland Yard veio à público e revelou que o então Home Secretary tinha feito críticas aos métodos usados por Pilcher. Pilcher foi preso em 1973 e sentenciado à 4 anos de prisão por perjúrio. Don Short foi um jornalista do jornal Daily Mail. Don Short foi o inventor da palavra “Beatlemania”.

Sobre ele ter influenciado o Punk...

Lennon: (Enquanto falava sobre seu concerto feito para a UNICEF no Natal de 1969 realizado no Lyceum em Londres) “Este foi um show bem pesado, muita gente do público foi embora. Mas, aqueles que ficaram pareciam que estavam em transe. E, eu sempre penso que alguns daqueles garotos formaram algumas destas banda loucas mais tarde porque, tinham uns 200 garotos entre 13, 14, 15 que estavam olhando para a Yoko e do jeito que nós estávamos tocando Don’t Worry, Kyoto. Eu escuto muito toques do nosso som em um monte de Punk e New Wave por aí. Eu adoraria saber: Será que eles estavam na audiência? E, será que alguém foi para Londres e montou uma banda lá porque eu estou certo como o inferno que soa exatamente como isto.”

Don’t Worry, Kyoto - Mummy’s Only Looking For A Hand In The Snow (Não Se Preocupe, Kyoto – Mamãe Somente está Buscando Por Uma Mão Na Neve) foi uma música de 1971 pertencente ao álbum da Yoko chamado Fly. Ela foi dedicada a Kyoko Cox, filha do Yoko com o artista Anthony Cox.

Sobre Power to the People (Poder para o Povo)...

Lennon: “Tarik Ali ficou vindo e pedindo dinheiro para a revista Red Mole e outras. Eu fiquei pensando: Bem, eu sou da classe trabalhadora e eu não sou “um deles” mas, eu sou rico e portanto eu tenho que colaborar. Então, toda vez que alguém dizia alguma coisa assim, eu metia a mão no bolso. Ele estava me extorquindo e, então eu escrevi Power to the People como um tipo de música com sentimento de culpa. Foi como uma canção manchete de jornal onde você escreve sobre o que está acontecendo agora, no momento. São as manchetes com as faltas e tudo o mais.”

Tarik Ali foi ativista e escritor Paquistanês com nacionalidade britânica que entrevistou Lennon para a revista Red Mole em 1971. O compacto do John Lennon com a música Power to the People esteve entre as 10 mais das paradas de sucessos em 1971.

Sobre Paul McCartney...

Lennon: “Eu usei o meu ressentimento contra o Paul, um tipo de rivalidade, um ressentimento tipo de irmão da juventude para escrever uma música. Era uma rivalidade criativa... não era uma vingança viciosa... mas, eu senti ressentimento. Então eu usei esta situação do mesmo jeito que eu fiz quando estava deixando a heroína para escrever Cold Turkey. Eu usei meu ressentimento e o fato de estar deixando o Paul e Os Beatles para escrever How Do You Sleep? (Como é que você dorme?)”

A música How Do You Sleep? Apareceu no álbum Imagine lançado em 1971 e inclui algumas cotuveladas no seu antigo companheiro: “A única coisa que você fez foi yesterday (ontem)” e “O som que você faz é muzak para os meus ouvidos”. Na semana depois da morte do Lennon, Andy Peebles foi contatado pelo produtor dos Beatles, George Martin:

“Eu recebi uma chamada telefônica do George, pessoa que eu nunca tinha conversado antes, pedindo para que eu fizesse uma visita ao Air Studios em Londres onde o Paul, McCartney queria conversar comigo”. Lembra-se Andy Peebles que continua:

“Desculpe-me Paul mas, se eu não me engano, o que você queria dizer pra mim é que o John ainda gostava de você”.

Sobre a Plastic Ono Band...

Lennon: “A banda Plastic Ono Band foi uma concepção da Yoko e era uma banda imaginária. Foi supostamente uma festa para comemorar a gravação do Give a Peace a Chance que foi a primeira gravação. Mas, nós tivemos um acidente com o carro e não pudemos comparecer. Então, no salão, no lugar onde eles fizeram a festa para a Plastic Ono Band, toda a imprensa veio para encontrar-se com a banda mas, o que encontraram foi uma câmera apontando para a imprensa e, projetando eles mesmos no palco.”

Música Give a Peace a Chance chegou ao topo das paradas em julho de 1969. A música foi gravada por John, Yoko e vários convidados célebres em um quarto do Hotel Queen Elizabeth em Montreal no Canadá onde eles estava fazendo a “instalação” Na Cama Pela Paz. O acidente de carro aconteceu em julho de 1969 na Escócia (Highlands). Lennon bateu com seu carro, um Austin Maxi, machucando-se e ainda ferindo Yoko e sua filha Kyoto. Seu filho Julian teve que ser tratado por “shock”.

Sobre violência...

Lennon: “A primeira cobertura nacional dos Beatles aconteceu quando eu bati no Bob Wooler na festa de 21 anos do Paul porque ele andou dizendo que eu era homossexual. Eu devia ter algum medo de que talvez fosse homosexual para ter atacado o cara desta forma. Mas, eu estava muito bêbado e bati mesmo. Poderia mesmo ter matado alguém e isto assustou-me. Isto apareceu no Daily Mirror, foi na última página.”

Bob Wooler foi o DJ de Liverpool que apresentou Os Beatles para aquele que viria a ser o empresário da banda, Brian Epstein. Lennon tinha ido recentemente de férias para a Espanha com Epstein que era homossexual. Wooler fez uma brincadeira dizendo que aquelas férias tinha sido uma “Lua de Mel”.

Sobre o “The Lost Weekend” (Fim de Semana Perdido)...

Lennon: “Eu poderia ter lidado com a separação (da Yoko em 1973) de qualquer outra forma. Eu simplesmente fiquei partido e a única coisa que eu soube fazer foi ir juntamente com Harry Nilsson, o pobre Keith Moon e outros para o bar e encher a cara. Olhando para trás, parece engraçado mas, foi uma coisa muito miserável. Eu nem bebo mais porque isto me assusta. Hoje, até um copo de vinho me derruba.”

Durante os 18 meses que duraram a separação do John com a Yoko, Harry Nilson foi um dos parceiros regulares do John na bebida. Neste período os dois homens moraram na Califórnia. John produziu para Harry Nilson o álbum chamado Pussy Cats lançado em 1974. Foi neste álbum que Nilson famosamente rompeu uma das suas cordas vocais.

Sobre a sua volta ao vivo com Elton John e o reencontro com Yoko...

Lennon: “Elton estava na cidade eu estava fazendo a música Whatever Gets You Thru The Nigth (Qualquer Coisa Que Ajude a Passar a Noite). Eu precisava de ajuda com uma harmonia. Ele veio, fez a harmonia para mim e ficou falando em tom de brincadeira que iria fazer este concerto no Madison Square Garden e disse:

“Você faria o show comigo se esta gravação chegasse à número 1?” Eu aceitei porque pensei que esta música não tinha chance nem no inferno. Mas, 1 ano depois ele veio para mim e disse:

“Ok! Agora é a sua vez de pagar as suas contas!” Bom, eu fui lá e cumpri minha parte. Eu fiquei surpreendido de ver como o público foi tão gentil para comigo. Eu não sabia que ela (Yoko) estava na platéia. Eu não teria coragem de me apresentar se soubesse que ela estava lá. Eu fui para o camarim e lá estava ela. Nós voltamos juntos naquela noite.”

A música Whatever Gets You Thru The Nigth foi a única música solo do John que chegou à número 1 em toda sua carreira. Ela foi lançada em outubro de 1974. Foi no dia 28 de novembro de 1974 que John, juntamente com Elton John, fez a sua última maior apresentação ao vivo.

Sobre o seu segundo filho Sean...

Lennon: “Mick (Jagger) fez todo este falatório no jornal The Observer que eu li em Tokyo, porque eu passei a metade dos primeiros 3 anos do Sean no Japão. Ele disse:

“Vamos lá John! Cai fora daí”. Ele estava me atacando mas seu ataque não “cortava” nada. Ele disse:

“Eu gosto muito do John mas, ele está escondendo-se atrás do Sean. Porque é que ele não coloca nem o dedo para fora de casa. A Yoko deve manter ele trancafiado.””

Sean Lennon nasceu no dia 9 de outubro de 1975, o dia do nascimento do John. Ele fez a sua estréia musical 1 ano depois da morte do seu pai, tocando no álbum da sua mãe Yoko chamado Season of Glass, lançado em 1981.

Sobre feminismo...

Lennon: “Eu aprendi a fazer pão. Eu estava fornecendo o pão para Yoko e o bebe. Isto aconteceu por mais ou menos 9 meses. Sempre teve um lado de mim que sempre foi servido pelas mulheres. Foi minha Tia Mimi ou outras mulheres e namoradas. Foi uma grande experiência. Eu aprecio o que as mulheres fizeram por mim em toda a minha vida.”

Tia Mimi cujo nome era Mimi Smith foi a tia maternal e guardiã do Lennon.

Sobre o seu primeiro filho Julian...

Lennon: “Com Julian, meu primeiro filho, eu voltei para casa e tinha este menino com 12 anos que eu nunca tive nenhuma amizade. Agora ele está com 17 e nós estamos desenvolvendo uma amizade porque eu posso falar de música e de qualquer coisa que ele estiver interessado.”

Julian é o primeiro filho do Lennon. Ele nasceu em 1963 do seu casamento com sua primeira esposa Cynthia Powell.

Sobre John Cleese...

Lennon: “O seriado da TV Fawlty Towers é um dos maiores programas que eu assisto em muito anos. Que cara! Ele é grande! Eu o vi explicando como ele tem só meia hora para fazer o programa e que faz um por semana. Mas, que obra de arte, uma coisa muito bonita.”

Os episódios da série Fawlty Tower foram ao ar de 1975 à 1979. Tratava-se de uma comédia estrelada por John Cleese que também era o produtor. A história girava em torno de um hotel e seu dono muito louco. John Cleese também escreveu e estrelou no filme Monty Python chamado Life of Brian (Vida do Brian) produzido pela Hand Made Films, uma companhia formada por, entre outros, nada mais nada menos do que, George Harrison.

Sobre sua composições...

Lennon: “Eu comecei desde o álbum Mother em diante tentando cortar fora todas as imagens, pretensões de poeta e ilusões de grandiosidade. Simplesmente digo o que é, uso um inglês simples, coloco uma rima e uma pulsação nela. O povo lá do norte da Inglaterra é mais direto, “na lata” então, eu estava só tentando escrever do jeito que eu sou.”

Mother é a música do álbum John Lennon/Plastic Ono Band lançado em 1970 em que Lennon acusa os seus pais de o terem abandonado. Sua mãe morreu atropelada quando ele tinha 17 anos.

Sobre música moderna...

Lennon: “Quando eu estava em Bermudas um cara que trabalhava para mim chamado Fred Seamen mostrou-me o som da banda B-52. Ele colocou numa fita cassete mais eu não escutava. Acabei apagando tudo. Mas, ainda lá em Bermudas falei:

“Fred onde está todo aquele material que você me deu? Vai lá e trás tudo de novo!”

Então ele me trouxe Madness, B-52, Pretenders e eu achei ótimo. Eu não queria ouvi-los antes mas agora eu quero saber tudo que está acontecendo!”

Fred Seamen foi assistente pessoal do John e da Yoko. Depois da morte do John ele foi condenado por roubar coisas do casal, incluindo os diários do John. Quanto à banda B-52, Fred Seamen levou John Lennon para ver a banda num clube em Nova York. Lennon dizia que a música do B-52 chamada Rock Lobster lembrava-o da música feita pela Yoko. Lennon disse na entrevista ao Andy Peebles:

“Eles estudaram a música da Yoko! Eles admitiram!”

Sobre gravarem outro álbum depois do Double Fantasy...

Lennon: “Temos várias idéias e planos na nossa cabeça no momento. Nós já temos a metade do próximo álbum e provavelmente, depois do natal, nós iremos gravá-lo.”

O próximo álbum, póstumo, chamou-se Milk and Honey (Leite e Mel) e finalmente foi lançado em 1984 contendo as últimas gravações de John Lennon junto com Yoko Ono.

Sobre viver em Nova York...

Lennon: “No princípio quando nós mudamos para cá, nós moramos em Greenwish Village. Eu andava pela área todo tenso, esperando que alguém me dissesse alguma coisa ou pulasse em cima de mim. Levou dois anos para que eu relaxasse! Eu quero dizer, o povo vem e pede um autógrafo ou diz oi mas não me perturba.”

Antes de mudarem para o Edifício Dakota em maio de 1973, John e Yoko viveram por quase dois anos num apartamento no número 105 da Bank Street no bairro Greenwish Village em Nova York.

YOKO ONO


Meus queridos leitores...

No dia 9 de outubro, meu marido completaria 70 anos.

Os últimos trinta anos depois do seu falecimento foram, para mim, anos cheios de emoções extremas. Mas, uma coisa que eu não fiz, foi ficar contando os anos para saber quantos anos John teria se estive vivo. Para falar a verdade, eu não posso acreditar que John estará fazendo 70 anos! Mas, ele está!

Ele e eu fomos parceiros na batalha para trazer paz para o mundo. Nós, literalmente, "fomos para cama pela vida", quando nós fizemos “na cama pela paz e amor”. A música Give Peace a Chance (Dê Uma Oportunidade Para a Paz) foi composta e gravada naquela cama.

Então, quando John caiu no campo de batalha, tudo que eu pensei foi continuar por nós dois. Continuar para tentar fazer um mundo pacífico. Por isto, nenhuma marca de envelhecimento chegou até nossas almas.

Então, eu fiquei surpreendida que John faria verdadeiramente 70. Eu também fiquei surpresa com as muitas cartas chegando, logo no começo deste ano, de várias partes do mundo, cada uma delas, com as pessoas informando-me que, do seu jeito criativo, pretendiam comemorar o aniversário do John. Isto me incentivou à fazer a minha parte também.


Eu passei a maior parte do ano passado escutando as músicas incríveis do John. Eu trabalhei com a grande ajuda de Allan Rouse do Abbey Road Studios juntamente com seu grupo de engenheiros brilhantes preparando uma série de lançamentos para a celebração deste outubro.
Às vezes, absorvida pelo poder das letras do John ou a força tão bonita da sua voz, descobri que estava dirigindo-me à ele, meu parceiro nesta vida, pedindo algum tipo de conselho, algum tipo de ajuda ou, simplesmente para dizer para ele que ele era uma criatura maravilhosa... e ele não estava lá.

Mas, através do seu catálogo musical que eu realmente acredito é insuperável, John deixou uma marca definitiva em nossas vidas. Sua influência está por todo os lados e cresceu de estatura através das décadas. Suas músicas são parte de nós, nossas vidas moldadas e definidas por elas. Ele continua um artista essencial, um rebelde de Liverpool que mudou o mundo.

Eu amo John!

Seja bem-vindo à esta edição muito especial na qual eu contribui com minhas próprias memórias.

No dia 9 de outubro, por favor, junte-se à mim relembrando John Lennon. Junte-se à mim com alegria nos seus corações pelo que ele nos deixou: A música, a atitude e o conhecimento de que juntos nós podemos mudar o mundo.

Imagine a Paz

Love

Yoko Ono


Tradução e adaptação de Antonio Celso Barbieri

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A VIDA É COMO UM PIQUENIQUE-PORTÕES DA PRÁTICA BUDISTA

CHAGDUD TULKU RINPOCHE


A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo — ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango…, que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.

Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.

Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?

Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser.

Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras — apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

Chagdud Tulku Rinpoche, em “Portões da Prática Budista“.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

VIVA O LUTO- A ATRIZ MARCIA CABRITA FALA DO CÂNCER:"NÃO TIREI DE LETRA, A MULHER MARAVILHA MORA NA TELEVISÃO, EU MORO NA GÁVEA"


Por Márcia Cabrita


Eu fiquei gravemente doente. Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma idéia estapafúrdia de que quem está com câncer tem que, pelo menos, parecer herói. Nãnãninã não! Quem recebe uma notícia dessa não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguiria. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Olhava-me no espelho branca, magrela e de cabelos curtinhos (antes de caírem) e achava que estava pronta para fazer figuração em "A lista de Schindler". Achava que não tinha chance de sobreviver à cirurgia, só pessoas que não tinham maus pensamentos sobreviviam. Muitas vezes deixei de comprar coisas pra mim porque tinha que deixar tudo para minha filha. Bem, se na minha cabeça era esse o pensamento que reinanva... Sem chance.


O mundo moderno é incrível. Tudo é maravilhoso, não existe sofrimento! As separações são sempre amigáveis e sem lágrimas, as mães não têm mais o direito de embarangar e ficar em casa lambendo a cria. Um mês depois estão lindas magras, com barriga sarada! Os atores não ficam desempregados, estão sempre felizes com um convite que ainda não pode ser revelado! Quimioterapia é moleza! Vem cá só eu que moro na Disney?


Hoje percebo que precisei viver esse luto. Esse passou. Apesar do medo, fui confiante para o hospital. Mas outras angústias vieram. Sofri pelo que é "o de menos", chorei pelos cabelos, pelas sobrancelhas, pelos cílos e pelo... resto que vocês sabem. Chorei pelas dores, enjoos, injeções e tudo mais. Eu me dei esse direito. Eu me dei o direito de ser humana. A Mulher Maravilha mora na televisão, eu moro na Gávea mesmo. A Mulher Maravilha dá aquele giro e sai linda e poderosa correndo pra salvar pessoas. Se eu fizesse a mesma coisa, cairia estabacada com a careca no chão. Então meu giro foi bem devagarzinho, segurando na mão da minha mãe, minha irmã e de meus queridos amigos e familiares. Girei amparada por Dr. Eduardo Bandeira, Dra. Virgínia Portas, Dr. Celso Portela e todos os enfermeiros e profissionais de saúde que foram maravilhosos comigo. Girei rindo e chorando com centenas de comentários no meu blog em que virei praticamente uma conselheira oncológica. Girei brincando com minha filha, que fez questão de irà escola de lenço na cabeça "igual a mamãe, porque é muito legal". Girei para salvar a mim mesma.


Sinceramente, não acredito em uma seleção divina. Muitas pessoas bacanas e crianças morrem, e isso não é nem um pouquinho justo. Acho um saco quando dizem "fulano perdeu a batalha contra o câncer", "fulana tem tanta vontade e alegria de viver que foi salva" ou "o amor por meus filhos me salvou". Me parece tremendamente injusto.


Quer dizer que quem morre não amava a vida? O amor pelos filhos não era grande o suficiente? A fé foi pouca? Pensamento bem cruel, não é? É uma coisa bem esquisita, isso só ocorre com o câncer, a única doença tão estigmatizada. Ninguém diz que alguém perdeu a batalha para o enfarte, nem que amava tanto a vida que ficou bom da tuberculose.


Re-mis-são. Estou em remissão. Quem não apresenta mais sinais da doença não pode sair gritando que está curada, então saio correndo e gritando que estou em remissão!!!! Eba! Remissão é muito bom!!!


Vi uma foto minha na internet com meus companheiros de "Subversões", Aloísio e Salem, em que estou com um largo sorriso. Eu estava verdadeiramente feliz. Sem a pílula da felicidade, sem fingir meus sentimentos, sem bancar a maravilhosa. Era eu simplesmente feliz. E agora, chega desse assunto! Eu sou atriz e Tô mais preocupada com um convite que não pode ser revelado!


Fonte: Jornal O Globo - Revista 30/01
Márcia Cabrita é autora do blog Força na Peruca E está em cartaz nas peças "Subversões 21" e " Tango, bolero e tcha tcha tcha"

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

RUBBISH! É A RESPOSTA DO BIOGEÓGRAFO JARED DIAMOND PARA OS CÉTICOS DO CLIMA


Rubbish! É a resposta - em bom inglês - do biogeógrafo americano Jared Diamond para a pergunta sacada com frequência pelos "céticos do clima" no afã de congelar o debate ambiental: o aumento da temperatura do planeta, ao qual se atribui a intensificação dos ciclos de calor e frio testemunhada hoje por toda a parte, pode ser o resultado de um ciclo natural da Terra? Rubbish - lixo, besteira. "A ideia de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje são naturais é tão ridícula quanto a que nega a evolução das espécies", fustiga o autor de Colapso (Record, 2005), um tratado multidisciplinar de 685 páginas na edição brasileira que analisa as razões pelas quais grandes civilizações do passado entraram em crise e virtualmente desapareceram. E a questão assustadora que emerge de seu olhar sobre as ruínas maias, as estátuas desoladoras da Ilha de Páscoa ou os templos abandonados de Angkor Wat, no Camboja, é: será que o mesmo pode acontecer conosco?

A resposta de Diamond, infelizmente, é sim. Ganhador do Prêmio Pulitzer por sua obra anterior, Armas, Germes e Aço (Record, 1997), em que focaliza as guerras, epidemias e conflitos que dizimaram sociedades nativas das Américas, Austrália e África, o cientista americano há anos nos adverte sobre os cinco pontos que determinaram a extinção de civilizações inteiras. O primeiro, é a destruição de recursos naturais. O segundo, mudanças bruscas no clima. O terceiro, a relação com civilizações vizinhas amigas. O quarto, contatos com civilizações vizinhas hostis. E, o quinto, fatores políticos, econômicos e culturais que impedem as sociedades de resolver seus problemas ambientais. Salta aos olhos em sua obra, portanto, a centralidade que tem a ecologia na sobrevivência dos povos.

Foi na semana subsequente à pior catástrofe natural da história do País, na região serrana do Rio de Janeiro - a mesma em que um arrepiante tornado surgiu nos céus de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense -, que Jared Diamond falou por telefone ao Aliás. Às vésperas do lançamento no Brasil de um de seus primeiros livros, O Terceiro Chimpanzé (1992), o professor de fisiologia e geografia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fala das providências cruciais que o ser humano deverá tomar nos próximos anos para garantir sua existência futura. Diz que as elites políticas, seja nos EUA, na Europa, nos países pobres e nos emergentes, tendem a tomar decisões pautadas pelo retorno em curto prazo - até um ponto em que pode não haver mais retorno. Avalia que o Brasil dos combustíveis verdes tem sido "uma inspiração para o mundo", mas também um "mau exemplo" na preservação de suas florestas tropicais. E fala da corrida travada hoje, cabeça a cabeça, entre "o cavalo das boas políticas e aquele das más", que vai determinar o colapso ou a redenção das nossas próximas gerações.

O Brasil enfrentou tempestades de verão que mataram mais de 700 pessoas. Debarati Guha-Sapir, do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres da ONU, disse que o tamanho da tragédia é indesculpável, pois o País tem apenas um desastre natural para gerenciar. Como evitá-lo no futuro?


Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias humanas relacionadas a mudanças climáticas. O clima se tornará mais variável. O úmido será mais úmido e o seco, mais seco. A Austrália, por exemplo, acaba de sair da maior seca de sua história recente e agora enfrenta o período mais úmido já registrado no país. Em Los Angeles, onde moro, recentemente tivemos o dia mais quente da história e, há algum tempo, o ano mais chuvoso e também o mais seco que a cidade já viu.

Em seus escritos, o sr. aponta a Austrália como um país com estilo de vida antagônico às suas condições naturais. Mas, em comparação com o Brasil, os australianos se saíram melhor: enfrentaram a pior enchente em 35 anos, mas contabilizaram apenas 30 mortos. Como explicar isso?




É verdade que o modo de vida dos australianos não está em harmonia com suas condições naturais. Mas o estilo de vida dos americanos e dos brasileiros tampouco. O modo de vida do mundo não está em harmonia com as condições naturais deste próprio mundo. No caso da Austrália, o país fica no continente que tem o meio ambiente mais frágil, o clima mais variável e o solo menos produtivo. Mas a Austrália é um país rico e dispõe de mais dinheiro que o Brasil para criar uma infraestrutura que gerencie tais problemas. Em Los Angeles, onde as enchentes são recorrentes, não resta um rio em seu leito natural: todos receberam canais de concreto para reduzir o risco de enchentes. A minha casa fica literalmente em cima de um córrego coberto por uma estrutura de concreto. Nos 34 anos em que vivi nessa casa, apenas duas vezes a água invadiu o porão.

Em Colapso, o sr. lista cinco razões que explicam o declínio das sociedades. Elas continuam as mesmas?


Sim. Os cinco fatores que levo em consideração ao tentar entender por que uma sociedade é mais ou menos propícia a entrar em colapso são, em primeiro lugar, o impacto do homem sobre o meio ambiente. Ou seja, pessoas precisam de recursos naturais para sobreviver, como peixe, madeira, água, e podem, mesmo que não intencionalmente, manejá-los erradamente. O resultado pode ser um suicídio ecológico. O segundo fator que levo em conta é a mudança no clima local. Atualmente, essa mudança é global, e resultado principalmente da queima de combustíveis fósseis. O terceiro fator são os inimigos que podem enfraquecer ou conquistar um país. O quarto são as aliados. A maioria dos países hoje depende de parceiros comerciais para a importação de recursos essenciais. Quando nossos aliados enfrentam problemas e não são mais capazes de fornecer recursos, isso nos enfraquece. Em 1973, a crise do petróleo afetou a economia americana, que dependia da importação do Oriente Médio de metade dos combustíveis que consumia. O último fator recai sobre a capacidade das instituições políticas e econômicas de perceber quando o país está passando por problemas, entender suas causas e criar meios para resolvê-los.

O colapso da sociedade como hoje a conhecemos é evitável ou apenas prorrogável?


É completamente evitável. Se ocorrer, será porque nós, humanos, o causamos. Não há segredo sobre quais são os problemas: a queima exagerada de combustíveis fósseis, a superexploração dos pesqueiros no mundo, a destruição das florestas, a exploração demasiada das reservas de água e o despejo de produtos tóxicos. Sabemos como proceder para resolver essas coisas. O que falta é vontade política.

O Brasil tem feito sua parte?


Nunca estive no Brasil, portanto não posso falar a partir de uma experiência de primeira mão. Mas pelo que entendo, vocês adotaram uma solução imaginativa para a questão energética, com a produção de etanol. O Brasil é uma inspiração para o resto do mundo em relação aos carros flex. Por outro lado, mesmo que o País esteja consciente dos riscos de se desmatar a maior floresta tropical do mundo, muito ainda precisa ser feito. A Amazônia é muito importante para os brasileiros, pois ela regula o clima do país. Se a destruírem, o Brasil inteiro sofrerá com as secas.

De que maneira as elites tomadoras de decisão podem encabeçar a solução dos problemas ou ser responsáveis por conduzir sociedades à autodestruição?


Uma elite que foi competente em solucionar problemas é a composta por políticos dos Países Baixos, que têm grandes dificuldades com o manejo de água, já que um terço da área desses países está abaixo do nível do mar. A Holanda investiu uma quantidade enorme de dinheiro no controle de enchentes. Uma coisa que motivou os políticos holandeses é que muitos deles vivem em casas que estão sob o nível do mar. Eles sabem que se não resolverem a coisa vão se afogar com os demais. Outra elite razoavelmente bem-sucedida é a realeza do Butão, nos Himalaias. O rei butanês disse ao seu povo que o país precisa se tornar uma democracia quer queira, quer não. Ele também anunciou que a meta do país não é aumentar o PIB, mas elevar o índice que mede a felicidade nacional. Isso é verdadeiramente uma meta maravilhosa. Nos EUA, temos políticos poderosos com uma visão curta e destrutiva. Acho que contamos com um bom presidente, mas temos uma oposição cujos objetivos no presente momento se resumem a ganhar a próxima eleição presidencial e, repetidamente, tem negado a existência da mudança climática e do aquecimento global.

De que forma o declínio de sociedades antigas pode nos servir de lição?


Algumas sociedades do passado cometeram erros decisivos, outras agiram com sabedoria e tiveram longos períodos de estabilidade. Um vizinho de vocês, o Paraguai, é um exemplo de país que cometeu um erro crucial, há 120 anos: lutar simultaneamente contra Brasil, Argentina e Uruguai. Isso resultou na morte de 80% dos homens e um terço da população. Tomando como exemplo o Paraguai, precisamos aprender a adotar metas realistas. Podemos aprender também com os países que manejam bem seus recursos, como a Suécia e a Noruega, ou tomar como mau exemplo a Somália - que desmatou suas florestas e hoje sofre com a seca. Em defesa da Somália, podemos argumentar que o país não conta com um grande número de ecologistas capacitados, ao contrário de Brasil e EUA.

O sr. estudou a ascensão e queda de sociedades no passado, mas o que se discute agora é o futuro da própria humanidade. Sua teoria é capaz de explicar os desafios do mundo globalizado?


Sim. É verdade que esta é a primeira vez na história que enfrentamos o risco de o mundo inteiro entrar em colapso. No passado, o colapso do Paraguai, por exemplo, não teve nenhum efeito na economia da Índia ou da Indonésia. Hoje, até mesmo quando um país remoto, como a Somália ou o Afeganistão, entra em colapso isso repercute ao redor do mundo. Mas, por analogia, é possível tirar conclusões semelhantes.

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926-2001) enfatizou aspectos socioculturais para explicar os dilemas da sociedade, enquanto seu trabalho é considerado por alguns como geodeterminista. Aspectos culturais não teriam mais influência sobre o futuro das sociedades que os naturais?


Com frequência as pessoas me perguntam se isso ou aquilo é mais importante para explicar o declínio das sociedades. Questões como essas são ruins. É o mesmo, por exemplo, que perguntar sobre as causas que levaram ao fracasso de um casamento. O que é mais importante para manter um casamento feliz? Concordar sobre sexo ou dinheiro, ou crianças, ou religião, ou sogros? Para se ter um casamento feliz é preciso estar de acordo a respeito de sexo e crianças e dinheiro e religião e sogros. O mesmo se dá no entendimento do colapso de sociedades. Fatores culturais são importantes, mas diferenças ambientais não podem ser ignoradas. Por exemplo, as regiões Sul e o Sudeste do Brasil são mais ricas que a Norte. Isso é por causa do meio ambiente, não porque as pessoas no norte sejam burras e as do sul mais inteligentes ou cultas. A explicação é que o norte do país é mais tropical e áreas tropicais tendem a ser mais pobres porque têm menos solos férteis e mais doenças. O mesmo é verdade nos EUA, onde até 50 anos atrás o sul foi sempre mais pobre que o norte. Ao redor do mundo, esse padrão é repetido: países tropicais tendem a ser mais pobres que os de zonas temperadas.

Que sociedades estão em colapso hoje?

Todas as sociedades do mundo estão em risco de colapso. Se a economia mundial colapsar isso afetará todos os países. Nós vimos o que houve dois anos atrás, quando o mercado financeiro americano quebrou, afetando todas as bolsas do mundo. Então, embora todos os países estejam em risco de colapso, alguns estão mais próximos dele do que outros - por uma maior fragilidade ambiental, porque são menos maduros política ou ecologicamente ou por qualquer outro motivo. Por exemplo, o Haiti, que retornou agora às manchetes com a volta do ditador Baby Doc, viu seu governo virtualmente colapsar e continua em grande dificuldade. O México enfrenta dificuldades gravíssimas relacionadas a problemas ecológicos, com a aridez de suas terras, e políticos, com a onda de assassinatos ligada ao tráfico de drogas. Paquistão é um exemplo óbvio, Argélia, Tunísia, que também estão no noticiário... Do outro lado, dos países com menos risco de colapso estão a Nova Zelândia, o Butão e, na América Latina, a Costa Rica. Chile também vai bem. E o Brasil tem melhores perspectivas que vizinhos como a Bolívia, claro.

Países podem se recuperar do colapso?


O colapso normalmente não é definitivo. Houve colapsos no passado que foram sucedidos por retomadas. O Império Romano caiu e, apesar disso, a Itália é hoje um país de Primeiro Mundo.

A Europa, onde o debate a as leis de proteção ambiental mais avançaram, também entrou em crise. Quando isso ocorre, há risco de retrocesso nas políticas ambientais?


É possível. Muita gente sustenta que, quando a economia está fraca, não se consegue investir como se deve no meio ambiente. O colapso econômico de fato põe em risco os avanços em sustentabilidade. Só que os problemas ambientais só são fáceis de resolver nos estágios iniciais. Nesse ponto custam menos, mas se aguardamos 20 ou 30 anos, eles se tornarão muito caros ou impossíveis de solucionar.

Nos EUA, quando o presidente Obama condicionou empréstimos às montadoras americanas ao investimento em carros mais baratos e menos poluentes, a crise não ajudou?


Tanto as crises econômicas podem ter bons efeitos para a política ambiental como fazê-la retroceder. Nos EUA, antes do crash financeiro, estava muito em moda o Hummer, um jipe de 3 toneladas, versão civil de um veículo militar utilizado no Iraque. Era caríssimo e gastava horrores em combustível. Aparentemente, suas vendas despencaram e isso é um efeito positivo da crise econômica. Ainda assim, há americanos ignorantes que ainda insistem em dizer que, uma vez que estamos em crise, podemos deixar a agenda ecológica de lado.

Há modelos econômicos melhores e piores no que diz respeito aos danos ecológicos?


No momento em que falamos, tenho que dizer que o modelo econômico americano não parece ser o mais adequado. Por outro lado, somos uma democracia, com maus políticos, mas também bons - que denunciam os problemas que põem em risco o futuro. Numa ditadura comunista, por exemplo, isso seria impossível. Gosto do sistema capitalista porque ele pressupõe competição, inclusive de ideias. Mas aprecio também o papel do Estado em interferir no capitalismo, evitando os monopólios e enfrentando grupos cujos interesses vão de encontro aos da maioria da população. Em comparação, eu diria que o modelo europeu de capitalismo, mais socializado e comprometido com o bem comum, é atualmente a alternativa menos ruim.

Alguns cientistas afirmam que não se pode dizer ao certo que o aquecimento global seja culpa da ação do homem; pode ser parte de um ciclo natural da Terra.


Sabe a palavra inglesa rubbish? Significa lixo, mas é usada em linguagem coloquial em referência a ideias ridículas. O argumento de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje sejam apenas naturais é simplesmente ridículo. Tanto como aquele que nega a evolução das espécies. As evidências de que tais mudanças se devem a causas humanas são irrefutáveis. Os anos mais quentes registrados em centenas de anos se concentram nos últimos cinco que passaram. O planeta já enfrentou flutuações de temperatura no passado, mas nunca nos padrões registrados hoje. Não conheço um único cientista respeitável que afirme que as atuais mudanças de clima não se devam à ação humana. É por isso que eu digo: rubbish.

Seis anos depois do lançamento de Colapso, o sr. está mais otimista ou pessimista em relação ao futuro de nossa civilização?


Diria que me mantenho mais ou menos no mesmo nível. Tenho visto coisas ruins piorarem e boas tornarem-se melhores. O que mais me preocupa é que continuamos vendo um aumento vertiginoso do consumo no mundo, seja nos EUA, na China, na Índia ou no Brasil. O que me anima é que cada vez mais pessoas reconhecem a gravidade da situação e estão tomando iniciativas. Uma metáfora que gosto de usar é a da corrida de cavalos. Há dois deles correndo agora, o cavalo da destruição e o cavalo das boas políticas. Nestes últimos seis anos, eu diria que os dois têm corrido cada vez mais rápido, disputando cabeça a cabeça. Não sei qual vencerá a corrida, mas diria que as chances do cavalo do bem vencer são de 51%, enquanto o das más políticas tem 49%. E, se nossa destruição não é certa, nem um destino inescapável, é preciso saber que se não tomarmos medidas urgentes vamos ter grandes problemas.

A indústria do entretenimento mostra, cada vez mais, imagens do fim do mundo, prédios em ruínas, cidades abandonadas. Por que somos tão fascinados por nossa destruição?


Parte disso se deve à força romântica das imagens de civilizações passadas que entraram em colapso, como as ruínas dos maias, incas e astecas. Ou os escombros das guerras no Iraque e no Irã. E pensamos: quem construiu aqueles templos e monumentos, tinha uma cultura e arte admiráveis, podia imaginar que isso aconteceria? Por que essas civilizações entraram em colapso, sem poder evitar? E nos angustiamos: será que isso também vai acontecer conosco?

Fonte : Estadão

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

VIVIANE MOSÉ - É POETA DAS BOAS!



Poemas Presos

“A maioria das doenças que as pessoas têm
São poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras
calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima
Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.
Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.
Eu venho do espírito santo
Eu sou do espírito santo
Trago a Vitória do espírito santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.”

Viviane Mosé

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Julian Assange: Why the world needs WikiLeaks

Entrevista com Julian Assange Fundador de Wikileaks Legendado Português

http://www.ted.com/talks/lang/por_br/julian_assange_why_the_world_needs_wikileaks.html?awesm=on.ted.com_8knd

JULIAN ASSANGE- ENTREVISTA O criador do site WikiLeaks, o australiano Julian Assange, continuará preso em Londres. O Reino Unido negou nesta terça-feira (7) o pedido feito pelo jornalista de liberdade mediante fiança. http://www.ted.com/talks/lang/por_br/julian_assange_why_the_world_needs_wikileaks.html?awesm=on.ted.com_8knd O mundo precisa de atitudes como esta do jornalista Julian Assange. Afinal, para que serve o jornalismo se não for para publicações de informações consistentes? alguém tinha que ter tomado esta atitude:basta de políticas maquiadas, acertos por baixo dos panos, traições aos povos, conchavos dilacerantes e crimes contra os direitos humanos

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

WIKILEAKS- JORNALISTA BRASILEIRA CONVIDADA POR ASSANGE-TRAZ AO PÚBLICO BRASILEIRO DOCUMENTOS QUE INTERESSAM AO PAÍS

A jornalista brasileira do Wikileaks

Do Opera Mundi

Por dentro do Wikileaks: a democracia passa pela transparência radical


Por Natália Viana*

Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, oWikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português, com matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.

Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.


Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.

Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: "São a coisa mais importante que eu já vi", disse ele.

Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo.

Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta.

Documentos sobre Brasil

No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.

Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.

O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.

Impressões

A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial – e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas.

Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo – da Austrália ao Irã – vai conseguir reduzir o choque.

Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram "como o mundo funciona".

O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.

Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.

O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela "pode gerar insegurança" ou "atrapalhar o andamento das coisas". A imprensa simplesmente não tem esse direito.

É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de "irresponsável", "ativista", "antiamericano" e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial.

Uma ironia e tanto.

*Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi

sábado, 6 de novembro de 2010

BERTOLD BRECHT




Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VIVA AS MULHERES FAZENDO HISTÓRIA!!!!


Viva as Mulheres!


Selvino Heck *


Viva as mulheres que trabalham, se afirmam todos os dias e não têm medo de nada, nem do escuro, nem da sombra.
Viva as mulheres que nos tanques da vida lavam a roupa suja da opressão, da desigualdade e da injustiça.

Viva as mulheres que lutam pela igualdade, pelos mesmos direitos que o homem, mesmo salário e mesmas oportunidades.

Viva as mulheres guerreiras que se aventuram nos espaços mais inusitados e mostram sua capacidade com ternura e firmeza.

Viva as mulheres que se doam, não dormem por seus filhos que estão fora de casa ou no hospital, que crêem no amor e o vivem diariamente.

Viva as mulheres corajosas que enfrentam as turbulências da vida, às vezes a violência, e não se dobram, nem se curvam.


Viva as mulheres plantadoras da paz e do milho, dos frutos da humildade e da consciência cidadã.

Viva as mulheres que são belas e sorridentes, cantam e encantam, mexem com os corações e a alma.

Viva as mulheres com as mãos cheias de calos e feridas pelos tombos e quedas e que não se vergam ao cansaço e às tempestades.

Viva as mulheres, e sua incansável contribuição para o futuro de um outro mundo possível.

Viva as mulheres parteiras da liberdade, da democracia e da vida.

Viva as mulheres que anunciam o novo, e o regam e o cercam de flores e perfumes.

Viva as mulheres amantes, amigas, irmãs, mães, avós que não se entregam nunca ou se entregam totalmente.

Viva as mulheres e seu olhar de fogo e luz.

Viva as mulheres agricultoras e as que trabalham nas fábricas e nos lares, nas escolas e nas creches, nos hospitais e nos ônibus, nos campos de futebol e nas universidades, nos açudes e nos palácios, nas prisões e nas igrejas, na roça e na metrópole.

Viva as mulheres que choram e riem e deixam suas lágrimas rolar livremente.

Viva as mulheres que põem a semente na terra e no ventre e a conduzem à juventude e à maturidade.

Viva as mulheres guerrilheiras da esperança, da luta incansável por tempos de solidariedade e pelo alegre convívio dos diferentes.

Viva as mulheres donas do pedaço e do nariz.

Viva as mulheres governantes que cuidam de todos e todas, manhã, tarde e noite com dedicação e felicidade.

Viva as mulheres companheiras de todos os dias e todas as horas, na dor e na alegria, no sofrimento e na vitória.

Viva as mulheres cuidadoras do amanhã e suas incertezas, do que virá e suas belezas.

Viva as mulheres sonhadoras de uma utopia onde todos e todas são iguais, onde o amor seja o centro da vida e o construir junto forme a comunidade de irmãos e irmãs.

Viva as mulheres fazendo história.

Dilma Roussef, no seu primeiro discurso como presidenta eleita, disse: ‘...é uma demonstração do avanço democrático do nosso país, porque pela primeira vez uma mulher presidirá o país. Já registro, portanto, o meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras para que esse fato até hoje inédito se transforme num evento natural e que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis e nas entidades representativas de toda a nossa sociedade. A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é um princípio essencial da democracia. Eu gostaria muito que os pais e as mães das meninas pudessem olhar hoje nos olhos delas e dizer: ‘Sim, a mulher pode’.


* Assessor Especial do Presidente da República do Brasil. Da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política.

Fonte: EDITAL

domingo, 31 de outubro de 2010

DILMA ROUSSEFF-PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL-MOMENTO HISTÓRICO BRASILEIRO






Uma campanha intensa. Mulheres de todo o Brasil vestiram a camisa e foram para as ruas dizer, declamar, gritar: queremos Dilma presidente!!!!!!!!!!!!muitas, pela primeira vez. Os motivos foram os mais diversos. As brasileiras acompanharam de perto as mudanças sociais no país. Mais empregos, mais auto-estima, melhores condições de vida.

É emocionante estar viva para visualizar e sentir a realização de anos e anos de luta da mulher brasileira, em todos os sentidos. Chegamos lá e estamos bem representadas, tenho absoluta certeza.

Dilma é a guerreira que vence calúnias, foi presa, torturada e vítima de difamações- PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL-MOMENTO HISTÓRICO.


domingo, 24 de outubro de 2010

TODAS AS MULHERES ESTÃO CONVOCADAS A ELEGEREM A PRIMEIRA PRESIDENTA DO BRASIL:DILMA ROUSSEFF






Todas as mulheres brasileiras estão convidadas a lutar para eleger a primeira mulher presidente do Brasil. No próximo dia 31 DE OUTUBTO DE 2010, será o #dialilás, dia de mobilização da militância feminina em todo o País.

Portanto, não fique de fora! Procure a atividade em seu estado ou faça você mesma a mobilização em seu bairro, na porta do trabalho, em uma praça, na feirinha próxima a você. O importante é que, com criatividade e muita animação, nós mulheres vamos eleger Dilma Rousseff presidente.

É na reta final de campanha que temos que mostrar a coragem e a competência de Dilma. Mostrar que chegou a hora e a vez das mulheres governarem o Brasil. E ainda temos que defender esse projeto político que fez esse País ser reconhecido mundialmente, que tirou milhões de brasileiros da miséria, que melhorou a vida de todos sem distinção.

E, para marcar o dia, vamos todas usar usa peça de roupa lilás, essa é a cor símbolo do movimento feminista. Não deixe de ir às ruas. Leve sua bandeira, camiseta, panfleto e muita alegria, MAS PODE USAR VERMELHO, É UMA COR LINDA, TAMBÉM....rsrsrs. ATÉ A VITÓRIA!!!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

MULHERES RECEBERAM 60% DOS VOTOS À PRESIDÊNCIA



"Dilma e Marina se cumprimentam após debate no dia 30"
Dilma e Marina tiveram dez vezes mais votos que candidatas em 2006

Com duas mulheres, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), liderando a disputa pela Presidência da República, mais de 60% dos eleitores brasileiros que compareceram às urnas neste domingo votaram em candidatos do sexo feminino para o cargo, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com 99,99% das urnas apuradas, Dilma tinha 47.648.340 votos (42,85% do total, ou 46,9% dos votos válidos), e Marina tinha 19.635.814 votos (17,66% do total, ou 19,33% dos votos válidos).

Na eleição passada, em 2006, havia somente uma candidatura de maior destaque de uma mulher à Presidência, a de Heloísa Helena (PSOL), que recebeu 6.575.393 votos (6,27% do total, ou 6,85% dos votos válidos).

Naquela ocasião, havia também uma candidata de pouca expressão, Ana Maria Teixeira Rangel (PRP), que recebeu apenas 126.404 votos (0,12% do total ou 0,13% dos votos válidos).

Senado

O aumento na votação em mulheres para a Presidência também foi verificado na eleição para senadores.

Em 2006, quando cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal elegeram apenas um representante cada um ao Senado, foram três as mulheres eleitas senadoras. Nas eleições deste ano, quando cada Estado e o Distrito Federal elegeram dois senadores, foram eleitas oito mulheres no total.

Nas eleições para governador, em 2006 foram eleitas três governadoras, e outras duas mulheres chegaram ao segundo turno, mas acabaram derrotadas. Neste ano, duas mulheres foram eleitas governadoras já no primeiro turno, e outras duas ainda disputarão o segundo turno.

Apesar do aumento da votação em mulheres, os homens ainda dominam a política brasileira - algo não muito diferente do que acontece na maior parte do mundo.

Segundo dados da agência da ONU para igualdade de gêneros, no início deste ano apenas 15 países tinham mulheres como chefes de Estado ou Governo (excluindo rainhas que são chefe de Estado).

Em todo o mundo, a porcentagem de mulheres parlamentares era, em maio deste ano, de 19,1%. Em 1995, esse porcentual era de 11,3%.

Fonte : msn

terça-feira, 28 de setembro de 2010

LEONARDO BOFF : A MÍDIA COMERCIAL EM GUERRA CONTRA LULA E DILMA


LEONARDO BOFF : Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.


A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma


Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o "silêncio obsequioso" pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o "Brasil Nunca Mais", onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.


Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), "a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)".

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para "fazedores de cabeça" do povo. Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.


Fonte : ADITAL

domingo, 26 de setembro de 2010

CROP CIRCLES-FOI UM SUCESSO O SEMINÁRIO SOBRE O FENÔMENO DOS CÍRCULOS NAS PLANTAÇÕES




Os círculos estão presentes em diversos campos de plantações como: trigo, capim, canola, arroz em vários lgares do mundo há mais de 30 anos, especialmente na Europa: Holanda, Inglaterra, Finlândia, Bélgica, EUA e Brasil.









Seminário Crop Circles-Rio- 26 de setembro de 2010- Fenômeno dos Círculos nas Plantações



ANNA SHARP IDEALIZADORA DO EVENTO

Consultora motivacional, escritora e terapeuta, Anna Sharp utiliza a física conceitual, ou das significações, como base de seu trabalho de aperfeiçoamento humano e já atendeu mais de 9.000 alunos no Brasil e no exterior com seu método transformador, Processo de Pesquisa Interior .

Anna Sharp estudou Física e Astronomia na UFRJ e tem formação no exterior em Hipnose, Primal Therapy, Regressão, Gestalt Therapy, Programação Neurolingüística e Processo Fisher-Hoffman, com especialização no Eneagrama das Personalidades. Há 24 anos lidera o grupo de estudos Um Curso em Milagres, sobre relacionamentos especiais.

Participaram do Seminário convidados como:

Elisabete Sahtouris bióloga da Evolução Futurista, membro do World Wisdom Council, co-fundadora do Network de Ciência Indígena.

Peter Russel MA, DCS, é autor de 10 livros e produtor de vídeos premiados sobre entendimento ocidental e oriental da mente.

Jonathan Paul é Master of Arts em Estudos Ameicanos da Universidade Estadual Bowling Green, Ohio. Pesquisador, professor e investigador dos Crop Circle.

Gary Alexander King teve seu rimeiro encontro com um Crop Circle em 1997. Hoje está entre os mais consultados pesquisadores do fenômeno.

Linda Moulton Howe é PHD pela Universidade de Stamford, com Mestrado em Comunicação. Produziu documentários para o History e o Discovery Channel.





quinta-feira, 16 de setembro de 2010

21 DE SETEMBRO DIA INTERNACIONAL DA PAZ



O dia 21 de setembro, terça-feira, foi escolhido pelas Nações Unidas como o dia
Internacional pela Paz!

Os devotos e admiradores da Amma estarão se reunindo no mundo inteiro para a
recitação ininterrupta dos Mil nomes da Mãe Divina (Sri Lalita Sahasranama), o
cântico do Lokah Samastah e meditação.

Dia: 21 de setembro, 3ª feira
Horário: 7h30 (manhã) às 20h30 (noite).
Local: Centro Amma Rio - Rua Ataulfo de Paiva, 706 sala 501, no Leblon (Entre as
Ruas Bartolomeu Mitre e João Lira).

Programação Gratuita! Venha no horário que quiser e puder! Um dia inteiro de
mantras!

Caso você não possa participar, Amma diz que não importa onde você esteja
nesse dia, às 12 horas - se você está em casa, no escritório, no banheiro, no
mercado, independentemente da sua fé e religião, pare o que você está fazendo,
feche os olhos para orar por um minuto para a paz mundial.



Informações:
Grupo Amma Rio
Aradhana - (21) 3521-8371 e 8858-2709

terça-feira, 14 de setembro de 2010

FOME É REDUZIDA NO MUNDO



O número de pessoas subnutridas no mundo teve a primeira queda em 15 anos no último ano, de 1,023 bilhão para 925 milhões, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).



Segundo a organização, a queda nos números absolutos de subnutridos em 2010 é consequência, em grande parte, da expectativa de retomada do crescimento da economia, particularmente em países em desenvolvimento, e da queda no preço de alimentos desde meados de 2008.


Mas embora tenha havido uma redução de 98 milhões de pessoas, ou 9,6%, no total de subnutridos, o número continua "inaceitavelmente alto", segundo a organização.


"Ainda que tenha ocorrido um esperado declínio, o primeiro em 15 anos, quase 1 bilhão de subnutridos no mundo continua sendo um número alto demais e acima do objetivo estabelecido pelas metas do milênio, que era de reduzir pela metade o número de vítimas da fome no mundo até 2015", diz o relatório, apresentado na sede da FAO, em Roma.


As metas do milênio, estabelecidas pela ONU ao final do século passado, previam que a proporção de pessoas subnutridas caísse dos 20% do período 1990-1992 para 10% em 2015, não superando 400 milhões de pessoas.


Brasil


As últimas estatísticas disponíveis indicam que têm sido feitos alguns progressos no sentido de alcançar as metas do milênio. De um percentual de 20% de desnutridos no período de 1990/1992, passou-se para 16% em 2010, conforme o organismo.


Com base nos últimos dados completos disponíveis, a partir de 2005-07 vários países alcançaram ou estão prestes a alcançar o objetivo de reduzir a fome pela metade, entre eles o Brasil.


Segundo a FAO, a queda do número de subnutridos deve-se a uma tendência positiva da economia em 2010, sobretudo nos países em desenvolvimento, e à queda dos preços dos alimentos em comparação com o pico registrado em 2008.


De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional, citados no documento da FAO, a renda está crescendo mais rápido nas economias emergentes do que nos países desenvolvidos. Paralelamente, houve uma queda no preço dos cereais e dois anos consecutivos de recordes de safras.


O FMI prevê um crescimento da economia mundial de 4,2% neste ano, após uma contração de 0,6% no ano passado.


Concentração


Conforme as estimativas da FAO, 98% das pessoas subnutridas vivem em países em desenvolvimento, representando cerca 16% da população. Dois terços vivem em apenas sete países: Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão. Mais de 40% vivem na China e na Índia.


As regiões com a maioria das pessoas desnutridas são a Ásia e o Pacífico, com 578 milhões. Estas regiões também registraram o maior declínio da desnutrição em 2010: 80 milhões.


Na América Latina e no Caribe, a FAO estima o número de subnutridos em 53 milhões.


A África subsaariana foi a região com a maior prevalência de desnutrição, registrando 30% e um declínio em 2010 de 12 milhões.


Riscos


As estimativas para 2010 indicam que o número de pessoas subnutridas irá diminuir em todos os países e regiões do mundo, embora com um ritmo diferente.


E a instituição alerta para os riscos de ainda existir um número elevado de desnutridos.


"O fato de quase 1 bilhão de pessoas continuarem a passar fome indica um aprofundamento estrutural do problema que ameaça gravemente a capacidade de atingir as metas concordadas internacionalmente para a redução do problema", diz o relatório.


Segundo a FAO, para combater as causas da fome os governos devem investir mais na agricultura, expandir redes de segurança e programas de assistência social, reforçar atividades que geram renda para as áreas rurais e urbanas mais pobres e criar mecanismos adequados para lidar com situações de crise e proteger as populações mais vulneráveis.




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

MOSTRA " VER O TIBET"- CAIXA CULTURAL-DE 24 A 29/08






A Caixa Cultural Rio de Janeiro exibe pela primeira vez, no Brasil, a memória e as imagens da cultura e do povo do Tibet na Mostra “VER O TIBET”, composta por filmes restaurados e preservados pela Fundação Tibet Film Archive, sediada nos Estados Unidos. O evento acontece de 24 a 29 de agosto, em sessões contínuas às 15h e 18h.

O Tibete ou Tibet é uma região de planalto da Ásia, um território disputado situado ao norte da cordilheira do Himalaia. É habitada pelos tibetanos e outros grupos étnicos como os monpas e os lhobas, além de grandes minorias de chineses han e hui. O Tibete é a região mais alta do mundo, com uma elevação média de 4.900 metros de altitude, e por vezes recebe a designação de "o teto do mundo" ou "o telhado do mundo".

Em 1913, o 13º Dalai Lama expulsou os representantes e tropas chinesas do território formado atualmente pela Região Autônoma do Tibete. Embora a expulsão tenha sido vista como uma afirmação da autonomia tibetana, esta independência proclamada do Tibete não foi aceita pelo governo da China nem recebeu reconhecimento diplomático internacional e, em 1945, a soberania da China sobre o Tibete não foi questionada pela Organização das Nações Unidas.

Após uma invasão contundente e uma batalha feroz em Chamdo, em 1950, o Partido Comunista da China assumiu o controle da região de Kham, a oeste do alto rio Yangtzé; no ano seguinte o 14º Dalai Lama e seu governo assinaram o Acordo de Dezessete Pontos. Em 1959, juntamente com um grupo de líderes tibetanos e de seus seguidores, o Dalai Lama fugiu para a Índia, onde instalou o Governo do Tibete no Exílio em Dharamsala. Pequim e este governo no exílio discordam a respeito de quando o Tibete teria passado a fazer parte da China, e se a incorporação do território à China é legítima de acordo com o direito internacional. Ainda existe muito debate acerca do que exatamente constitui o território do Tibete, e de qual seria sua exata área e população.


Além dos filmes, “Ver o Tibet” contará com uma publicação, criada pelo designer Guilherme Falcão, em formato de jornal-mural, para orientar os espectadores, com uma breve introdução ao passado e presente nos costumes, no budismo e na história tibetana.

A mostra, concebida pela agência Pequeno Comitê, de São Paulo, e com patrocínio da Caixa Econômica Federal, também realiza no dia 28, às 17h, um Talk Show com participação de Tenzin Phuntsog, um dos fundadores do Tibet Film Archive. Ele vai falar ao público brasileiro sobre o papel da instituição e a situação do país hoje. A conversa contará com participação do curador Fernando Oliva.


A Fundação Tibet Film Archive tem como objetivo o resgate de uma produção cinematográfica documental e jornalística sobre O Tibet, realizada na primeira metade do século 20 – até o domínio chinês no Tibet, instaurado em 1950. Toda a renda da bilheteria será destinada ao Programa Fome Zero.


Caixa Cultural (Almirante Barroso esquina com Rio Branco), está acontecendo, de 24 a 29/08, a mostra de documentários “Ver o Tibete”. Os documentários estão divididos em três sessões que passam duas vezes ao longo do dia. As sessões são as mesmas todos os dias.

Sessões das 15:00h e das 18:00h:
- “Tibetan history”, documentário feito em 1965, realizado pela Christian Aid. Examina os problemas e as necessidades do povo tibetano no exílio, e as relações do país com a comunidade exilada na Índia.
- “Home away from home”, registra os primeiros dias de exílio do povo tibetano na Índia.

Sessões das 16:00h e das 19:00h:
- “Tashi writes a letter”, documentário de 1964, realizado pela CARE. História da família Kampu, que decide partir para o exílio até o encontro com o Dalai Lama
- Três pequenos documentários sem som, feitos em 1927/1928 por expedições alemãs ao Tibete. Primeiro: danças em um mosteiro de lamas; segundo: festas e orações em um mosteiro de lamas; terceiro: danças budista-tibetanas no leste do Tibete.

Sessões das 17:00h e das 20:00h (no sábado, 28, não haverá a sessão das 17:00h e no domingo, 29, não haverá a sessão das 20:00h):
- “Religious investiture of His Holiness”. Traz imagens do Dalai Lama antes de seu exílio na Índia e registra os textos e exames orais para que Sua Santidade recebesse o título de Geshe.
- “Raid into Tibet”, documentário de 1964. Mostra as únicas imagens existentes dos guerrilheiros tibetanos e suas ações de resistência contra o domínio chinês.

No sábado, 28, às 17:00h, haverá em encontro com o público, com a participação de Tenzin Phuntsog (diretor do Tibet Film Archive) e Fernando Oliva (crítico e curador). O evento terá tradução simultânea de inglês para português.

domingo, 22 de agosto de 2010

A ZL COMUNICAÇÃO PRODUZ O FILME - QUANDO A MORTE ASSUME O PODER



ESTOU PRODUZINDO ATRAVÉS DA MINHA EMPRESA ZL COMUNICAÇÃO O LONGA "QUANDO A MORTE ASSUME O PODER" BASEADO NO LIVRO DO JORNALISTA RAMIRO BATISTA - "O DOSSIÊ RUBICÃO-QUANDO A MORTE ASSUME O PODER"


A fotógrafa de um grande jornal paulista desaparece em meio ao grande comício das Diretas, no Rio de Janeiro, de posse do dossiê Rubicão que, entre outros prognósticos, antecipa a derrota da Emenda das Diretas e desmascara as articulações de um grupo de políticos interessados em fazer de Tancredo Neves o candidato das oposições no Colégio Eleitoral, por via indireta, contra toda a pressão das massas mobilizadas nas ruas.

O seu desaparecimento e possível morte desencadeiam ma investigação em torno de maquinações políticas, reuniões secretas, corrupção e negociatas governamentais, que vai desandar num furo jornalístico que não pode ser dado: o candidato das oposições, que enfrentou boicotes, traições, chantagens e ameaças de golpe para se viabilizar como candidato de pacificação e conduzir o país à democracia, tem uma doença grave, pode não tomar posse e colocar em risco a transição pacientemente construída.

O dossiê Rubicão – Quando a morte assume o poder um suspense de rara eficiência para contar um dos momentos mais traumáticos da história recente do país e uma fábula moral sobre as dores do crescimento em meio às intrigas dos bastidores de um grande
jornal num pais às portas de uma convulsão.

Rubicão remete ao rio de Roma, que César atravessava ou morria, extraído de uma
frase de Tancredo: “Ninguém tira os sapatos antes de chegar ao rio, mas ninguém vai ao Rubicão só para pescar”. Referência ao estilo cuidadoso do mineiro que se deslocava com excessivo cuidado até a sua hora para não melindrar militares e adversários num momento crucial de transição, a expressão é tomada aqui como alavanca para desmontar o mito. Mas também como rito de passagem e consciência de limites dos personagens reais ou fictícios. Como Tancredo, os demais personagens, um povo e um país, o jovem repórter também está diante do seu rubicão e aprenderá que não deve pagar qualquer preço para atravessá-lo.

O autor mistura a história real da política brasileira – do primeiro grande comício das Diretas na Praça da Sé, em São Paulo, em janeiro de 1984, até a posse frustrada na presidência da República, a 15 de março de 1985 – com uma sucessão de histórias bem encadeadas, envolvendo amor, sexo, drogas, corrupção, jornalismo e muito mistério.

A trama, construída em cima de fatos reais e calcada em vasta pesquisa, cruza realidade e ficção com rara competência para mostrar a teia de articulações até a traumática internação do presidente, às vésperas da posse, e o aprendizado sentimental do jovem assustado com as tramas do poder que acreditava existir apenas longe da Redação. A cada dia tem que negociar com suas convicções para aprender um pouco sobre jornalismo, o poder, os homens, a vida e a morte.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

BANDA "LION HEART ' AMANHÃ,QUARTA FEIRA, DIA 11 DE AGOSTO,NO ESPAÇO SERGIO PORTO



Amanhã, 11 de agosto, a Banda Lion Heart se apresenta, às 19h, no Espaço Sergio Porto, no Humaitá- Botafogo-Rio de Janeiro. Rua : Humaitá 163.